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Meditação pode reduzir os riscos de problemas cardiovasculares

A meditação pode ser feita em qualquer momento do dia, até logo cedo, ainda na cama - iStock
A meditação pode ser feita em qualquer momento do dia, até logo cedo, ainda na cama Imagem: iStock

Nicola Ferreira

Da Agência Einstein

16/08/2020 09h25

A meditação é uma das atividades para o corpo mais abraçadas pela população durante a pandemia do novo coronavírus. Dados do Google Trends, plataforma do Google que mede a quantidade de vezes que um termo foi pesquisado, mostram que a procura pela palavra meditação aumentou exponencialmente no primeiro semestre deste ano e alcançou o seu pico no Brasil na semana em que a quarentena no estado de São Paulo foi iniciada. Além de relaxar o corpo e diminuir a ansiedade, estudiosos da Universidade de Baylor, nos Estados Unidos, comprovaram que a meditação pode reduzir o risco de doenças cardiovasculares.

O estudo contou com dados da pesquisa anual do CDC (Centro para Controle e Prevenção de Doenças, em português). Nessa análise foram observados dados de pacientes com colesterol alto, hipertensão, diabetes e que já tiveram derrame. A partir desses números, os pesquisadores de Baylor analisaram as informações de cerca de 61 mil pessoas. Dessas, apenas cinco mil eram praticantes da meditação. Após trabalharem com as informações e excluírem fatores como fumar, idade, sexo e tempo de sono, eles notaram que pessoas que meditavam tinham 35% menos risco de ter colesterol alto, 14% menor chance de apresentarem pressão alta, redução em 30% no risco de diabetes e 49% de problemas arteriais. O risco para derrame também foi diminuído em 24%.

A explicação para essa melhora pode estar relacionada à redução na inflamação produzida pelo organismo. "É comum que nosso corpo acione células inflamatórias para manter um equilíbrio fisiológico. No entanto, algumas pessoas produzem essas células em quantidade maior que o necessário. O aumento dos níveis de inflamação está associado a diversas doenças e na gênese da aterosclerose, que é o acúmulo de gordura na parede dos vasos sanguíneo e que em última análise pode provocar o infarto. Ao praticar a meditação, você reduz os níveis de inflamação", conta Marcelo Katz, cardiologista e pesquisador em ciência comportamental no Hospital Israelita Albert Einstein.

A meditação também impacta a atividade do Sistema Nervoso Simpático —divisão do Sistema Nervoso Autônomo, responsável pelo controle involuntário do funcionamento dos órgãos e sistemas do corpo, como respiração e na pressão arterial. "O Sistema Nervoso Simpático estimula o organismo a responder a situações de estresse como fuga, briga ou discussão, mas a ativação em excesso, ao longo do tempo, também se associa a maior incidência de doenças cardiovasculares. A meditação promove a diminuição da atividade deste sistema, o que justificaria o benefício dessa prática sobre a saúde do coração", comenta Katz.

De fato, outro estudo norte-americano mostrou que a meditação reduz de forma significativa a mortalidade por conta de problemas do coração. Além disso, ela reduz a possibilidade de infartos e acidente vasculares. Foi observado que essa redução se deu por conta da diminuição da pressão sanguínea e de fatores psicológicos que geravam estresse.

Como meditar?

"A principal dificuldade para quem está iniciando a prática da meditação é evitar as distrações que permeiam o nosso mundo. Elas fazem a gente não focar na prática", afirma Elisa Kozasa, pesquisadora do Instituto do Cérebro do Hospital Israelita Albert Einstein.

"Para meditar, o ideal é ter um cantinho em casa onde você possa relaxar. Mas há pessoas que meditam no ônibus, no metrô", conta Elisa, que dá algumas dicas aos iniciantes:

Adote uma postura confortável
O recomendado é sentar-se com as costas retas e sem apoio. Mas, caso tenha um problema na coluna, pode se apoiar em um encosto. Em situações mais extremas, pode se deitar no chão com braços e pernas abertos.

Controle a sua respiração
Para a meditação é importante inspirar de maneira longa e expirar de forma lenta e prazerosa, sempre mantendo a atenção no ritmo da respiração. No começo é difícil, então faça da forma que seja mais confortável.

Esteja focado na meditação
Distrações como celulares, conversas e animais podem atrapalhar a total concentração e a realização da meditação.

Procure guias
Caso encontre muita dificuldade para realizar as práticas propostas pela meditação, existem diversos aplicativos que ajudam a guiá-lo na prática. Além disso diversos professores de meditação estão utilizando o recurso de 'lives' do Instagram para promover meditações guiadas.

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