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Benê Gomes

Renault Scénic: após 25 anos, testamos o 1º carro francês feito no Brasil

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Colunista do UOL

21/05/2023 04h00

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No fim dos anos 90, a Renault colocou oficialmente a sua fábrica brasileira em funcionamento, erguida em São José dos Pinhais, no Paraná. O modelo que inaugurou a linha de produção foi também o primeiro monovolume produzido no país, o Mégane Scénic. Um carro cheio de inovação para a época e que logo conquistou o brasileiro, com mais de 33 mil unidades vendidas no ano de lançamento, em 1999.

SCÉNIC - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Era o início de uma história e que agora, em 2023, completa 25 anos, e teve a participação decisiva de muitos colaboradores, como é o caso do atual gerente das Fábricas de Veículos Renault do Brasil, Vagner Mansan. "Eu costumo dizer que o primeiro equipamento de segurança proteção que recebi na Renault foi um par de botas de borracha, porque, quando cheguei lá, só havia a terraplanagem", brinca o executivo.Químico industrial com muita experiência em tratamento de superfícies, Mansan conta que foi seduzido pelo desafio de ajudar a construir a primeira fábrica Renault do mundo equipada com um processo de pintura à base de água. "A Renault nasceu comprometida com o meio ambiente. Lá atrás, já estava muito atenta a essas importantes questões, algo muito motivador para todos", destaca Mansan. Foi nesse clima que nasceu o primeiro modelo Renault brasileiro, um projeto diferente, com muito espaço e cheio de inovações. O modelo número "00", ainda um protótipo do Mégane Scénic, ficou pronto em 1998 e hoje é uma das relíquias muito bem guardadas no acervo da Renault do Brasil.

Na última semana tive a oportunidade de participar de um "encontro" promovido pela Renault para mostrar aos jornalistas o primeiro Scénic montado no país. Ao se aproximar, fica muito claro o espírito da época presente nesse modelo, que tem vidros grandes, linhas arredondadas e muita vocação familiar. Como a Renault explica, um dos compromissos pontuais era oferecer conforto para todos os passageiros, por isso o Scénic foi desenhado de dentro para fora. Exemplo representativo é a segunda fileira de bancos formada por três assentos individuais, todos rebatíveis e que podem até ser retirados para abrir um espaço digno de furgão comercial.

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Imagem: Divulgação

Depois, o Scénic é recheado de compartimentos e porta-objetos, como uma gaveta abaixo do banco do passageiro e um espaço sob os bandos traseiros. Mas destaque mesmo são as mesinhas tipo avião instaladas no encosto dos bancos dianteiros, uma criação brasileira e que se tornou uma grande referência da Scénic. O bom porta-malas, de 410 litros, também tem sua dose de versatilidade, com apoios laterais para posicionar o tampão como uma prateleira, dividindo o compartimento em duas partes. Mas trouxe evolução em segurança, por exemplo, com um novo posicionamento das barras de proteção nas portas e com os para-lamas em plástico injetado, desenvolvidos também para reduzir custos em casos de pequenas colisões.

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Papai dos atuais SUVs

Momento muito especial foi poder assumir o volante do primeiro Scenic montado no Brasil, equipado com sua primeira opção de motor, o 2.0 de quatro cilindros e oito válvulas movido a gasolina, e o câmbio manual de cinco marchas. A potência é de 115 cavalos a 5.400 rpm, e o torque de 17,5 Kgfm a 4.250 rpm, força suficiente para o Scenic. Agora, além do cheirinho clássico de um carro mais antigo, dirigindo o Scenic dá pra notar rápido algumas características aplicadas na época e que hoje são exploradas nos atuais SUVs. Posição de dirigir alta - a ponto de incomodar, é verdade - ampla visão frontal e lateral, suspensão voltada para o conforto e um pouco mais alta para facilitar o uso em nossas ruas e estradas.

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Um carro que ainda agrada pelo conforto para aquela boa viagem em família, com bom isolamento acústico e leveza geral na condução. "Eu considero o Scénic o pai dos SUVs", se diverte Mansan. "Não havia um carro com esse tipo de proposta, com tantas soluções para o uso familiar. Você pega hoje os veículos produzidos pensados para família, e é fácil notar muitas características do Scénic."

O Mégane Scénic deixou o mercado brasileiro no final de 2010, com mais de 142 mil unidades vendidas. Na Europa, saiu de linha no ano passado, com quatro gerações no currículo e mais de 5 milhões de unidades comercializadas.

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Neste ano, embalo das comemorações de 25 anos da inauguração da fábrica brasileira e do início da produção local, a Renault vai retomar a força do nome Mégane no Brasil. Depois de Scénic e as versões, hatch, sedan e perua, a história vai seguir com o novo Mégane e-Tech, modelo 100% elétrico construído sobre a exclusiva plataforma de modelos eletrificados da Renault.

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