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Edmo Atique Gabriel

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Covid é imprevisível, mostram Paulo Gustavo, Branco e L Fabiano; previna-se

Edmo Atique Gabriel

Professor livre-docente na Unilago (União das Faculdades dos Grandes Lagos), palestrante, especialista em cirurgia cardiovascular com aprimoramento em centros como Harvard Medical School e Cleveland Clinic e pós-graduado em nutrologia médica pela Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

Colunista do VivaBem

27/03/2021 04h00

Em tempos de covid-19, o que não falta é a sensação de angústia. Estamos vivendo o maior pico de casos em um ano de pandemia, existem muita cepas do coronavírus, as crianças e os mais jovens estão sendo acometidos em maior escala e há muitas pessoas ainda na fila da vacina.

Em meio a tudo isto, a medicina tem se deparado com uma condição intrigante: por que algumas pessoas se contaminam e evoluem mal e outras têm a sorte de uma evolução mais favorável?

Três casos recentes mostram como essa dura batalha contra o vírus pode apresentar enredos diferentes. O humorista Paulo Gustavo teve covid-19 grave, foi intubado em condições delicadas e inicialmente teve uma piora. O ex-lateral esquerdo e tetracampeão Branco também precisou ser intubado, mas conseguiu se desvencilhar do respirador artificial até que de forma rápida e já está comendo e falando. Já o ex-atacante Luis Fabiano foi hospitalizado e em poucos dias recebeu alta.

Os casos dessas três celebridades espelham a realidade de várias famílias brasileiras, nas quais uma pessoa se contamina e pode evoluir mal, ficando vários dias na UTI, outras são internadas e rapidamente saem do hospital e ainda há aquelas que se contaminam e não apresentam praticamente nenhum sintoma.

Como médico, posso dizer que a medicina ainda "baila" com esta realidade, tentando identificar a lógica (se é que ela existe), estabelecer correlações e provar alguma hipótese. Até que esta certeza se consolide, devemos sempre pensar que a doença pode ser grave e levar para a UTI. Por isso, é importante evitar correr esse risco e procurar padronizar algumas medidas de caráter preventivo.

Reforço que, todos nós, independentemente da faixa etária e sexo, estamos sujeitos a contaminação pela covid-19. Além disso, ninguém é capaz de sentenciar acerca de como será sua resposta orgânica a este terrível vírus. Não fosse verdade isto, não estaríamos vivenciando a fase mais crítica da pandemia, com mais de três mil mortes em alguns dias.

Já que não sabemos se nosso organismo vai responder tal como o organismo de Paulo Gustavo, de Branco ou de Luis Fabiano, vamos tentar criar uma espécie de protocolo de segurança contra a covid-19, tendo como base constatações científicas.

Regra 1

Uso de máscaras protetoras da face. Em alguns casos, pode-se optar pelo uso de mais de uma máscara: uma cirúrgica tripla e a de tecido por cima.

Regra 2

Não usar objetos pessoais de outras pessoas e nem beijar e abraçar familiares e amigos. Esta medida é muito desconfortável para muitas pessoas, mas faz parte do chamado necessário processo de distanciamento social.

Regra 3

Não participar de eventos ou festas enquanto não houver autorização das autoridades sanitárias para tal finalidade. E quando houver autorização, continuar usando máscaras e mantendo a higiene das mãos.

Regra 4

Para aquelas pessoas que são portadoras de hipertensão arterial e diabetes e utilizam medicamentos, não se deve mudar as doses, fazer associações ou cessar o uso, sem a obrigatória orientação médica. As pessoas diabéticas precisam de um controle rigoroso dos níveis de glicemia, visto que existe correlação entre diabetes descompensado e taxa elevada de infecções.

Regra 5

Pratiquem atividade física, seja na sua casa ou, quando for permitido, em academias ou ao ar livre. Vários estudos têm demonstrado que as pessoas com sobrepeso ou obesidade estão mais sujeitas a contaminação e evolução desfavorável da infecção pela covid-19.

Nem sempre o exercício físico é o mais prazeroso para se fazer dentro de casa, mas, por estarmos vivendo uma guerra e uma calamidade, faço este apelo em prol da vida. Use os recursos tecnológicos e peça orientação de um médico e educador físico, mas não fique sedentário(a).

Regra 6

Cuide rigorosamente de sua alimentação. Não é questão de comer pouco ou muito, mas, sim, saber o que comer e o quanto comer. Peço que tomem muito cuidado com os modismos na alimentação e também muito cuidado com dietas excessivamente restritivas.

Um dos pilares do nosso equilíbrio imune é uma dieta que preencha todas as necessidades nutricionais e calóricas. Não se deve, sobretudo em tempos de uma pandemia assoladora, "inventar moda" e acabar se expondo a um risco maior de contaminação. Saber comer pode ser uma das melhores medidas preventivas contra a infecção pela covid-19.

Regra 7

Em virtude do isolamento social, muitas pessoas estão ficando mais tempo em casa, o que pode favorecer o abuso de bebidas alcoólicas. Este tipo de bebida pode, se consumida de forma descontrolada, agravar o diabetes, causar descontrole da pressão arterial e promover inflamação acentuada em órgãos vitais como fígado e pâncreas.

Precisamos sempre ter em mente que a infecção pela covid-19 consiste numa tempestade inflamatória; dessa forma, imagine a gravidade de uma infecção pela covid-19 em uma pessoa que está abusando de bebidas alcoólicas e causando inflamação em seus órgãos.

A recomendação seria priorizar bebidas não alcoólicas, como água, sucos naturais e chás, deixando as bebidas alcoólicas para os fins de semana e sempre com moderação.

Regra 8

Devo ou não devo adotar um "tratamento precoce" para covid-19? Pessoal, do ponto de vista conceitual, ainda não existe tratamento para covid-19, nem precoce nem tardio. Até o presente momento, temos medidas de prevenção e logicamente a possibilidade de tomar a vacina. Quando se usa o termo "tratamento", parece ser algo muito contundente, forte e categórico. No entanto, precisamos entender que usar algumas vitaminas como suplementos não seria tratar a covid-19.

Então estou dizendo que não se deve tomar as vitaminas D e C por exemplo? Não estou dizendo isso! Entendam bem: as vitaminas são essenciais para nossa imunidade e podem, sim, auxiliar na prevenção de doenças, desde que haja uma dosagem periódica destas vitaminas no sangue para avaliar as reais necessidades e que se faça a devida suplementação quando a alimentação diária for deficitária.

Há necessidade de um respaldo médico ou de um nutricionista nesta suplementação. Portanto, quando necessário, vocês podem suplementar estas vitaminas em sua alimentação, mas entendam que não estamos tratando a covid-19.

Regra 9

Devo tomar cloroquina e ivermectina de forma preventiva? Faltam evidências que suportem o uso destas duas medicações, no âmbito da covid-19. Diante disso, eu recomendaria que houvesse priorização de outras medidas mais eficazes para manutenção da imunidade, como alimentação rigorosa, hidratação também rigorosa e períodos de descanso ao longo da semana.

No entanto, em situações muito extremas, caso haja um consenso entre médicos e família, penso que não deveríamos impedir o uso destas medicações. A recomendação geral seria realmente não usar em qualquer caso de covid-19.

Regra 10

Quem pode ser vacinado? Praticamente não há restrição quanto a tomar a vacina que previne a covid-19. No entanto, precisamos estar atentos a uma questão muito simples e importante: será que há um dia melhor ou semana melhor para ser vacinado? Em geral, precisamos ter uma autocrítica em relação ao nosso estado geral de saúde —caso eu esteja muito abatido, cansado, com sinais de alergia por exemplo, não seria adequado tomar a vacina neste dia.

Da mesma forma, tive uma crise de pressão alta, muita dor de cabeça e palpitações cardíacas, concordam que neste dia tomar a vacina não seria um bom negócio? Portanto, além de bom senso, estejam sempre em contato com seu médico para definir melhor dia e semana para tomar a vacina.

A medicina ainda não consegue predizer como será a resposta orgânica das pessoas, frente a uma infecção pela covid-19. Os casos do humorista Paulo Gustavo e do ex-jogador Branco ilustram isso.

Não podemos entrar em pânico e perder totalmente o controle de nossas ações. Vamos tentar padronizar nossas condutas, observar algumas regras preventivas e buscar acompanhar a evolução da ciência quanto a novas medidas que possam prevenir a contaminação.

Estejam sempre em contato com seu médico, evitem modismos, evitem automedicação e, mais do que tudo, pensem que conservar sua condição imunológica e tomar a vacina são as metas prioritárias para este ano de 2021.

Independentemente da evolução clínica que cada um de nós teria, em caso de infecção pela covid-19, seja como está sendo com Paulo Gustavo ou como no caso do Branco, não devemos poupar esforços para cumprir regras de um protocolo de segurança.

Para saber mais sobre a saúde do coração, me acompanhe no Instagram: @edmoagabriel.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL