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ACM Neto diz que não dará palanque a ninguém e vê tempo para 3ª via

Pedro Vilas Boas e Matheus Mattos

Colaboração para o UOL

25/05/2022 10h23Atualizada em 25/05/2022 13h35

Pré-candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil) evitou dar demonstrações de apoio a Lula (PT) ou a Bolsonaro (PL), elogiou Ciro Gomes (PDT) e disse que não vai dar palanque a nenhum candidato durante a campanha, nem mesmo de seu partido. As falas foram feitas durante sabatina UOL/Folha realizada hoje.

Sobre Lula e Bolsonaro, ele disse que nenhum dos dois projetos é o de seus sonhos, mas ainda não viu competitividade nos nomes da terceira via.

"Aqui na Bahia fica esse pingue-pongue. De um lado a turma ligada a Bolsonaro fica argumentando que tenho conversa com PT, do outro lado a turma do PT fica me acusando de ter conversas com Bolsonaro. Na verdade ambos estão errados", afirmou.

"Tenho um arco de alianças a partir de diversos partidos que têm diversos pré-candidatos à Presidência da República", disse, citando a possibilidade de ter dez partidos em sua coligação, inclusive o PDT de Ciro Gomes, que ACM Neto elogiou.

"Eu tenho uma relação histórica com ele, eu sempre disse da minha admiração e carinho. Ciro é uma pessoa que tem elevado o espírito público, já deu importantes contribuições ao país, ajuda no debate eleitoral, movimenta a cena política", disse, citando que as negociações da terceira via precisam incluir Ciro.

Para ACM Neto, o espaço para a terceira via é "limitado", daí a necessidade de aglutinar o maior número possível de nomes. "Se a terceira via estiver dividida, não vai ser possível apresentar um nome para quebrar a polarização."

"A terceira via, nesse momento, é competitiva? Não é. Neste momento a cabeça dos brasileiros está realmente em Lula e Bolsonaro. Agora, existe tempo para termos novidade e surpresas. Ninguém tem bola de cristal."

Sem palanques na Bahia

Com uma chapa tão ampla, ACM Neto disse que não vai aparecer em eventos com nenhum candidato, nem mesmo se Luciano Bivar, presidente de seu partido e pré-candidato à Presidência, estiver entre eles.

"Eu não tenho obrigação de dar palanque a ninguém. Tenho o dever de respeitar os partidos que estão comigo. A minha posição será de deixar todo esse palanque aberto e de dar condições aos partidos de seguirem sua linha nacional aqui na Bahia."

Ele declarou voto em Bivar, mas disse que essa atitude já foi negociada com ele.

"Bivar sabe que aqui precisamos manter o palanque aberto. Claro que Bivar, como candidato a presidente da República, naturalmente, na hora de escolher um candidato, não tenha dúvida que o cidadão ACM Neto vai ficar com Bivar", mas reafirmou: "Não vamos assumir um palanque".

Prefeito de Salvador por dois mandatos, ACM Neto teve boa aprovação e conseguiu eleger seu sucessor no cargo, Bruno Reis, também do União Brasil.

Nem Lula nem Bolsonaro

Ele disse que nem o presidente Jair Bolsonaro (PL) nem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) representam o que ele deseja para o país.

"Durante dez anos fiz oposição ao PT como deputado federal no Congresso, sempre fiz críticas duras ao PT", afirmou, se colocando na oposição, e acrescentou algo similar sobre o governo atual.

"Nunca fui um tipo de político de sentar com presidente para negociar espaço. A relação com o governo Bolsonaro é a demonstração mais clara disso. Na época do Democratas [partido que se fundiu ao PSL e se tornou o União Brasil], tinha três ministros escolhidos pelo presidente. Eu, como presidente nacional do partido, sequer admiti que essa discussão acontecesse."

Nenhum dos dois é o projeto dos meus sonhos, reflete o que desejo para o Brasil. A questão é: teremos uma alternativa a um dos dois?"

"A gente não pode prever o que vai acontecer em outubro. Acho cedo demais para carimbar que o cenário está decidido, a polarização, que não se sai disso", afirmou.

Pesquisa Genial/Quaest

Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada no dia 18, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) está na liderança de intenção de votos para o governo da Bahia. Com 67%, ele venceria no primeiro turno caso as eleições fossem hoje.

Os demais candidatos somam 12% das intenções de voto. O ex-secretário de Educação da Bahia Jerônimo Rodrigues (PT) tem 6%; o ex-ministro da Cidadania João Roma (PL), 5%; e o professor Kleber Rosa (PSOL), 1%. Como a margem de erro é de 2,9 pontos percentuais para mais ou para menos, esses três pré-candidatos empatam tecnicamente. O professor Giovani Damico (PCB) não pontuou.

Brancos, nulos e aqueles que disseram que não pretendem votar somam 12%. Indecisos são 8%.

Calendário das sabatinas na Bahia

  • 26/05 - 10h - Kleber Rosa (PSOL)
  • 27/05 - 10h - Jerônimo Rodrigues (PT)

Nas próximas semanas, também serão feitas sabatinas com candidatos ao governo do Paraná, Pernambuco, Ceará e Rio Grande do Sul.