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Salão do Automóvel de SP é adiado para 2021 e pode ocorrer em outra cidade

Divulgação
Imagem: Divulgação

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo*

06/03/2020 11h23

O Salão do Automóvel de São Paulo não ocorrerá em 2020. Em entrevista coletiva realizada na sede da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), as montadoras e a Reed Alcântara Machado, organizadora do evento, confirmaram oficialmente que a feira não será realizada entre os dias 12 e 22 de novembro, como previsto.

A expectativa agora é que o evento ocorra em 2021, sob novos moldes, mas a nova data ainda será definida em conjunto com a Oica, entidade internacional que coordena o calendário oficial de salões automotivos.

"A decisão de adiar é consenso entre as montadoras. A melhor solução é o adiamento para 2021, pois dependemos do formato e datas para saber quando será realizado. Precisamos nos encaixar ao calendário da Oica", disse o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes.

As montadoras se reunirão nos próximos dois meses para discutirem novo formato e custos do evento. Mudança de local, trocando São Paulo por outra cidade brasileira, ou a realização de um evento único para toda a América do Sul, também serão estudadas.

"A revisão do formato dos salões é um movimento mundial. A indústria está se reinventando e os salões precisam passar por isso também" afirmou Moraes. "Tudo está na mesa. Formato, condições e locais".

"Acho que é uma possibilidade ter um grande salão para toda a América Latina. A gente entende que o Brasil seria o melhor local por conta da importância da indústria. Mas vejo com bons olhos essa hipótese", completou.

Realizado a cada dois anos desde 1960, o Salão de São Paulo tinha sua edição 2020 ameaçada desde janeiro, quando a BMW anunciou que não participaria do evento. Desde então, outras 14 marcas desistiram de ter espaços no evento, entre elas Chevrolet, Hyundai e Toyota.

Outras marcas importantes, como FCA (responsável pela Fiat e Jeep) e Volkswagen, que inicialmente estavam confirmadas, passaram a rever suas participações. A marca alemã, inclusive, tentou intermediar um acordo entre montadoras e a organização, defendendo mudanças no formato.

Apesar das desistências iniciais, a Reed afirmou até o último momento que o Salão de São Paulo seria realizado, com as marcas desistentes sendo substituídas por empresas de tecnologia. Porém, a realização do evento com poucas montadoras tornou-se economicamente inviável.

O adiamento do evento em São Paulo é apenas mais um capítulo do momento difícil dos salões automotivos pelo mundo. Nos últimos anos, eventos tradicionais como os de Paris (França), Frankfurt (Alemanha) e Tóquio (Japão) sofreram com ausências de montadoras por motivos financeiros. Em 2020, as feiras em Pequim (China) e Genebra (Suíça) foram canceladas por conta da epidemia de coronavírus.

No caso brasileiro, o motivo do evento não ser realizado em 2020 é justamente financeiro, com críticas das montadoras ao alto custo de locação e montagem de estandes - que podem variar entre R$ 1 milhão a R$ 20 milhões, dependendo do tamanho do espaço e da infraestrutura.

"Agora vamos nos fechar pelos próximos dois meses e discutir qual é o formato de interesse das montadoras. Nós queremos manter o público que gosta de carro, a gente não pode perder isso. E tem a questão de custos também. Não adianta fazer um evento maravilhoso que custe R$ 300 milhões", disse Moraes.

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* Com informações do Estadão Conteúdo