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Poeta e atleta contam como suas experiências inspiram outras mulheres

Colaboração para Universa

13/11/2021 04h00

A última live da maratona de bate-papos com as finalistas das sete categorias do Prêmio Inspiradoras aconteceu com a presença da montanhista Aretha Duarte e a poeta Mel Duarte. As duas, junto com a ciberatleta Cherna, concorrem na categoria Esporte e Cultura. Com seus trabalhos, elas têm se destacado principalmente por mobilizar mais gente a pensar sobre as desigualdades de gênero e de raça que assolam nosso país.

Aretha é educadora física e trabalha como instrutora de montanhismo. Em 2019, ela se tornou a primeira mulher negra latino-americana a chegar ao topo do Everest. "Quando decidi subir o Everest, eu já tinha 9 anos de experiência em montanha", contou ela.

Para conseguir realizar esse sonho, ela coletou materiais recicláveis durante 13 meses para cobrir parte dos gastos com a viagem. Ao todo, foram 130 toneladas arrecadadas."Voltei a ser catadora de materiais recicláveis, algo que eu já havia feito antes, mas precisava juntar grandes volumes", disse. Para isso, ela passou a divulgar nas redes sociais e recebeu muitas doações. O material coletado cobriu um terço dos 67 mil dólares que ela precisava para a empreitada. Ela ainda contou com o patrocínio de sete empresas, vendeu roupas em bazares e realizou leilões com itens de montanhismo para completar o valor.

Ao decidir subir o Everest, Aretha disse que era a realização de um sonho e se sentiu incomodada quando os meios de comunicação começaram a divulgar que ela seria a primeira negra latino-americana a chegar ao topo da montanha. Depois, entendeu a simbologia da conquista. "O que mais me interessava não era ser a primeira, mas que eu me tornasse a primeira de muitas", contou.

Mel Duarte tem cinco livros publicados. Em seus poemas, ela aborda questões raciais e de gênero. Na live, ela contou que cresceu numa família muito ligada às artes e que isso a ajudou a ter um olhar sensível. Mas encarar a poesia e a escrita como profissão foi algo que só aconteceu mais tarde. "Isso não me foi apresentado como possibilidade. Demorei para ter referência de autoras negras", disse. Foi ao conhecer os saraus na periferia de São Paulo que ela vislumbrou um novo caminho. "Eu me reconheci e comecei a ter mais discernimento crítico, político e social", afirmou.

No saraus, Mel disse que se sentiu segura para revelar seus textos e compartilhá-los. "Vi que era egoísmo guardar para mim. Comecei a ter retorno de meninas e mulheres negras e vi a responsabilidade que é trabalhar com as palavras", disse.

Mel, que também é slammer, fundou com outras mulheres o Slam das Minas, em São Paulo. Ela contou sobre casos de assédio a mulheres que participavam desses espaços e como elas se juntaram para denunciar os casos. Aretha também falou sobre como a sociedade ainda olha para o montanhismo como um esporte masculino e como as mulheres enfrentam as adversidades para mostrar que podem praticar o esporte.

As duas comentaram sobre esses casos ao assistir ao vídeo de apresentação de Cherna, que não pôde participar da live. Ela passou por momentos de angústia em 2018, depois de ser indicada a um prêmio como melhor jogadora de Rainbow Six: Siege, um jogo de tiro. Ela foi a única mulher indicada e se tornou alvo de ataques machistas, racistas e homofóbicos. Naquele mesmo ano, também foi vítima de assédio sexual por parte do treinador da sua equipe. Depois de denunciar o caso e aprender a lidar com as agressões na internet, Cherna criou, neste ano, a Associação Feminina de Gaming Brasil (AFGB) para dar apoio jurídico e psicológico a outras garotas que vivenciam os mesmos problemas.

Sobre o Prêmio Inspiradoras 2021

O Prêmio Inspiradoras 2021 é promovido pelo Universa, plataforma feminina do UOL, e o Instituto Avon, organização da sociedade civil que realiza ações e apoia projetos para fortalecer a mulher brasileira.

O foco da premiação está em três principais causas: violência contra a mulher, câncer de mama e equidade de gênero. Cada causa é representada em duas categorias e há ainda uma categoria para representantes Avon que realizam trabalhos de impacto social.

Durante o mês de outubro, todas as finalistas foram reveladas e a votação online está aberta para o público em geral. Além disso, um corpo especializado de jurados será convidado a escolher as vencedoras. Os nomes delas serão revelados em um evento marcado para o dia 23 de novembro. Haverá também menção honrosa a uma mulher que tenha se destacado no enfrentamento à covid-19.

A premiação é uma iniciativa de Universa e do Instituto Avon, que tem como missão descobrir, reconhecer e dar maior visibilidade a mulheres que se destacam na luta para transformar a vida das brasileiras. Tem foco em três principais causas: violência contra a mulher, câncer de mama e equidade de gênero.