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COI anuncia medidas para adaptar seletivas, mas recusa adiar Olimpíada

Homem com máscara de proteção passa pelo logo da Olimpíada de Tóquio - ISSEI KATO
Homem com máscara de proteção passa pelo logo da Olimpíada de Tóquio Imagem: ISSEI KATO
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

17/03/2020 11h33

O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou nesta terça-feira (17) uma série de medidas para adaptar o calendário de torneios de classificação dos Jogos Olímpicos de Tóquio ao pouco tempo disponível até o início da competição, em 24 de julho. Ranking mundial e resultado de eventos passados, como Jogos Pan-Americanos, podem ser considerados. Mas decidiu, em conjunto com federações de modalidades olímpicas, manter os Jogos para a data programada. Nos próximos dias, o COI ainda se reúne com os comitês olímpicos, os representantes dos atletas, com o Comitê Paraolímpico (IPC) e com as demais federações internacionais.

"O COI permanece totalmente comprometido com os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e, a mais de de quatro meses dos Jogos, não há necessidade de decisões drásticas nesta fase", disse o COI, em longo comunicado, destacando que "qualquer especulação neste momento seria contraproducente".

No comunicado, o COI incentiva todos os atletas a continuarem se preparando para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 "da melhor maneira possível". No Brasil, por exemplo, diversos locais de treinamentos estão sendo fechados, como o NAR (Núcleo de Alto Rendimento), em São Paulo, e clubes como Pinheiros, Minas Tênis Clube e Flamengo. No Rio, as atividades esportivas do Parque Olímpico foram suspensas, mas o COB manteve o CT Time Brasil aberto para quem está se preparando para a Olimpíada.

O COI justifica sua decisão no otimismo. "O COI acredita que as muitas medidas tomadas por muitas autoridades em todo o mundo ajudarão a conter a situação do vírus COVID-19", argumentou o comitê, que cita também conversas do primeiro-ministro japonês, Abe Shinzo, com líderes do G7, o grupo dos países mais ricos do mundo. O comunicado inclusive cita declaração de Shinzo. "Quero realizar as Olimpíadas e Paraolimpíadas perfeitamente, como prova de que a raça humana superará o novo coronavírus, e eu tenho o apoio dos líderes do G7 ".

O comunicado cita dois "princípios imperiosos" para a realização dos Jogos: "Protege a saúde de todos os envolvidos e apoiar a contenção do vírus" e "proteger os interesses dos atletas e do esporte olímpico". Sempre de acordo com o comitê, a situação seguirá sendo monitorada 24 horas por dia, sete dias por semana, por uma força-tarefa que também conta com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Comitê Organizador e autoridades japonesas de âmbito federal e metropolitano de Tóquio.

As medidas mais relevantes anunciadas pelo COI neste momento são relativos à classificação olímpica. Com a suspensão de todo o calendário internacional, sem a menor previsão de quando as competições vão retornar, diversas seletivas foram canceladas. Ontem, o próprio COI cancelou a última delas, um Pré-Olímpico Europeu de Boxe organizado pelo próprio comitê (a Aiba está suspensa) em Londres. O torneio começou no sábado, sob protestos, continuou domingo sem torcida e foi paralisado no meio, ontem, depois de diversos W.O.'s.

"Até o momento, 57% dos atletas já estão qualificados para os Jogos. Para os 43% restantes, o COI trabalhará com as federações internacionais para fazer as adaptações necessárias e práticas em seus respectivos sistemas de qualificação para Tóquio 2020", explicou o comitê.

Todas as cotas já alocadas até hoje permanecem com os países e os atletas que a obtiveram e os eventos já programados serão mantidos desde que estes ainda deem acesso justo a todos os atletas e equipes. A grande novidade é que o COI admite a alocação de vagas por "resultados no campo, por exemplo ranking mundial e resultados históricos" e por classificação e resultados de eventos específicos continentais. Seria o caso, por exemplo, dos Jogos Pan-Americanos.

O COI admite até aumentar o número de cotas. "Qualquer aumento nas cotas de atletas será considerado caso a caso em circunstâncias excepcionais, com o apoio do Comitê Organizador Tóquio 2020", destacou. As federações internacionais apresentarão propostas para quaisquer adaptações em seus respectivos sistemas de qualificação com base nesses princípios.