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Fernanda Victor

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Por que a circunferência da cintura importa: os riscos da gordura visceral

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Imagem: Getty
Fernanda Victor

Fernanda Victor

Fernanda é endocrinologista titulada pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), formou-se em medicina na UFCE (Universidade Federal do Ceará) e fez mestrado em ciências da saúde na UPE (Universidade de Pernambuco). Já atuou em hospitais públicos de Pernambuco e como médica do Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região.

Colunista de VivaBem

04/11/2021 04h00

Quando ganhamos gordura na região da barriga, acumulamos tanto a gordura visceral (envolve os nossos órgãos internos) quanto a gordura subcutânea (com localização mais superficial, abaixo da pele). Ambas conferem risco à saúde, mas a gordura visceral é a mais perigosa.

O maior perigo associado ao excesso de gordura visceral, em comparação à subcutânea, é que ela promove maior liberação de fatores inflamatórios (IL-6, leptina, TNF-a), maior resistência à insulina (dificuldade desse hormônio agir, com tendência ao aumento da glicose no sangue) e maior formação de coágulos e de placas de gordura nos vasos sanguíneos.

Nesse contexto, a obesidade visceral é considerada um importante fator de risco para o desenvolvimento de complicações cardiometabólicas, tais como diabetes tipo 2, alterações no colesterol, gordura no fígado e ataque cardíaco.

Quanto maior a medida da circunferência abdominal, maior a chance de desenvolver eventos cardiovasculares (infarto, derrame), mesmo em pessoas com peso adequado. No Brasil, adotamos atualmente o ponto de corte recomendado pela International Diabetes Federation (IDF), sendo considerado alterado valores de circunferência abdominal acima de 80 cm para mulheres e 90 cm para homens.

O acúmulo de gordura pode ocorrer mesmo em pessoas com peso adequado, sendo utilizado por alguns especialistas o termo "falso magro" para aqueles com elevado índice de gordura corporal. A distribuição similar de gordura visceral explica o porquê de algumas pessoas com o biotipo magro apresentarem risco cardiometabólico semelhante a pessoas com obesidade.

Estratégias de tratamento voltadas para a perda de peso e melhora da composição corporal são efetivas para reduzir a gordura visceral. Um recente estudo que avaliou a influência de intervenções no estilo de vida (dieta e atividade física) em parâmetros como controle de glicemia e perfil de colesterol demonstrou efeitos benéficos nesses parâmetros, mesmo em um período curto de 4 semanas.

A prática regular de exercícios físicos com duração de 150 minutos por semana é capaz de reduzir a gordura visceral, mesmo que não haja perda de peso. Conforme vai ocorrendo redução da gordura visceral e melhora da distribuição de gordura corporal, o risco de desenvolver doenças também vai sendo reduzido.

A redução da gordura visceral vai muito além da estética, é uma questão de saúde. Priorize a sua!

Referências:

1. Stefan N. Causes, consequences and treatment of metabolically unhealthy fat distribution. Lancet Diabetes Endocrinol. 2020;8(7):616-627.

2. Tok O et al. A 4-week diet with exercise intervention had a better effect on blood glucose levels compared to diet only intervention in obese individuals with insulin resistance. J Sports Med Phys Fitness. 2021;61(2):287-293.

3. Powell-Wiley TM et al. Obesity and Cardiovascular Disease: A Scientific Statement From American Heart Association. 2021.