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"Não gosto de penetração": elas relatam não sentir prazer. É normal?

Entenda por que a penetração não é prazerosa para uma parcela das mulheres - iStock
Entenda por que a penetração não é prazerosa para uma parcela das mulheres Imagem: iStock

Ana Bardella

De Universa

20/06/2021 04h00

Se as relações sexuais fossem um filme, muita gente consideraria a penetração como sendo a parte mais importante da história: as cenas mais intensas antes de chegar ao final. Principalmente entre os casais heterossexuais, essa ideia é recorrente: muitos dos homens só dão início às relações com esse objetivo — e às vezes, de tão apressados, até se esquecem de explorar outras partes do corpo ou de caprichar nas etapas que acontecem antes do ato sexual.

Mas, ainda que os beijos e carícias sejam bem conduzidos, nem toda mulher gosta do momento da penetração. Muitas, no entanto, acabam não tocando no assunto pelo medo de serem julgadas ou de desapontarem seus parceiros.

Lua Menezes, escritora e terapeuta sexual, explica os motivos dessa frustação. "É preciso lembrar que a vagina não tem o mesmo número de concentrações nervosas do que o clitóris. Ela é sensível, mas não tanto quanto ele, que é o nosso órgão especializado em prazer", diz.

Durante os atendimentos, Lua percebe que muitas mulheres se queixam de não conseguir atingir o orgasmo vaginal partindo do princípio de que ambos são capazes de despertar as mesmas sensações — o que não corresponde à realidade.

"Não tenho sensações"

Juliana* tem 19 anos, é estudante e vive em Santa Maria (RS). Ela percebeu logo no início da vida sexual que a penetração por si só não era uma experiência agradável. "Sinceramente, não sinto nada. Em 99% das vezes que pratiquei, fiz só para satisfazer uma vontade do outro", conta. No entanto, por ser uma pessoa curiosa, conseguiu identificar cedo os caminhos para reverter a situação.

"Eu estudei bastante, li e assisti a diversos vídeos sobre o assunto. Com isso passei a identificar, sem julgamentos, o que realmente me agrada durante uma relação sexual", afirma. Hoje, com um parceiro fixo, não tem mais esse problema. "Aprendi que se fico por cima durante o sexo ou em outra posição na qual o corpo dele fique em contato direto com o clitóris, a relação se torna boa para ambos". Outra tática que funciona para Juliana é a de se masturbar durante a penetração.

"Eu me perguntava por que estava ali"

Nem toda mulher, no entanto, encontra meios para tornar a penetração mais prazerosa. É o caso de Fernanda*, de 22 anos, estudante, de São Paulo. "Já namorei um homem e, sempre que transávamos com penetração, sentia dores e incômodos. Nunca gozei assim, por isso chegou um momento em que nem fazia mais sentido tentar", conta.

"Eu ficava me perguntando o que estava fazendo ali, mas achava que era daquele jeito mesmo e que eu tinha que aceitar", relembra. Essa insatisfação somada à sua atração por mulheres levou a estudante a ter outras experiências sexuais.

Claramente, os homens consideravam as partes mais importantes para mim (sexo oral e masturbação) como preliminares, algo só para me deixar lubrificada e, em seguida, começar a penetração"

Só percebi que podia ser de outro jeito quando comecei a transar com pessoas do mesmo gênero que o meu", diz. Logo na primeira tentativa, sentiu a diferença. "A menina com quem eu estava perguntou se podia me penetrar. Eu disse que não e continuamos sem que ela achasse minha resposta estranha ou ficasse irritada. Nesse momento, caiu a minha ficha do quanto aquilo era melhor".

Desde sua primeira vez com outra mulher, Fernanda não transou mais com homens.

"Não existe só um tipo de penetração"

Lua reforça que cada mulher deve ter liberdade para experimentar somente aquilo que se sente mais à vontade fazendo. "Há quem não consiga aproveitar a penetração, por exemplo, porque já sofreu um abuso. Esses casos devem ser tratados com delicadeza e respeito ao corpo, já que a falta de prazer está associada a memória dolorosa", diz.

No entanto, se houver interesse em explorar mais a região da vagina, Lua ensina técnicas para começar, seja sozinha ou a dois. "Minha primeira recomendação é entender que não existe só um tipo de penetração, aquela representada nos filmes pornô, rápida e com força. Existe também a profunda e lenta, que massageia o canal vaginal em vez de somente provocar atrito".

A terapeuta relembra que há quem goste mais do primeiro tipo, há quem prefira o segundo — e existe também quem goste de uma mescla dos dois. "Vale a pena dialogar com o parceiro e deixar a criatividade solta", diz.

Além disso, dedos e acessórios eróticos podem ajudar. "Os dedos têm uma mobilidade (de se encurvar, por exemplo) que o pênis não tem. Por causa disso, são capazes de explorar regiões e despertar sensações únicas". Da mesma forma, os vibradores com foco na vagina estão disponíveis no mercado em diferentes tamanhos, texturas e funções e podem ser usados na grossura, profundidade e ritmo que a mulher desejar.

Por fim, Lua faz um alerta: sentir dor não é normal. "Se a penetração acaba sendo dolorida, o mais indicado é procurar um ginecologista para avaliar se a saúde íntima está em dia e entender a origem do problema".

* As identidades foram omitidas a pedido das entrevistadas.

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