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Julio Gomes


Jorge Jesus está de volta. O Flamengo pode atender à pedida milionária?

Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

01/05/2020 13h34

Resumo da notícia

  • Jorge Jesus embarcou nesta sexta de volta ao Brasil
  • Técnico vai discutir renovação milionária com o Flamengo
  • Clube demitiu 62 funcionários de baixos salários nesta semana

Jorge Jesus embarcou de volta de Portugal ao Brasil. Saiu de lá dizendo que tem dois meses para decidir sobre seu futuro. Afinal, o contrato com o Flamengo acaba logo logo. Diz que quer ficar. Montou um grande time, é querido pela Nação, etc, etc, etc. Mas...

Informações dão conta de que a pedida para renovar é de 7 milhões de euros anuais. O que já era muito no fim do ano passado virou um muito vezes dois com o coronavírus, a incompetência do governo e o derretimento da nossa moeda. Como o Flamengo vai pagar mais de 40 milhões de reais por ano para um técnico?

Seria um salário mais de três vezes maior do que o segundo no ranking nacional (Sampaoli no Atlético-MG).

Estamos falando de um clube que acaba de demitir 62 funcionários que não são os que ganham muito dinheiro. Uma decisão lamentável, desumana, nojenta, como disse o companheiro André Rocha. Por que economizar com quem não vai ter emprego, com quem mais vai sofrer na crise, em vez de renegociar os salários astronômicos do topo da cadeia?

Quando me pergunto "como o Flamengo vai pagar 40 milhões para um técnico?", a pergunta não tem cunho financeiro-planilheiro. E, sim, ético. Como pode o Flamengo demitir gente em situação precária, seguir sem pagar várias das famílias dos meninos carbonizados no Ninho e negociar um contrato desses com um treinador de futebol?

A folha de pagamento do Flamengo já é a maior do país, como mostra o blog do Mauro Cezar na postagem de um mês atrás. Apesar de os dados se referirem somente aos pagamentos em carteira, podemos mais ou menos deduzir o gasto mensal/anual do clube. Se o Fla pagar 7 milhões de euros anuais a Jorge Jesus, no câmbio atual, estamos falando de uma fatia gigantesca da folha para o técnico português.

Aí pode entrar o debate esportivo. Jorge Jesus é realmente espetacular, o cara é bom demais. Mas, uma vez construído o time, derrubada a barreira de 38 anos sem Libertadores... será que algum outro técnico muito bom, mas menos caro, não dá conta? Esse é outro debate. O legado de Jesus depende tanto de Jesus? Um debate que seria bom de ser travado se o Flamengo estivesse preocupado em economizar no topo da pirâmide, não na base. Não parece ser o caso.

Quem esperava ver um mundo mais humano após a pandemia, melhor não começar a procurar pela diretoria atual do Flamengo.

Julio Gomes