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Luxemburgo escancara desespero para achar um armador no Palmeiras

Luxemburgo em ação à beira do campo durante jogo do Palmeiras pelo Paulistão - Cesar Greco/Palmeiras
Luxemburgo em ação à beira do campo durante jogo do Palmeiras pelo Paulistão Imagem: Cesar Greco/Palmeiras
Danilo Lavieri

Danilo Lavieri começou a carreira em 2008 e trabalha com futebol desde 2010. Já cobriu Copa, Olimpíada, escreveu a biografia do goleiro Marcos (Nunca Fui Santo) e ganhou prêmio de furo do ano da Aceesp em 2019.

Colunista do UOL

29/07/2020 23h26

Está na cara que Vanderlei Luxemburgo está desesperado por um camisa 10. Não necessariamente aquele clássico, porque isso já é raridade nos dias de hoje. Mas o treinador do Palmeiras tem feito o que pode para tentar achar alguém que assuma a responsabilidade de criação ou para achar um estilo de jogo que não dependa só de um jogador como esse. E me parece que, diante das opções, essa segunda é a alternativa mais viável.

O jogo desta noite (29) contra o Santo André foi mais uma demonstração clara disso. Há quem tenha ficado desesperado quando a escalação foi anunciada: o meio tinha Patrick de Paula, Gabriel Menino e Ramires. Três volantes para vencer um mata-mata de jogo único? Para mim, o recado foi claro: "onde está o meu armador? Quem pode fazer a diferença?".

Não foi à toa que ele terminou os 90 minutos com Felipe Melo adiantado. O volante de origem tem jogado de zagueiro e, mesmo lá de trás, é o que mais lança, o que mais procura alguém livre na intermediária ofensiva. E é óbvio que isso não é o suficiente. Olha que hoje ele ainda abriu o caminho da sofrida vitória.

A falta de alguém que consiga assumir essa responsabilidade fez o treinador até repetir erros de seus antecessores, como disse no post depois do jogo contra o Água Santa. A estratégia de hoje não deu certo de novo. Weverton foi o melhor do primeiro tempo, mesmo com o Alviverde tendo mais de 60% de posse. E, no segundo tempo, ele deu mais chances àqueles que insistem em não corresponder. O time chegou a ter mais de 70% de posse e, ainda assim, criava menos chances de perigo. Não adianta tocar a bola de um lado para o outro e não ter intensidade ou ofensividade.

Lucas Lima e Gustavo Scarpa entraram, até conseguiram mudar um pouco a dinâmica do meio, criaram algumas chances, mas nada perto da expectativa que geraram quando foram contratados. Bruno Henrique, que chegou até a sonhar com seleção brasileira quando foi capitão do título de 2018, não consegue repetir nem mais os seus bons chutes de longe.

Sem nem contar a decepção que tem sido Rony até agora. Ele não vai ser o camisa 10 que o time precisa, mas poderia ser um escape. Até agora, não foi destaque em nenhum jogo que entrou e não tem nenhuma jogada para colocar no DVD mesmo depois de toda a "pompa" para a sua contratação.

Antes disso, Vanderlei Luxemburgo já tinha testado Willian centralizado, Zé Rafael como o homem mais avançado do meio... Sem nem contar o que fazia com Dudu antes da ida do atacante ao Qatar. O que compensava a falta de criação naquela época era justamente os rompantes de criatividade que o atacante tinha. Agora, nem isso... Vai ser um desafio e tanto para o técnico.