PUBLICIDADE
Topo

Pandemia faz regulamento do Paulista punir mandantes financeiramente

Estádio do Morumbi, antes do jogo entre Red Bull Bragantino e Corinthians - Divulgação/Corinthians
Estádio do Morumbi, antes do jogo entre Red Bull Bragantino e Corinthians Imagem: Divulgação/Corinthians
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

31/07/2020 12h22

Com a obrigação de as partidas serem realizadas com os portões fechados por conta da pandemia de Covid-19, o regulamento do Campeonato Paulista acaba punindo os melhores times da competição no bolso. Como não podem ter renda de bilheteria, os mandantes são obrigados a arcar com todo o custo da realização de cada partida.

Tem sido assim desde o retorno do futebol após a paralisação do calendário e vai continuar até a final. No mata-mata, por exemplo, Santos, São Paulo e Palmeiras tiveram a vantagem de jogar em casa unicamente pelo aspecto de conhecerem os gramados e vestiários. Já que não têm a torcida para pressionar e nem para pagar ingresso, os times deixaram o primeiro mata-mata devendo dinheiro.

Vale destacar que o dono da melhor campanha não tem nem a "vantagem esportiva" de atuar pelo empate, uma vez que a vaga é decidida nos pênaltis em caso de igualdade. Vai ser assim de novo para o Palmeiras, que recebe a Ponte Preta às 19h de domingo, e para o Corinthians, que recebe o Mirassol, às 16h do mesmo dia.

O borderô da Federação mostra que o São Paulo, além de ter protagonizado um vexame, deixou o gramado contra o Mirassol na quarta-feira devendo quase R$ 28 mil. O total corresponde ao custo para a realização de uma partida com os seguintes itens: ambulância, CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), controle de doping, equipe de apoio, funcionários e sonorização.

O Palmeiras teve um custo ainda maior. Foram mais de R$ 34 mil entre os custos e ainda uma dedução de R$ 8.647,00 que não foi especificada no borderô, totalizando um gasto de mais de R$ 43 mil. O Santos, por sua vez, registrou gasto de pouco mais de R$ 21 mil. O Corinthians jogou como visitante e o custo do Morumbi, que ainda não foi divulgado no site da FPF, ficou a cargo do Red Bull Bragantino.

Bom senso faz prejuízo ser menor

O problema poderia ter sido ainda maior, mas o bom senso prevaleceu entre os clubes e federação. Nas duas últimas rodadas da primeira fase, algumas equipes do interior tiveram de atuar longe de suas casas, uma vez que as cidades ainda estão em um estágio avançado da pandemia e não cumprem as normas do protocolo para receberem uma partida. Foi o caso, por exemplo, de Novorizontino e Guarani, que jogaram na Arena Corinthians e na Vila Belmiro, respectivamente.

No caso deles, os times assumiram apenas o custo do estádio e não precisaram desembolsar o aluguel, que aumentaria consideravelmente as despesas. O Novorizontino arcou com mais de R$ 45 mil para "receber" o Santos, e o Guarani pagou R$ 23 mil para atuar contra o São Paulo. As despesas de viagem e hospedagem, por sua vez, foram bancadas pela Federação Paulista de Futebol.

Nos últimos anos, quando o mata-mata era disputado em duas partidas, cada clube ficava com a sua renda. A arrecadação fazia clubes de menor porte pagar meses de salário e representava grande ajuda nas receitas dos times grandes. Neste ano, o regulamento previa a divisão igualitária da renda nas fases em que o mata-mata seria disputado em jogo único.