Empresário filmado estuprando ex-mulher é absolvido: 'Estou com medo'

Juliana Rizo, 34, que foi vítima de violência sexual praticada pelo companheiro enquanto estava dopada com antidepressivos, está passando por dias de muita preocupação e medo. O empresário Ricardo Penna Guerreiro foi absolvido. Ainda cabe recurso.

"Estou com medo. Além dos estupros ele já tentou me matar. Imagino que ele durma e acorde pensando nisso todos os dias", disse Juliana para Universa.

"A psiquiatra que me tratava disse em depoimento que o remédio que eu tomava não me deixaria sem consciência. Mas eu apagava. Falaram também que não houve estupro, sendo que as filmagens que estão no inquérito demonstram ele me puxando a força e eu tentando tirá-lo com as pernas. Disseram que não houve resistência", explica Juliana.

No começo de julho, Juliana contou para Universa como aconteceram as violências. "Não tinha noção, ele me arrastava pela cama. Cheguei a acordar com dor e sangue", contou na época.

O advogado de Juliana, Fabrício Posocco, irá recorrer da decisão. "Acreditamos que faltou um pouco de sensibilidade ao juiz na hora de analisar o processo. Acreditamos que há a possibilidade de reverter essa sentença", disse para Universa.

Já o advogado de Ricardo, Eugênio Malavasi, disse para a reportagem que a justiça foi feita. Contudo, o empresário segue na prisão. "Ele está preso por conta de um processo antigo de tentativa de homicídio, que respondia em liberdade. Por conta da injusta acusação de estupro, não compareceu ao fórum mensalmente como deveria", diz. Segundo ele, o pedido para a revogação da prisão já foi feito.

Julgamento com perspectiva de gênero é necessário

"Embora tenhamos um protocolo para julgamentos com perspectiva de gênero, ainda encontramos situações com viés inconsciente dos tomadores de decisão. Dentre eles, a culpabilização da vítima", diz Bruna Sillos, advogada especialista em gênero.

Para ela, é comum esse tipo de absolvição acontecer principalmente pela dificuldade que existe de se ter provas desses crimes. "As violências domésticas raramente têm testemunhas ou registros em câmera, pois acontecem em ambientes privados. E como a vítima está vulnerável, não toma todos os cuidados com as provas, como guardar prints de conversas que podem ser apagadas", explica.

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E ainda reforça que, em caso de saída da prisão, a mulher não deve subestimar sua segurança. "É sempre importante ter o cuidado. A responsabilidade não precisa ser só da vítima, tem que contar com o apoio das autoridades e sociedade", diz.

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