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Blocos de rua


Vista aérea mostra extensão do Carnaval de Rua de São Paulo neste 2017

Jussara Soares

Colaboração para o UOL

08/03/2017 16h06

A folia vista de cima não deixa dúvidas: 2017 foi o maior Carnaval de Rua de São Paulo. Do alto, a impressão é que a cidade e as pessoas resolveram se abraçar no embalo dos 381 blocos.

Não há números, no entanto, que quantifiquem essa multidão para ajudar a projetar 2018 nem que comprovem que os 2 milhões de foliões de 2016 foram superados. Embora a gestão do prefeito João Doria Jr. diz ter sido o maior Carnaval de todos os tempos, a prefeitura não divulgou uma estatística oficial. Mas vale lembrar que a Ambev, patrocinadora do Carnaval de Rua deste ano, investiu R$ 15 milhões na expectativa de reunir 3 milhões de pessoas.

As estimativas disponíveis até agora e adotadas também pelo governo são dos organizadores dos blocos. Entre os megablocos, o Pipoca da Rainha com Daniela Mercury anunciou ter arrastando 500 mil pessoas no encerramento do Carnaval no último domingo (5). No domingo de pré-Carnaval, o Acadêmicos do Baixo Augusta divulgou um público de 300 mil foliões.

Juntos, Casa Comigo, Rindo à Toa (com o grupo Falamansa) e Chá da Alice (com a cantora Alinne Rosa) teriam levado 700 mil pessoas ao Largo da Batata, segundo a Polícia Militar. Já o bloco de axé Domingo Ela Não Vai, que teve participação de Gretchen, afirma ter triplicado de tamanho: passando de 50 mil do ano passado para 150 mil este ano. O Tarado Ni Você estimou 70 mil pessoas, o dobro do ano anterior.

No chão, a sensação também foi de um Carnaval superlativo. O fato é que, neste Carnaval, não teve "bloco do eu sozinho". Mesmo os pequenos, estreantes e desconhecidos atraíram um público.

A festa foi inflacionada não apenas por paulistanos que começaram a ir às ruas e deixaram de viajar para passar o Carnaval na cidade. Foi também graças aos turistas interessados em saber que movimento é esse que transforma o "túmulo do samba" no novo fenômeno da folia e enche de cor e glitter a cidade cinza.

De acordo com a SPTuris (São Paulo Turismo), o número de visitantes na cidade neste período foi de 203%. Neste ano, 9,7% dos foliões vieram de outras cidades, contra 3,2% em 2016.

Projeções para 2018

Para 2018, o trabalho deve começar desde já. O Carnaval de Rua de São Paulo é uma realidade que não se pode lutar contra: não é uma novidade que aceita improviso, nem imprevistos, como os problemas de recolhimento de lixo no pré-Carnaval. O prefeito João Doria admitiu falhas: esperava um público de 250 mil, mas foram 700 mil apenas na região da Vila Madalena e Pinheiros. Nos demais dias, o erro foi reparado e a limpeza pós-blocos foi mais eficiente.

O modelo que São Paulo escolheu é esse que vem sendo desenhado nos últimos anos: festa nas ruas, de graça, sem abadás, camarotes ou confinados em um circuito. O poder público é bem-vindo não para impor regras ou limitar a folia imperativamente, mas para estabelecer diálogos com os produtores de blocos e, juntos, se aprimorar aquele que pode se tornar o maior e mais lucrativo evento da cidade.
 
Cabe à prefeitura garantir a organização de trânsito, transporte, limpeza, ambulâncias e toda a infraestrutura que um evento com essa proporção demanda. O patrocinador oficial existe justamente para custear essas despesas em troca da exposição da marca. Quanto antes começar o planejamento, melhor será o resultado tanto para quem curte os blocos e trios.

Aviso importante: faltam 343 dias para o Carnaval de 2018.