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"Meu filho só tinha oxigênio para 4h e rodei Manaus inteira para salvá-lo"

Angela Viana conseguiu encontrar oxigênio para tratamento do filho - Arquivo pessoal
Angela Viana conseguiu encontrar oxigênio para tratamento do filho Imagem: Arquivo pessoal

Angela Viana em depoimento a Luiza Souto

De Universa

18/01/2021 12h08Atualizada em 18/01/2021 14h03

"Meu filho de dois anos é portador de hipoxemia (baixa concentração de oxigênio no sangue), tem microcefalia, agenesia de corpo caloso, e sofre de epilepsia. O parto dele foi forçado e ele ficou 30 minutos sem oxigênio dentro de mim. Ele viveu por um ano e oito meses no hospital, em Manaus, e há seis meses consegui montar uma UTI em casa para recebê-lo. Entre outros cuidados, ele precisa de oxigênio 24 horas por dia, e um cilindro de 200 litros dura dois dias.

Desde quando começou esse descaso em Manaus, com falta de oxigênio nos hospitais, estou correndo contra o tempo para manter meu filho vivo. Há uma semana, faltavam quatro horas para o oxigênio dele acabar e nada de encontrarmos recarga. Imagine o desespero! Rodei toda Manaus de madrugada, fiz tudo o que podia e consegui uma doação, de uma mulher que tinha uma recarga sobrando. Por pouco não estava agora chorando a morte do meu filho.

Não desejo para mãe nenhuma ver seu filho sem poder respirar. Gosto nem de falar.

Eu não sou um caso isolado: tem um grupo de mães com filhos em 'home care' lutando contra o tempo. Quando ligamos para a empresa que fazia a recarga do oxigênio para nossas famílias, contratada pelo Governo, nos recomendam chamar o Samu para remoção. Mas os hospitais não têm leito, e nossos filhos têm imunidade baixa. Em casa é mais seguro.

A falta de oxigênio é sinônimo de morte, porque eles não ficam sem oxigênio nem um segundo. Nossos filhos estão sobrevivendo através de doações.

Manaus - Sandro Pereira - 16.jan.2021/Fotoarena/Estadão Conteúdo - Sandro Pereira - 16.jan.2021/Fotoarena/Estadão Conteúdo
Manaus enfrenta desabastecimento de oxigênio; na imagem, Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto recebe recarga
Imagem: Sandro Pereira - 16.jan.2021/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Uma recarga está custando em torno de R$ 600, e não temos condições de pagar por isso. Mesmo se tivéssemos, meu marido está correndo nas empresas, mas está tudo em falta.

Eu e o pai dele tivemos todos os sintomas de covid-19, mas não fizemos o teste. Mesmo assim, ficamos em quarentena. Nessa época, meu filho ainda estava internado no hospital, e só o via em horário de visitas.

Há seis seis meses consegui que ele tivesse cuidados em casa e tem sido maravilhoso abraçá-lo na hora que quero.

Aceito perder ele para Deus, mas não por negligência de um governo

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