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Pré-candidato do PSOL diz que apoia Lula, mas critica gestão do PT na Bahia

Pedro Vilas Boas e Matheus Mattos

Colaboração para o UOL

26/05/2022 10h27Atualizada em 26/05/2022 11h25

Pré-candidato do PSOL ao governo da Bahia, Kleber Rosa disse, durante sabatina UOL/Folha realizada hoje, que, apesar do apoio do partido a Lula nacionalmente, eles se opõem ao PT no estado porque o governo Rui Costa ficou "aquém" do esperado.

"Vamos fazer a campanha de Lula, nos engajar na campanha, porque é fundamental que a gente saia desse processo com essa vitória", afirmou, acrescentando que "a democracia no Brasil ainda é frágil".

"Já na Bahia, é diferente. Temos um governo do PT caminhando para quatro mandatos e é um governo que apresenta um resultado absolutamente aquém do que nós, da esquerda, acumulamos ao longo dos últimos 40 anos de construção de gestão política pela esquerda com foco nas desigualdades sociais, além de outras questões gritantes, como educação e segurança pública."

Rosa afirma que Rui Costa adota pautas mais à direita. "Promoveu privatizações, recentemente abriu caminho para privatizar a Embasa [companhia de saneamento do estado], o que para gente é inegociável. Além da perda dos direitos trabalhistas, ataque aos direitos dos servidores públicos, reformas que foram feitas, desvalorização salarial. O governo do PT vacilou nesse aspecto e em outros aspectos, do ponto de vista da inclusão social", disse.

"Não foi um governo de esquerda, não tem característica de governo de esquerda. É um governo que foi disputado por setores da direita refletindo alianças que foram feitas, e esses setores impuseram sua pauta, e isso se refletiu na condução política, sobretudo de Rui Costa", acrescentou o pré-candidato.

Outro aspecto criticado foi na segurança pública, em que cresceram vários índices de violência. "Rui Costa é um defensor desse modelo de segurança pública, inclusive em vários momentos se posicionando e respaldando ações violentas de promoção de chacinas. Busca dar retaguarda a ações que impulsionam a violência."

Evitou falar em apoio no segundo turno na Bahia, manteve seu nome na disputa e disse que sua candidatura tem espaço para crescer porque seu nome ainda é muito desconhecido. "Não vamos abrir mão de disputar nosso projeto. Isso é inegociável", disse.

Colocou o pré-candidato petista, Jerônimo Rodrigues, "como o novo Rui Costa". "Se a posição dele for respaldar de forma acrítica o que a gente coloca como ponto de pauta, a possibilidade de diálogo para o segundo turno se torna zero. É necessário ter a capacidade de fazer análise crítica e apontar a disposição de mudança de caminhos. A partir daí, a gente pode pensar na possibilidade de um diálogo."

Também sobraram críticas para o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, líder das pesquisas de intenção de voto, que pode até ser eleito em primeiro turno segundo os mais recentes levantamentos. "Ele está reproduzindo a lógica de ter que matar mesmo, matar mais. O povo da Bahia, que é majoritariamente negro, que sofre com violência, não pode sucumbir o voto a uma figura que traz um elemento conservador, arcaico."

Ele se autodefiniu como "filho de uma mulher sem terra e um homem sem teto" e sobrevivente e disse ser fundamental repensar a política de segurança pública e de enfrentamento às drogas para evitar mortes. "Nós temos uma segurança pública extremamente racista, com viés fascistas com índices genocidas", afirmou.

Prometeu fazer uma "abolição de verdade, que o Brasil não fez", aumentando o acesso da população negra à sua cidadania. "População negra é simbolicamente incluída, mas é politicamente negada."

Pesquisa Genial/Quaest

Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada no dia 18, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) está na liderança de intenção de votos para o governo da Bahia. Com 67%, ele venceria no primeiro turno caso as eleições fossem hoje.

Os demais candidatos somam 12% das intenções de voto. O ex-secretário de Educação da Bahia Jerônimo Rodrigues (PT) tem 6%; o ex-ministro da Cidadania João Roma (PL), 5%; e o professor Kleber Rosa (PSOL), 1%. Como a margem de erro é de 2,9 pontos percentuais para mais ou para menos, esses três pré-candidatos empatam tecnicamente. O professor Giovani Damico (PCB) não pontuou.

Brancos, nulos e aqueles que disseram que não pretendem votar somam 12%. Indecisos são 8%.

Calendário das sabatinas na Bahia

  • 27/05 - 10h - Jerônimo Rodrigues (PT)

Nas próximas semanas, também serão feitas sabatinas com candidatos ao governo do Paraná, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Sul.