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Carros de locadoras: como funciona a revenda e quando é um bom negócio

Loja de Seminovos da Movida - Movida/Divulgação
Loja de Seminovos da Movida
Imagem: Movida/Divulgação

Thiago Lasco

Colaboração para o UOL, em São Paulo

05/03/2020 04h00

Os carros usados provenientes de locadoras já foram vistos com desconfiança pelo mercado. Afinal, durante o período em que estão disponíveis para locação, eles passam pelas mãos de um grande número de condutores, o que gerou estigma de que seriam veículos muito rodados e mal conservados. Por muito tempo, era comum que sofressem uma desvalorização extra por causa da procedência.

Hoje em dia, as locadoras têm frotas enormes, o que coloca essas empresas entre as principais compradoras de veículos zero-quilômetro do País. Elas inclusive passaram a fornecer carros para boa parte dos motoristas de aplicativos de transporte, como o Uber, um segmento também em expansão.

Como precisam substituir a frota constantemente para oferecer veículos sempre novos aos clientes, as empresas de locação passaram a comercializar os usados em redes de lojas próprias. Isso ajuda a escoar o estoque e também gera caixa para investir na compra de mais carros. "Nós compramos, alugamos, vendemos, renovamos a frota e damos sequência ao ciclo do negócio", resume o diretor executivo da Localiza Seminovos, Heros Di Jorge.

Os seminovos de locadoras estão por toda parte, à venda em lojas físicas e também pela internet, onde é possível visualizar os estoques disponíveis em pontos de venda espalhados pelo território nacional. E essas empresas afirmam que não há mais motivo para ter a desconfiança do passado.

"As locadoras hoje são mais profissionais. Há um padrão de qualidade muito alto nos procedimentos durante a vida útil do veículo, desde a fase de locação até a preparação para a revenda", afirma Di Jorge. "Nossos clientes voltam para comprar outros seminovos e também recomendam aos amigos."

Para mostrar que confia no bom estado de conservação de sua frota, a Movida, outra gigante do setor, oferece um benefício chamado Test Drive 27 horas. Ele permite que o interessado no veículo faça uma locação de 27 horas. Nesse prazo, pode testar o carro e levá-lo para ser avaliado por um mecânico de sua confiança. Caso feche negócio, a diária é dada como cortesia.

"É um diferencial que nenhuma loja de novos ou usados oferece aos clientes", diz o diretor executivo de gestão de receita e frota da Movida, Rafael Peon Tamanini.

Tempo de uso e quilometragem variam

Os seminovos expostos nos pátios das locadoras podem ter passado por dois tipos de utilização diferentes. Muitos estiveram disponíveis para locações avulsas, o chamado "rent a car". Nesse caso, costumam ser desativados da frota e colocados à venda depois de 12 meses de uso, com aproximadamente 30 mil km.

Há também os carros que são fornecidos para empresas, para o uso de executivos e outros funcionários: são as chamadas frotas corporativas. O tempo de uso do carro até a revenda vai depender do que foi estipulado no contrato entre a empresa e a locadora.

Não são raros contratos de frota de 3 ou 4 anos. O que não significa, necessariamente, que esses carros sejam mais rodados que os que vieram da operação "rent a car". Muitos são típicos "carros de garagem", que fazem percursos curtos a serviço de executivos e, ao fim do período de contrato, são devolvidos ainda com baixa quilometragem.

Hatches e sedãs compactos são os modelos mais vendidos do País, e essa preferência também se reflete na procura pelos seminovos de locadoras. Modelos de entrada com motor 1.0, como Chevrolet Onix e Hyundai HB20, têm muita saída, inclusive (mas não apenas) por conta da demanda de motoristas de aplicativos.

Mas o cardápio das locadoras também inclui opções de outros segmentos, como sedãs médios, SUVs e até modelos de marcas premium.

Loja de seminovos da Localiza em Belo Horizonte (MG) - Localiza/Divulgação
Loja de seminovos da Localiza em Belo Horizonte (MG)
Imagem: Localiza/Divulgação

Manutenção é feita dentro e fora da rede autorizada

Durante o tempo em que estão na frota, os carros recebem manutenção periódica, dentro dos intervalos prescritos pelos fabricantes. Tanto a Localiza como a Movida informaram à reportagem do UOL Carros que recorrem a concessionárias, mas também a oficinas particulares, conforme a necessidade e disponibilidade local.

Vale lembrar, porém, que a realização de todas as revisões por concessionárias é condição exigida pelas montadoras para a manutenção da garantia de fábrica. Reparos realizados fora da rede autorizada podem provocar o cancelamento da cobertura - o que causará depreciação do veículo se, na ocasião da revenda, ele ainda estiver dentro do período de garantia.

Quando chega o momento do desligamento da frota, nem todos os carros são oferecidos para os consumidores. As locadoras afirmam fazer uma triagem, de acordo com o histórico e estado de conservação, e só aqueles que mantiverem o padrão de qualidade irão para o pátio de seminovos.

"Carros sinistrados, que tiveram danos de média ou grande monta, são revendidos no mercado de leilão", diz Di Jorge, da Localiza.

Além da garantia legal de 90 dias (e da garantia de fábrica conferida pela própria montadora, se ela ainda estiver em vigor), o comprador conta com a garantia oferecida pelas locadoras - de 12 meses, tanto pela Movida como pela Localiza. "Se o cliente tiver algum problema, nós podemos até trocar o carro", diz o diretor executivo da Localiza.

Preço é competitivo, mas varia de um carro para outro

Se no passado as locadoras tinham que oferecer descontos mais agressivos para vencer a resistência dos consumidores, hoje os preços finais já não destoam tanto da média do mercado. Mas o ganho de escala propiciado por frotas tão grandes favorece boas ofertas.

"Nossos valores são competitivos, devido à quantidade de carros que precisamos desativar mensalmente", explica Tamanini, da Movida.

Os anúncios de seminovos na internet trazem exemplares expostos em pátios das locadoras por todo o País. Diferentes unidades de um mesmo modelo não necessariamente terão o mesmo preço final. E a quilometragem não é a única variável envolvida.

"Nós precificamos nossos veículos placa a placa, já que fatores como quilometragem, cor e preferências locais influenciam o preço do carro naquela praça", diz Tamanini, da Movida. Carros pretos não são tão apreciados na região Nordeste, por exemplo.

Ao consultar as ofertas nos sites das locadoras, o comprador pode se interessar por um modelo exposto em um pátio em outro Estado. Nesse caso, porém, terá que arcar com o custo de transporte do veículo.

"Nós temos várias unidades de todos os modelos de grande giro em todas as nossas praças. É difícil o cliente não encontrar o carro que deseja na sua região. Em casos específicos, podemos negociar o frete (traslado do veículo) por um preço acessível", afirma Di Jorge, da Localiza.

Aceitação dos modelos depende do segmento

Consultores de mercado ouvidos pelo UOL Carros foram unânimes em dizer que os carros de locadoras não sofrem mais a rejeição de outros tempos.

"Antigamente, o jogo de letras da placa do veículo (que indica o Estado onde ele foi lacrado) já denunciava que aquele carro era de frota. A desvalorização chegava a 10%. Hoje, quando ainda ocorre, não passa de 5%", diz Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive. "Se o carro está bem conservado, com baixa quilometragem e revisões em dia, não há mais por que depreciar."

Milad Kalume Neto, da Jato Dynamics, explica que as condições de compra competitivas acabam pesando a favor desses modelos.

"Vamos pensar em dois exemplares de um modelo qualquer: mesma versão, mesmos opcionais, mesma cor e mesma quilometragem. Nunca foram batidos e têm preço similar. Qual você irá comprar, o de uma concessionária ou o de uma locadora? O de uma concessionária, possivelmente", ele provoca. "Mas e se a locadora te propuser sinal de R$ 10 mil parcelado em 10 vezes sem juros no cartão, e preços mais baixos? Aí você pega o da locadora, salvo raras exceções."

Se os modelos populares têm aceitação garantida, graças inclusive aos motoristas de Uber, o caso de carros de luxo e importados é um pouco diferente. Seus consumidores tendem a ser mais exigentes e podem acabar preterindo um veículo de locadora.

"Quem vai comprar um modelo de luxo de uma locadora é um consumidor que está tentando entrar nesse segmento. Quem já é cliente (desse segmento) vai direto à concessionária", afirma Garbossa. "No caso do importado, a compra pode valer a pena se a ideia for usar o carro por vários anos. Mas quem quiser ganhar dinheiro (na hora da revenda) pode esquecer."

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