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Falta de orgasmos afeta a saúde mental da mulher e gera frustração sexual

Os efeitos da frustração sexual em nossa vida pode ser diversos  - Getty Images
Os efeitos da frustração sexual em nossa vida pode ser diversos Imagem: Getty Images

Rafaela Polo

De Universa, São Paulo

23/05/2022 04h00

Um estudo recente realizado pelo Instituto Kinsey, dos Estados Unidos, sobre sexo pós-pandemico, mostrou que 30% das mulheres entrevistadas acreditam que suas vidas sexuais melhoraram. Bom para elas, claro, mas isso mostra que ainda temos 70% das mulheres com dificuldade de se satisfazerem na cama. O problema na cama pode refletir na autoestima e virar um ciclo: me frustro, não me amo, não me satisfaço, me frustro.

E se os orgasmos liberam os hormônios endorfina e oxitocina, responsáveis pelo bem-estar, a ausência dele pode fazer seu corpo se encher de cortisol, esse hormônio, por sua vez, responsável pelo estresse e pela irritação. O pavio curto vai refletir na sua vida muito além da cama. "A frustração sexual afeta diretamente o psicológico e o emocional da pessoa, principalmente sua qualidade de vida", diz a psicóloga Cilene Dantas, especialista em terapia de casais.

Como lidar

"A frustração sexual é uma recusa da satisfação, que está associada à impotência e ao desânimo. Como a pessoa vai lidar com isso? Ela pode sentir que o parceiro não a vê como pessoa desejante e que foca apenas em seu prazer no ato sexual", destaca Cilene. A mulher e o homem têm tempos diferentes na hora de se satisfazerem no sexo. Se o parceiro não vê, aquilo se torna um fardo na vida da mulher.

Frustração sexual não é uma doença. E, por não existir um diagnóstico preciso, fica difícil saber o que pode estar causando tanto desânimo e estresse com o seu relacionamento e com a vida.

"Esse sentimento leva a um efeito cascata. A pessoa não fica apenas triste na hora do ato sexual, mas carrega também consequência daquilo em várias camadas", diz o psicólogo Yuri Busin, mestre e doutor em neurociência do comportamento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, de São Paulo. O especialista exemplifica: se você não está feliz no trabalho, não quer dizer que, ao desligar seu computador, será inundado por um êxtase extremo. No sexo é a mesma coisa.

"Quem se sente frustrado com o sexo acaba tendo dores emocionais e se cobrando, por não estar satisfeito no relacionamento. E isso acaba trazendo um mau humor na sua vida", diz Yuri.

Se você sabe que vai ficar tensa e ansiosa na próxima vez que encontrar o parceiro, por exemplo, não ficará tranquila nos dias anteriores a esse encontro. Pelo contrário, os momentos que antecedem serão bastante angustiantes. "Óbvio que o sexo tem um reflexo muito importante dentro do que se passa em um relacionamento. E isso impacta fora dele", completa Yuri.

Bagagem pesada

Nossas experiências nos constroem. E se toda nossa vida ouvimos que o sexo era um tabu, que não podíamos nos masturbar, que era errado ter prazer ou buscar por ele, a sua relação com os orgasmos não será das melhores. E não é transar todos os dias que resolve essa questão, e sim, ter conversas abertas sobre o assunto e entender que não é necessário ter vergonha dele.

"Poucas pessoas têm uma relação aberta de conversa para explorar, entender e conhecer os conceitos sexuais para ser mais livre. Isso não quer dizer fazer sexo tosos os dias, e sim, ter uma boa relação com o ato e seus desejos", diz Yuri.

Ainda há muitas pessoas que entendem o sexo como pecado, algo que não podemos comentar. As frustrações começam a surgir aí.

Antigos relacionamentos também andam nas nossas bagagens. Se a transa nunca foi prazerosa - ou raramente pareceu algo bom - existe um medo constante de se relacionar novamente. Vai que não dá certo de novo. "Isso causa angústia e medo. A mulher pode não conseguir atingir o orgasmo, o homem sofrer com ejaculação precoce. E muitas vezes, isso está ligado ao psicológico. É preciso ficar atento", diz Cilene. Depois que elas começam a acontecer, as frustrações sexuais se tornam ainda mais recorrentes.

Para a psicanálise, essa frustração pode começar já na infância, quando as crianças não são ensinadas a lidar com a negativa e a não receber os pedidos na hora que querem.

"Quando a mãe está ocupada, ela dá o celular para a criança e evita que ela tenha uma frustração já na infância, o que faz com que durante o seu desenvolvimento ela não aprenda a lidar com esse sentimento", diz Viviana Tavares, psicóloga e especialista em psicologia sexual.

Segundo ela, quem sofre, chora e aprende a lidar com o estresse logo cedo, de não ser atendido na hora que quer, consegue manejar melhor os momentos que não saem como o esperado.

Cuidado no diagnóstico

Antes de dizer que é psicológico, Viviane afirma que é necessário fazer exames laboratoriais para dispensar problemas que são de fato biológicos, como déficit de vitaminas, ansiedade, depressão, menopausa ou diabetes.

"A dica é mudar algumas atitudes, ter empatia e sensibilidade para observar como seu corpo funciona. Além de conhecer também o corpo do outro", destaca Viviane. Para ela, pessoas felizes sexualmente produzem mulher, são mais alegres e conseguem lidar melhor com todo tipo de tensão

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