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Travesti sofre sessão de tortura e tentativa de homicídio no interior de SP

Ataque ocorreu na cidade de São Carlos; Bruna conseguiu pedir socorro e foi hospitalizada - Reprodução
Ataque ocorreu na cidade de São Carlos; Bruna conseguiu pedir socorro e foi hospitalizada Imagem: Reprodução

Naian Lopes

Colaboração para Universa, em Pereira Barreto (SP)

01/03/2021 18h47

Uma travesti de 21 anos, foi hospitalizada depois que dois homens a torturaram, escalpelaram e tentaram assassiná-la. O caso aconteceu em São Carlos (SP), a 260 km de São Paulo. A polícia investiga o caso como crime de transfobia.

Segundo o Boletim de Ocorrência, a vítima — identificada como Bruna — foi levada à força a um matagal da cidade e sofreu uma sessão de tortura que teria durado mais de uma hora na madrugada de sexta-feira (26). O caso, no entanto, só veio à tona hoje.

Os primeiros depoimentos da jovem dão conta de que ela foi arrastada pela dupla e foi inicialmente escalpelada (quando o cabelo de alguém é arrancado) pelas próprias mãos dos suspeitos.

Enquanto eles a impediam de gritar por socorro, Bruna teria visto os homens exibindo uma faca e tentando arrancar as orelhas dela para, logo depois, riscar o corpo da travesti em várias partes diferentes com objeto. Bruna sofreu feridas em seios, pescoço, mãos e nádegas.

À polícia, Bruna contou que os suspeitos teriam abandonando-a ali para morrer, mas a travesti conseguiu encontrar forças para se arrastar para a saída do matagal e chegar à beira de uma estrada, pedindo socorro. Assim que uma testemunha a localizou, entrou em contato com a emergência. A jovem foi levada às pressas pelo Samu para a Santa Casa de São Carlos, tendo de ser sedada.

A Santa Casa confirmou a Universa que Bruna permaneceu sedada até ontem, quando os médicos fizeram os procedimentos para acordá-la e monitoram a situação. Ela não tem previsão de alta, mas não há risco de morte.

A Polícia Civil abriu investigações sobre o caso e não informou se já identificou os dois suspeitos, mas ninguém foi preso até este momento. O Boletim de Ocorrência foi registrado como crime de transfobia e tentativa de homicídio.

Como denunciar

Já sofreu uma agressão e quer denunciar? Registre um Boletim de Ocorrência em qualquer delegacia. Se puder, procure uma delegacia da mulher, especializada neste tipo de caso.

Conhece uma mulher em situação de perigo? Ligue para 180. O canal do governo federal funciona 24 horas, incluindo sábados, domingos e feriados. A ligação é anônima e a central dá orientações jurídicas, psicológicas e encaminha o pedido de investigação a órgãos de defesa à mulher, como o Ministério Público.

Em casos flagrantes de violência sexual, o 190, da Polícia Militar, é o melhor número para ligar e denunciar a agressão. Policiais militares em patrulhamento também podem ser acionados. O Ligue 180 também recebe denúncias, mas não casos em flagrante, de violência doméstica, além de orientar e encaminhar o melhor serviço de acolhimento na cidade da vítima. O serviço também pode ser acionado pelo WhatsApp (61) 99656-5008.

Em casos de emergência, é possível telefonar para 190 e acionar a polícia.