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América-MG não paga salários e pode ficar sem time na Superliga

Jogadores do América Vôlei, que disputa a Superliga - Divulgação/América Vôlei
Jogadores do América Vôlei, que disputa a Superliga Imagem: Divulgação/América Vôlei
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

15/01/2020 12h54

De volta à Superliga Masculina depois de "alugar" sua vaga para o Corinthians, a equipe de Montes Claros pode não conseguir completar a atual temporada, por falta de dinheiro. Jogando com a camisa do América-MG, o time não pagou salários para seus atletas desde o início a atual temporada, em julho. Três jogadores já saíram, sendo o último deles o líbero Guilherme Kachel, que já jogou pela seleção brasileira sub-23.

"A gente jogou o Mineiro e quando era na semana da estreia da Superliga eles falaram que o projeto de Lei de Incentivo tinha sido indeferido. Como falava uma semana para começar a Superliga, o time todo continuou treinando. Os meses foram passando, com reunião toda semana, promessa de que iam pagar, que estavam correndo atrás, sempre prazos e mais prazos, e nunca pagaram", contou Kachel ao Olhar Olímpico.

O time, que treina em Montes Claros (MG), é uma espécie de equipe satélite do Sada, tendo herdado a base do time que jogou a Superliga B por Lavras (MG) na temporada passada. O técnico Henrique Furtado é funcionário do Sada, assim como sete jogadores empresados pelo Sada, que paga seus salários.

O restante do elenco foi contratado diretamente pelo clube que joga a Superliga com o nome de "América Vôlei", mas que é administrado pelo gestor Andrey Souza desde quando ainda jogava como Monte Cristo, em Goiás. O time se transferiu para Montes Claros em 2013 e, desde então, teve dificuldades em arcar com salários em diversas oportunidades. Na temporada passada, emprestou seu CNPJ para a equipe do Corinthians/Guarulhos.

A Superliga, porém, tem regras de Fair Play financeiro que exigem que os atletas assinem um termo comprovando o pagamento de todos os salários na temporada. O Corinthians não quitou suas dívidas, os atletas se recusaram a assinar, mas mesmo assim o mesmo CNPJ foi autorizado a jogar a competição na atual temporada. Em protesto, a Comissão de Atletas da CBV renunciou.

Ao retomar o CNPJ, Andrey Souza acertou parceria com o América-MG, que passou a emprestar seu nome ao time, e foi ao mercado fazer contratações. Em novembro, após ter seu projeto reprovado na Lei de Incentivo Estadual, ele avisou que os atletas que desejassem ir embora poderiam fazê-lo. Nessa, saíram os ponteiros Thiago Alves e Jonatas.

Kachel segurou-se até dezembro, enquanto recebia soldo do Exército, onde era contratado pelo Programa de Alto Rendimento. Dispensado no fim do ano, calculou que não conseguiria continuar pagando aluguel em Montes Claros e decidiu também deixar o clube e voltar à casa dos pais.

Agora há expectativa de que outros jogadores do elenco também deixem o time, que ainda conta com os opostos Germán (argentino) e Rafael Bairros, o levantador Thiago e os centrais Pedrão, Renan e Lucas Fonseca. No domingo (19), o time, que é vice-lanterna da competição, encara o líder Sada/Cruzeiro em clássico mineiro pela segunda rodada do returno. Sem receberem, os jogadores podem se recusar a jogar, deixando o elenco apenas com atletas do próprio Sada.

Em nota, a diretoria do América Vôlei disse que "busca todas as possibilidades de resolver a não liberação do recurso pela Lei [de Incentivo] Federal e, inclusive, já ajustou com vários atletas sobre o pagamento". Sobre a saída do líbero, alegou que "trata-se de uma decisão pessoal do líbero em deixar o clube em função da sua não titularidade, sua demissão da seleção militar e frustração com a profissão", o que ele nega.

Olhar Olímpico