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Qual é o Remédio

Um guia dos principais medicamentos que você usa


Qual é o Remédio

Simeticona age rápido contra gases e até cólicas, mas trata só sintomas

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Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

21/07/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Simeticona é um fármaco antiflatulento que alivia gases do trato digestivo
  • Embora seja isento de prescrição, deve ser usado por tempo determinado e na dose certa
  • Ele também é prescrito durante o preparo de exames como endoscopia e colonoscopia
  • Com raros efeitos colaterais, é indicado para todas as faixas etárias

Aprovada nos Estados Unidos em 1952, a simeticona traz alívio para quem sofre tem problemas digestivos como gases, desconforto abdominal e até cólicas.

O que é simeticona?

Trata-se de um fármaco à base de silicone antifisético que atua no sistema digestivo e tem ação antiflatulenta, ou seja, alivia o mal-estar gástrico cuja origem é o excesso de gases.

Em quais situações ela deve ser usada?

A simeticona é um MIP (Medicamento Isento de Prescrição) e, por isso, você pode comprá-lo na farmácia sem receita médica.

Dada a ampla utilização desse fármaco por mais de 60 anos, ele é considerado muito seguro. Contudo, é importante que você faça o uso racional desse remédio, ou seja, utilize-o de forma apropriada, na dose certa e por tempo adequado.

A medicação é indicada para aliviar os seguintes sintomas:

  • Flatulência (Gases estomacais ou intestinais)
  • Desconforto abdominal
  • Inchaço abdominal
  • Dor ou cólica no abdome
  • Eructação (arroto)
  • Borborigmo (ruído provocado por gases do intestino)

"No momento pós-cirúrgico, os gases decorrentes da aerofagia (deglutição excessiva de ar) são comuns e trazem incômodo para o paciente acamado. Nesses casos, a simeticona é rápida e eficaz na solução desse desconforto", fala Cynthia França Wolanski Bordin, farmacêutica e professora das Faculdades de Farmácia, Enfermagem, Odontologia e Medicina da PUC-PR.

Ele também pode ser usado durante o preparo prévio para a realização de exames como a endoscopia digestiva e a colonoscopia, e ainda tem sido objeto de pesquisa para o tratamento contra o Helicobacter pylori e problemas gastrointestinais decorrentes de exercícios em atletas de alta performance.

Entenda como ela funciona

Amouni Mourad, farmacêutica, professora do curso de farmácia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e assessora técnica do CRF-SP, explica que a simeticona atua localmente. Isso significa que ela não é absorvida nem metabolizada pelo organismo.

"Já quanto à sua farmacodinâmica, ou seja, seu mecanismo de ação, ela atua reduzindo a formação de gases no sistema gastrointestinal. Ao finalizar sua tarefa, o medicamento é excretado pela via fecal. Espera-se que seus efeitos se manifestem de 10 a 30 minutos após seu uso", completa.

Conheça as apresentações disponíveis

Luftal® e Flatex® são as marcas de referência da simeticona. Mas você pode encontrar as versões genéricas. Confira a apresentação disponível:

  • Comprimidos - 40mg, 80mg, 125mg e 150mg
  • Emulsão oral - 75mg/ml e 150mg/ml;
  • Cápsula gelatinosa mole - 125mg

Embora o medicamento seja bastante seguro e possa ser comprado sem receita, é importante que ele seja utilizado após orientação médica ou farmacêutica. "Evite ultrapassar o limite das doses máximas recomendadas pelo fabricante ou pelo profissional da saúde. A medida evita o risco de interações com outros medicamentos, além de toxicidade. Embora raros, esses efeitos podem ocorrer", adverte Marcos Machado, farmacêutico, bioquímico e presidente do CRF-SP.

Quais são as vantagens e desvantagens desse medicamento?

Entre as vantagens, destacam-se a baixa interação com outras drogas, a reduzida probabilidade de efeitos colaterais, exceção feita às alergias, principalmente aos componentes da fórmula. Além disso, trata-se de uma medicação de baixo custo. A observação é de Maria Betânia Beppler, especialista em clínica médica e preceptora do curso de medicina da Universidade Positivo.

"As desvantagens estão relacionadas à falta de evidências científicas robustas sobre o efeito desse medicamento no controle de sintomas gastrointestinais, principalmente os distúrbios funcionais, bem como a baixa efetividade no tratamento de doenças orgânicas [as que determinam lesão ou disfunção de órgãos]", acrescenta a médica.

Ela está incluída na Farmácia Popular?

A simeticona não consta da RENAME (Relação Nacional de Medicamentos Essenciais), e nem do programa do Ministério da Saúde Farmácia Popular.

Saiba quais são as contraindicações da simeticona

Ela não pode ser usada por pessoas que sejam alérgicas (ou tenham conhecimento de que alguém da família tenham tido reação semelhante) ao seu princípio ativo ou a qualquer outro componente de sua fórmula.

Lembre-se de falar com seu médico antes de usá-la, especialmente se souber que alguém de sua família já teve algum tipo de reação.

Nas seguintes condições, também, você não deve utilizar esse medicamento:

  • Aumento exagerado de volume abdominal (distensão abdominal)
  • Dor forte na barriga (cólica)
  • Dor persistente por mais de um dia
  • Massa palpável no abdome
  • Obstrução ou perfuração intestinal
  • Tratamento de problemas na tireoide

Crianças e idosos podem usá-la?

Sim. Não existe restrição de uso em nenhuma faixa etária. A simeticona é uma substância inerte que, em teoria, não causa problemas. Contudo, é preciso ter em mente que ela é uma medicação sintomática, isto é, alivia desconfortos, mas não trata doenças e até pode mascarar quadros clínicos mais sérios e atrasar o diagnóstico.

"Isso significa que seu efeito é limitado. Se um sintoma persiste, ele precisa ser investigado", orienta Sergio Alexandre Liblik, gastroenterologista e professor de gastroenterologia clínica da Escola de Medicina da PUC-PR.

No caso de uso por crianças, porém, converse com o pediatra ou farmacêutico para saber qual seria a melhor apresentação do fármaco para esse grupo.

Estou grávida? Posso usar simeticona?

Até o momento, não há dados disponíveis sobre o uso de simeticona durante a gravidez. Assim, o médico deve avaliar o custo benefício da indicação desse fármaco.

Quanto às lactantes, considera-se que a simeticona não é absorvida por via oral e, assim, não poderia ser transferida por meio do leite materno aos bebês. Aliás, ela é até indicada para eles com segurança.

Qual é a melhor forma de consumi-la?

A orientação é de que ela seja ingerida após as refeições ou pouco antes de dormir. Para esse fim, prefira água.

Existe uma melhor hora do dia para usar esse medicamento?

Não. O importante é que a simeticona seja ingerida na forma indicada pelo médico, farmacêutico ou fabricante.

O que faço quando esquecer de tomar o remédio?

Tome-o assim que lembrar e reinicie o esquema de uso do medicamento. É desaconselhado tomar doses em dobro de uma vez para compensar a dose que foi esquecida.

Se você é daqueles que sempre se esquecem de tomar seus remédios, use algum tipo de alarme para lembrar-se.

Quais são os possíveis efeitos colaterais?

Este medicamento é considerado bem tolerado, seguro e eficaz, e como ele não é absorvido pelo organismo, as reações à simeticona são raras. Apesar disso, algumas pessoas poderão observar as seguintes manifestações:

  • Manifestações cutâneas como coceira, erupções vermelhas
  • Constipação moderada
  • Interações medicamentosas

São raros os medicamentos que não combinam com a simeticona. E quando isso acontece, eles podem alterar ou reduzir seu efeito. Avise o médico ou farmacêutico, caso esteja fazendo uso das substâncias abaixo descritas:

  • Levotiroxina: usado para reposição hormonal
  • Liotironina: usado para reposição hormonal

Comunique também ao profissional da saúde, antes de usar esse medicamento, que você faz uso contínuo de algum tipo de fitoterápico ou suplemento vitamínico.

Há interação com exames laboratoriais ou alimentares?

Até o momento, são desconhecidos relatos de interferência nos resultados de exames laboratoriais ou interações com alimentos.

Em casa, coloque em prática as seguintes dicas:

  • Fique atento à validade do medicamento, que é de 24 meses. Considere que, após aberto, essa validade é ainda menor;
  • Mantenha o medicamento sempre dentro da própria embalagem e nunca descarte a bula até terminar o tratamento;
  • Leia atentamente a bula ou as instruções de consumo do medicamento;
  • Utilize o medicamento na posologia indicada;
  • Ingira os comprimidos inteiros. Evite esmagá-los ou cortá-los ao meio --eles podem ferir sua boca ou garganta. A exceção é a indicação médica;
  • Escolha um local protegido da luz e da umidade para armazenamento. Cozinhas e banheiros não são a melhor opção. A temperatura ambiente deve estar entre 15°C e 30°C;
  • Guarde seus remédios em compartimentos altos ou trancados. A ideia é dificultar o acesso das crianças;
  • Procure saber quais locais próximos da sua casa aceitam o descarte de remédios. Algumas farmácias e indústrias farmacêuticas já têm projetos de coleta;
  • Evite o descarte no lixo caseiro ou no vaso sanitário. Frascos vazios de vidro e plástico, bem como caixas e cartelas vazias podem ir para a reciclagem comum.

O Ministério da Saúde mantém uma cartilha (em pdf) para o Uso Racional de Medicamentos, mas você pode complementar a leitura com a Cartilha do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos - FIOCRUZ) (em pdf) ou do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (também em pdf). Quanto mais você se educa em saúde, menos riscos você corre.

Fontes: Cynthia França Wolanski Bordin, farmacêutica e professora adjunta das Faculdades de Farmácia, Enfermagem, Odontologia e Medicina da PUC-PR, com mestrado em tecnologia química e doutorado em ciências da saúde; Marcos Machado, presidente do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia em São Paulo), farmacêutico e bioquímico especialista em análises clínicas; Amouni Mourad, farmacêutica, professora do curso de farmácia da Universidade Presbiteriana Mackenzie (SP) e assessora técnica do CRF-SP (Conselho Regional de Farmácia em São Paulo); Sergio Alexandre Liblik, gastroenterologista e professor de gastroenterologia clínica da Escola de Medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná); Maria Betânia Beppler, médica especialista em clínica médica, preceptora do curso de medicina da Universidade Positivo e coordenadora Médica do Hospital Marcelino Champagnat (PR). Revisão técnica: Amouni Mourad.

Referências: ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária); Ingold CJ, Akhondi H. Simethicone. [Atualizado em 2020 Jul 6]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2020 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK555997/.

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