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Edmo Atique Gabriel

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Por que nosso corpo pode inchar? Veja o caso de Joelma e algumas hipóteses

Reprodução/ Instagram @joelmaareal
Imagem: Reprodução/ Instagram @joelmaareal

Edmo Gabriel

Colunista do UOL

11/06/2022 04h00

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Existem muitas formas de representarmos tecnicamente um inchaço. Podemos destacar dois termos muito comuns: edema e retenção de líquido. Na prática, um inchaço pode estar presente numa determinada área do corpo, como no rosto, nas pálpebras, nas mãos, ou também estar distribuído por todo o corpo.

Sempre que um inchaço estiver presente no corpo de uma pessoa, dois importantes órgãos devem ser lembrados: coração e rins.

Vamos começar esclarecendo sobre a relação entre o inchaço e os rins.

Umas das mais vitais funções orgânicas é a diurese, termo que representa nossa eliminação diária de água e toxinas pela urina. Ninguém consegue sobreviver por muito tempo sem um fluxo urinário que promova equilíbrio na quantidade de líquidos dentro de nosso corpo.

Rins saudáveis conseguem gerar um fluxo urinário adequado a cada 24 horas e respondem favoravelmente a estímulos como ingerir bastante água e utilizar medicamentos diuréticos.

Devemos ter muita preocupação quando nossos rins indicarem sinais de falha, podendo resultar no que conhecemos como insuficiência renal. Alguns sinais de alerta precisam ser bem conhecidos por todos nós: diminuição da diurese, urina mais escura e mal cheirosa, urina com sangue são alguns exemplos de que algo não está indo bem com nossos rins.

Por trás destes sinais, podemos encontrar causas cardiovasculares como hipertensão arterial, causas metabólicas como o diabetes, causas infecciosas e até tumores. Além destas mudanças quantitativas e qualitativas na urina, começará a chamar atenção o aspecto físico, devido a presença de inchaço em muitas partes do corpo.

Diante das situações acima e considerando que uma retenção líquida não necessariamente fica restrita a pele, podendo se estender para vários órgãos internos do corpo e causar também os conhecidos "derrames", precisamos buscar imediatamente orientação médica e um diagnóstico preciso.

O tratamento poderá incluir medicamentos diuréticos, medicamentos para controlar a pressão arterial e fortalecer o coração, antibióticos, cirurgias e diálise (mecanismo artificial que substitui os rins em falência).

Quanto ao nosso coração, devemos compreender que cada batimento cardíaco representa o impulsionamento de sangue para todo nosso corpo e todos os órgãos. Este bombeamento de sangue depende de alguns parâmetros como a nossa pressão arterial, a qual é essencial para garantir um fluxo sanguíneo dentro dos nossos rins.

As pessoas que não controlam seus níveis de pressão arterial, como também aquelas pessoas com problemas de entupimento das artérias do coração, problemas nas valvas ou arritmias, podem evoluir para falência cardíaca progressiva, condição conhecida como insuficiência cardíaca.

Na insuficiência cardíaca, a capacidade de contração do músculo cardíaco, o potencial de bombeamento do sangue e os níveis de pressão arterial começam a ceder ao longo do tempo, comprometendo o fluxo de sangue que chega até os rins.

Desta forma, estas falhas neste circuito coração-rim levam a um fluxo sanguíneo muito reduzido dentro dos rins e acúmulo de sangue e líquidos em outros territórios de nosso corpo. As pessoas incham progressivamente, ficando muito evidente nas pernas, abdome e face.

O caso da cantora Joelma aparentemente foge destas duas situações de comprometimento direto do coração e rins. Joelma apresentou-se publicamente com o corpo muito inchado, especialmente pelo aspecto desfigurado de seu rosto. No caso dela e também de muitas outras pessoas com inchaço sem causas cardiovasculares e renais, podemos levantar algumas hipótese:

Hipótese 1 - problemas hormonais

Em diferentes fases da vida, tanto em homens como nas mulheres, estamos sujeitos a variações hormonais que podem justificar o acúmulo de líquidos em nosso corpo. Não podemos deixar de mencionar a função da tireoide, glândula que produz hormônios responsáveis pelo metabolismo geral e que, também, podem exercer papel fundamental na formação de inchaços em nosso corpo.

Hipótese 2 - uso crônico de medicamentos

Algumas pessoas que têm doenças relacionadas a imunidade (nosso sistema orgânico de defesa), podem precisar usar medicamentos como corticoides por meses e até anos. Estes medicamentos causam alguns efeitos colaterais como o inchaço em muitas partes do corpo, principalmente na face, que fica com aspecto de lua cheia.

Hipótese 3 - alergia

O conceito de alergia não é tão simplista quanto possa parecer. Chamamos de alergia quando nosso corpo apresenta uma reação inflamatória a um determinado agente que entrou em contato com nosso corpo . Esta inflamação pode ser representada por manifestações como inchaços e vermelhidão.

Uma reação alérgica pode ser localizada, como um determinado tecido que irrita nossa pele, e pode ser mais ampla, quando comemos algum alimento e na sequência já ficamos com o corpo marcado por manchas avermelhadas e o rosto inchado.

Hipótese 4 - doenças infecciosas e inflamatórias

Alguns agentes, como bactérias e vírus, podem causar repercussões localizadas e sistêmicas em nosso corpo. As infecções generalizadas são aquelas que partem de um órgão e se disseminam por toda a corrente sanguínea, comprometendo o funcionamento de todos os órgãos.

Uma pneumonia bacteriana, por exemplo, pode se transformar numa infecção sistêmica que afeta a função do coração e dos rins, levando-os a um estado de insuficiência e inchaços por todo o corpo.

A infecção por covid-19, em suas formas mais intensas, não fica restrita aos pulmões e pode atingir vários órgãos e causar uma resposta inflamatória sistêmica. No caso da cantora Joelma, que teve este tipo de infecção causada pelo coronavirus, existe realmente esta possibilidade de uma relação entre os inchaços no corpo dela e uma inflamação sistêmica pelo vírus.

Diante da incerteza quanto a origem de inchaços pelo corpo, seria muito prudente pesquisar primeiramente as possíveis causas cardiovasculares e renais. Estas costumam ser mais graves e mais debilitantes, exigindo tratamentos prolongados e causando sofrimento e mudanças na autoestima das pessoas.

Partindo de uma avaliação clínica bem completa será possível determinar se outras causas estão predominando, como alterações hormonais ou sequelas de uma infecção mais intensa por uma bactéria ou pelo coronavírus.