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"Após 73 dias lutando contra a covid, conheci meu filho e senti Deus"

Maryane ao deixar o hospital com o bebê - Arquivo Pessoal
Maryane ao deixar o hospital com o bebê Imagem: Arquivo Pessoal

Maryane da Rocha Santos em depoimento a Carlos Madeiro

Colaboração para Universa

18/11/2020 04h00

"Eu sou operadora de caixa, moro em Caucaia [na Grande Fortaleza] com meu marido, Diego, e meus filhos Pablo [10 anos] e Bernardo [6 meses].

Eu peguei o covid no final do mês de abril. Estava com seis meses de gestação quando dei entrada no Hospital Geral César Caldas. Era dia 3 de maio, e me lembro ter feito alguns procedimentos para verificar como é que o bebê estava. Eu sentia muita falta de ar, já tinha chegado lá sem fôlego.

Os médicos viram que estava tudo bem com o bebê, o problema era comigo. Eu estava muito cansada, e o que eu me lembro é de ter ido para um leito de internamento lá do hospital. Só vi as luzes do teto; ainda tentei olhar lá fora para procurar meu marido, mas não consegui vê-lo e apaguei. Eles me disseram que eu tive uma parada respiratória, e logo naquela madrugada me entubaram. Fique em coma até o dia 13 de maio.

Como eu estava em coma e não reagia, a junta médica resolveu fazer a minha cesárea. No dia 8 de maio, o Bernardo nasceu com 1,35 kg e com 40 centímetros. Ele teve que ficar na incubadora e tomar banho de luz para se desenvolver fora da minha barriga.

Quando eu acordei, a primeira coisa que senti foi a falta daquele volume na minha barriga e perguntei: 'Cadê o meu bebê?' Eu só conseguia mexer um pouco do braço direito e a cabeça. Foi então que a equipe foi me contando o que tinha acontecido. Deixei a UTI e ainda passei muitos dias na enfermaria. Eu tive alta no dia 21 de maio.

Nessa época, o neném não podia receber visita por causa da pandemia. Nem o pai dele ia, ninguém podia ver. Aí a gente tinha notícias pelo hospital, tinha vídeo dele, mas não tinha como vê-lo de perto. Foi muito duro.

Maryane da Rocha Santos - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Quando cheguei em casa, senti um vazio imenso. Eu não pude trazer o meu filho e não podia ir visitá-lo, não podia ficar com ele lá, como todas as mães de prematuro nessa pandemia. Antes, para esses casos existia o mamãe-canguru, em que a mãe ficava lá ho hospital por algumas horas com o bebê.

O meu dia só começava quando eu tinha notícias dele - às vezes isso vinha pela manhã. Mas como não era só o Bernardo, havia outros bebês lá, às vezes pela manhã não dava pra eles darem uma notícia, aí só me ligavam à tarde. Eu ficava desesperada: tinha dias que eu chorava, tinha dias que eu tava mais conformada.

Graças a Deus, chegou o dia dele vir para casa. No dia 21 de julho, ocorreu o nosso primeiro encontro. Foi tão mágico! Foram 73 dias esperando! Eu disse ao rapaz do hospital que aquilo era a tradução de Deus; o que eu senti ali era Deus, porque depois de tudo que eu passei com o meu filho, a gente poder se encontrar e estar tudo bem... só Deus e os anjos que ele colocou naquele hospital para me ajudar e ajudar meu filho.

Hoje ele já está com 6 meses, está tudo indo bem. Ele ainda faz exames e ainda está sendo acompanhado pelo hospital. Ele é um bebê prematuro extremo, mas não deu nada de diferente nos exames dele. Ele está tendo uma evolução maior do que a esperada. Ele está evoluindo muito bem."

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