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Damares fala de estupro contra indígena: 'Lamento. Acontece todo dia'

Luiza Souto

De Universa

05/05/2022 10h47

Em entrevista ao UOL News na noite de quarta-feira (4), a ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos Damares Alves falou pela primeira vez sobre o estupro da menina yanomami de 12 anos morta por garimpeiros na região do Waikás, em Roraima, segundo denúncia do presidente do Condisi-YY (Conselho Distrital de Saúde Indígena Ianomâmi e Ye'kwana), Júnior Hekurari Yanomam.

A pré-candidata ao Senado pelo DF afirmou que vem denunciando casos de violência contra crianças e mulheres indígenas há muito tempo e "acha bom" que agora está todo mundo chocado com o episódio. "Quando acontece casos como esse, as pessoas querem muito que a Damares se manifeste. Mas veja só: fui eu que falei sobre o estupro de crianças, inclusive estupro coletivo de crianças em áreas indígenas até mesmo em forma de ritual. Fui eu que levantei, no Brasil, lá atrás, em forma de debate, sobre a cultura nociva em alguns povos no Brasil", aponta.

"O estupro dessa menina nos chocou como nos chocou o estupro da menininha lá entre os Guarani Kaiowá. Infelizmente esse não é um caso isolado e a gente tem que se levantar como um todo no enfrentamento à violência contra meninas e mulheres indígenas."

A ex-ministra se referia ao estupro coletivo de uma menina indígena de 11 anos, morta ao ser arremessada de um penhasco de cerca de 20 metros, localizado na pedreira da aldeia Bororó, no município de Dourados (MS), a230 quilômetros de Campo Grande. O crime ocorreu em agosto.

Damares afirmou ainda que ajudou a concluir o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Criança, e que nesse documento haverá um recorte sobre enfrentamento à violência contra crianças indígenas. Ele será lançado no próximo dia 18.

"Esse caso traz a questão do garimpo, mas quero lembrar que os garimpos estão em terras indígenas há mais de 70 anos, de forma irregular, e são muitas as violências. Esse caso dessa menina causou essa repercussão toda, e isso é muito bom porque a gente ainda vai conversar sobre violência sexual contra crianças indígenas. A gente não pode ser pautada por um só caso. Lamento, mas acontece todo dia", Damares conclui.