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'Mais enérgica', 'menos racista': as promessas na Bahia para as polícias

Do UOL, em São Paulo

28/05/2022 04h00

A Bahia tem a mais alta taxa de mortalidade do país, com 44,9 mortes intencionais por 100 mil habitantes, segundo o anuário de 2021 do Fórum de Segurança Pública.

Houve mais de 50 mil mortes violentas reportadas, das quais 6.700 foram na Bahia, estado em que houve inclusive um aumento em relação a 2020 de 11,2%.

Entre as capitais brasileiras, Salvador lidera, com a 30ª maior taxa de mortalidade violenta, com média de 49 assassinatos por cada 100 mil habitantes. Por isso o tema se tornou central entre as propostas dos pré-candidatos ao governo do estado.

ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e quem lidera as pesquisas —podendo inclusive vencer no primeiro turno, segundo as projeções atuais—, culpou os anos de governo do PT pela atual violência.

"As coisas saíram do controle. Nestes 16 anos, os governadores simplesmente se esquivaram do problema, procuraram culpados e desculpas. É óbvio que sabemos que o problema da violência está espalhado no Brasil, entretanto, muitos estados brasileiros conseguiram resultados importantes nos últimos anos", disse direcionando críticas à gestão do petista Rui Costa.

Ele também se colocou a favor do investimento para tecnologia de reconhecimento facial, mesmo dizendo que "o resultado não compensou", e contra as câmeras nas fardas policiais.

Para melhorar, ele defende "fazer concurso imediatamente para as polícias". "Há um déficit grande na tropa da PM e também nos profissionais da área civil. Vai ter que se trabalhar na valorização da carreira, porque os policiais estão desmotivados. Tem que equipar a polícia e trabalhar com inteligência."

Pré-candidato pelo PL, mesmo partido do presidente Jair Bolsonaro, o ex-ministro João Roma prometeu uma polícia "mais enérgica" e culpou o crime organizado pelo alto índice de mortes no estado.

"O que se vê na Bahia não é assalto na esquina, é um crime estruturado, é o 'novo cangaço' chegando. É justamente uma falta de prioridade do governo, que não dá nenhum respaldo às forças policiais no estado da Bahia. Cada vez mais o policial está acuado, respondendo a processo administrativo-disciplinar por qualquer coisa", criticou.

"Como governador da Bahia, vamos ter uma posição veemente e não vai ter vida fácil para o crime organizado. Eles vão procurar onde eles quiserem, não na Bahia. Nós temos que ter pulso forte", afirmou, exemplificando que gostaria de uma polícia nos moldes da PRF (Polícia Rodoviária Federal). Na quarta, agentes mataram um homem asfixiado dentro de uma viatura em Sergipe. Foi aberto inquérito para apurar o caso.

Segundo ele, vai ser melhorado o uso de tecnologia de informação e comunicação. "O enfrentamento vai ser severo. Antes o policial vivo do que o bandido, que está tirando a vida das pessoas, fica aí serelepe com essas audiências [de custódia], prende hoje e solta amanhã."

Já o pré-candidato do PSOL engrossou o coro das críticas às gestões petistas e prometeu repensar a segurança pública, que ele chamou de "racista e genocida".

Disse que vai priorizar a investigação policial, "que evita violência no enfrentamento ao crime", e propôs uma reestruturação, garantindo carreira para os investigadores da Polícia Civil e Militar.

"Nós temos uma segurança pública extremamente racista, com viés fascista e com índices genocidas. A segurança pública voltada para o confronto só é possível porque há processo de naturalização da morte dos corpos negros. Ela é voltada para emparedar e combater essa população. Precisamos fazer o diagnóstico sério", afirmou.

Pré-candidato petista, o ex-secretário da Educação Jerônimo Rodrigues exaltou a parceria que terá com o governo federal se Lula for eleito e defendeu as gestões anteriores do PT. Seu partido comanda o estado há 16 anos.

Para ele, a culpa de índices tão negativos é do governo de Jair Bolsonaro, que não fez investimentos no estado nos últimos anos, e de governos anteriores, que não deram conta de problemas estruturantes e históricos.

"Esses indicadores que você colocou são estruturantes em um estado, em um país. A gente não consegue reverter indicadores de educação, por exemplo, a curto prazo. Da mesma forma, indicadores de saúde, segurança pública. Quero ressaltar que essa situação que nós vivenciamos hoje, ela é parte da herança muito perversa com a Bahia que vivíamos há 20, 30 anos. Não tínhamos um governo que cuida de gente", disse.

Para reverter esses índices, ele apenas prometeu "continuar investindo como o Rui está investindo" e culpou o governo federal por permitir a entrada de armas e drogas pelas fronteiras.

"A insegurança que reina nesse país precisa ser enfrentada com sistema nacional de segurança pública em regime de colaboração."

"Posso falar com firmeza do que o estado fez. Contratação de profissionais de segurança, investimento, o maior investimento. Existem ações que o estado não consegue fazer sozinho. Me comprometo, no próximo governo, a dar continuidade no que está sendo feito com rigor e força maior com governo federal", afirmou.