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Rafa Kalimann: "Via o meu corpo distorcido e só me aceitei na terapia"

Rafa Kalimann recorreu à terapia para recuperar a autoestima - Reprodução/Instagram
Rafa Kalimann recorreu à terapia para recuperar a autoestima Imagem: Reprodução/Instagram

Isabella Marinelli

De Universa

23/04/2021 04h00

Quem observa a mineira Rafa Kalimann, 27 anos, posando em belas fotos nas redes sociais não desconfia dos desafios enfrentados na construção da autoestima durante a adolescência. A vaidade e os hábitos de beleza herdados das mulheres da família não foram suficientes para que ela passasse ilesa pelos comentários de reprovação e crivo das agências de modelo no início da carreira, aos 14.

"Acreditei que o meu biotipo era um empecilho para realizar meus sonhos", conta a influenciadora digital, com tom sereno, em uma chamada de vídeo com Universa. A questão só mudou em terapia, há cerca de quatro anos, quando ela procurou ajuda para lidar com a insatisfação perene. "Atualmente, a minha relação com ele é a de maior amor do mundo", festeja.

Hoje, além dos cliques, a autoconfiança também se traduz em estilo e projetos profissionais bem-sucedidos. Recentemente, Rafa cortou e pintou o cabelo em um impulso. Estava se sentindo leve e queria ver tal característica na própria imagem. A transformação coincidiu com os novos desafios de carreira. No próximo dia 28, ela estreia o Casa Kalimann, atração na plataforma de streaming Globoplay que vai colocar famosos para brincar em gincanas e dinâmicas entrevista. Os atores Rafa Portugal e Carla Diaz são dois convidados confirmados na atração, entre vários outros.

Fora da televisão, ela segue à frente da marca própria de roupas, a BYRK, e acaba de assinar uma coleção de maquiagem co-criada com a marca Quem Disse Berenice, do Grupo Boticário. A seguir, ela fala sobre beleza e os preparativos para a estreia:

UNIVERSA - Você tem passado por algumas mudanças de estilo, incluindo corte de cabelo. Que imagem a Rafa de hoje gostaria de comunicar?

Rafa Kalimann - Eu sou muito espontânea. Não sou alguém que muda à espera de comunicar algo. A transformação do cabelo veio de forma repentina. Era uma sexta-feira, por volta das duas da tarde, e eu estava conversando com o meu cabeleireiro, dizendo que queria dar uma repaginada. Comentei com ele que estou numa fase boa, leve. Foi quando ele me sugeriu cortar uma franja e ficar mais loira. Às cinco horas do mesmo dia, já estava com ele. Vivo e faço o que tenho vontade sem medo. Por outro lado, acho que naturalmente rolou essa comunicação e as pessoas perceberam a alegria que ando sentindo.

Qual é a sua relação com a maquiagem?

A maquiagem é uma paixão que veio da minha avó. Lembro que usava pancake, já bem velhinha. Estava sempre extremamente cheirosa, com o cabelo penteado. Era muito vaidosa e passou isso para a minha mãe, que sempre acordou mais cedo do que era necessário só para arrumar o cabelo e se maquiar. Ela trabalhou por 12 anos numa oficina mecânica com 32 homens e só ela de mulher. Os cuidados eram algo que ela sempre teve por ela mesma. Acredito que a minha vaidade tenha nascido delas.

Você já foi alvo de comentários maldosos sobre o seu corpo. Como é a sua relação com ele hoje?

É a relação de maior amor do mundo, mas nem sempre foi assim. Eu comecei a fazer terapia há quatro anos por esse motivo, com uma profissional especializada. Tinha uma imagem completamente distorcida do meu corpo, ainda que não tenha chegado a um nível preocupante de saúde. Eu não aceitava ter o biotipo que eu tenho, lutava contra isso. Acredito que venha da adolescência, porque me mudei muito nova para São Paulo, por volta dos 14 anos, para trabalhar como modelo. Eu tinha que entrar no padrão das agências e nunca entrei, porque sempre tive curvas. Para mim, elas eram um fator limitante, acreditava que eram um empecilho para alcançar meus sonhos. Isso me machucou muito.

Mais tarde, comecei a terapia, porque percebi que nada do que eu fizesse, seja dieta ou lipoaspiração, me traria autoestima ou amor-próprio.

No tratamento, comecei a perceber que essa angústia vinha de traumas e até de comentários de família, que não eram feitos por maldade, mas que rolavam em brincadeiras, porque entendiam que aquilo pegava em um certo lugarzinho. Também passei a compreender o meu biotipo, a olhar para ele com carinho. Hoje, me amo como sou. Recebo muitas críticas sobre ele, mas já transcendi e não me importo mais.

Dia desses, me chamaram de gorda e perguntaram se eu não iria emagrecer em uma caixa de perguntas no Instagram. Respondi dizendo que não. Nem costumo compartilhar esse tipo de mensagem, mas quis mostrar que a gente não precisa se encaixar em padrão para suprir as expectativas dos outros, porque nunca conseguiremos alcançá-las. O que me doía, como as estrias, faço questão de mostrar para que outras mulheres entendam que é absolutamente natural.

Você chegou a ter algum transtorno alimentar nessa época?

Não, mas experimentei algo muito equivocado. Nunca compartilhei isso, mas, nessa época, comecei a fumar pensando que me faria emagrecer. Eu tinha por volta de 15, 16 anos. Era incentivado no meio das agências. Diziam que tirava a vontade de comer um doce, um chocolate.

Ainda é algo de que me arrependo muito, porque hoje sei que não só não me fez perder peso, me aceitar ou amar, como prejudicou a minha saúde. Parei quando meus pais descobriram. Eu nunca tinha ouvido o meu pai dizer que estava decepcionado comigo até aquele dia, em que ele sentou e me falou isso. Foi quando me prometi que nunca mais colocaria um cigarro na boca. Ali, eu expliquei o meu ponto, mas também entendi a importância de nunca fazer mal para a minha saúde.

Você sentiu o corpo mudar na quarentena? Como lida com isso?

Eu engordei um pouquinho, mas não me incomodo, não. A gente está em casa, com uma rotina diferente. É mais difícil mesmo. Já temos que lidar com incertezas, tantas mudanças no mundo, trabalho à distância? Não podemos levar tudo tão a sério. Precisamos cuidar da saúde, é claro, mas também saber relevar. Não exijo muito de mim neste sentido. O importante é que a cabeça esteja bem.

Rafa Kalimann - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
"BBB mudou completamente a minha relação com a beleza", diz Rafa Kalimann
Imagem: Reprodução/Instagram

No BBB, você passou meses diante do Brasil nas mais variadas situações, expondo o seu rosto, corpo e cabelo ao natural. Isso mexeu na sua relação com a beleza de alguma maneira?

Mudou completamente! Eu exigia demais de mim mesma para aparecer sempre arrumada. Nem tanto por mim, mas pelos meus clientes de publicidade, principalmente. Quando faço um trabalho nas redes sociais, me preocupo com a qualidade, mas chegava a exagerar na preocupação para encontrar o melhor ângulo, a melhor luz, o melhor look. Depois que saí da casa do BBB, desaprendi a mexer nas redes sociais nos primeiros meses até que voltei aos poucos. Então relaxei! Penso: as pessoas já me conhecem do jeito que eu acordo, descabelada, então está tudo bem. Não deixo de compartilhar nada por estar "desarrumada".

Nas redes sociais, você divide momentos muito pessoais, incluindo aqueles relacionados ao seu relacionamento e à sua família. Já recebeu críticas, inclusive, relacionadas aos seus trabalhos sociais. Algum tipo de comentário ainda te magoa?

Eu me sinto ofendida quando duvidam do meu caráter. Não quer dizer que eu absorva, mas me dói ler. Tenho vontade de responder, retrucar. Outro caso é quando criticam a minha família. Dia desses, falaram mal da minha sobrinha [Sofia, de dois anos], por incrível que pareça, e isso me machucou muito. Em outra ocasião, deu algum bug no Instagram da minha mãe e ela parou de seguir a Manu Gavassi. Elas se amam, costumo mediar ligações para que elas conversem. Foi, de fato, algum erro no aplicativo. Então começaram a atacá-la até que ela chorou aqui em casa. Isso acabou comigo. Mesmo que ela tivesse deixado de segui-la propositalmente, ainda não haveria justificativa. Está tudo bem em não gostar de mim, mas sem mexer com eles.

Li que o programa Casa Kalimann inclui várias personalidades e gincanas. O que o público pode esperar da atração?

Muitas risadas! Todo final de gravação, eu e a equipe ficávamos anestesiados de tanto rir. A ideia é levar alegria, leveza, momentos de entretenimento para essa fase tão difícil que estamos vivendo. O objetivo é focar em algo divertido, nem que seja só por alguns minutos, para gargalhar, então a atração é toda baseada em brincadeiras com entrevistas entre elas.

Casa Kalimann - Globo/João Miguel Júnior - Globo/João Miguel Júnior
Em Casa Kalimann, Rafa receberá famosos para entrevistas e gincanas
Imagem: Globo/João Miguel Júnior

Como você se preparou para as gravações?

Desde que eu saí do Big Brother Brasil, em maio do ano passado, comecei a fazer aulas com fonoaudióloga e preparação para atrizes com duas professoras diferentes e de forma remota. Independentemente do que aconteceria, a Globo quis que eu me preparasse e me proporcionou essa experiência. Os adiamentos em razão da pandemia acabaram me permitindo estudar por mais tempo.

Quais são os desafios de ir para a televisão?

É muito difícil! O convite para fazer o programa pintou em novembro. Tive cerca de seis meses para me preparar. Acho que nunca estaremos completamente prontos para o que chega na nossa vida, mas foi um período bom para pegar fôlego e ganhar segurança em mim mesma. Mas é muito diferente do que faço com o meu telefone ou uma câmera na minha frente! São vários microfones, várias lentes apontadas. Além disso, não falo só por mim.

Num programa, sou a porta-voz da equipe. Estou ali falando pelo câmera, pela figurinista, pelo diretor? Por quem cria e faz a obra acontecer.

Em compensação, é mais leve quando você está num ambiente em que pode ser você mesma — até para cometer erros.

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