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Atriz que foi vítima de João de Deus desabafa: 'Tardei, mas não calei'

A atriz Deborah Kalume foi uma das vítimas de João de Deus - Reprodução/Instagram
A atriz Deborah Kalume foi uma das vítimas de João de Deus Imagem: Reprodução/Instagram

De Universa, em São Paulo

30/06/2020 11h36

Após dar seu depoimento para o documentário "Em Nome de Deus" (Globoplay), a atriz Deborah Kalume tem conseguido falar mais sobre o abuso sexual que sofreu do médium João Teixeira de Faria, o João de Deus.

"Demorei muito tempo da minha vida para falar sobre esse assunto. Tardei, mas não calei", afirmou ela, no Instagram.

Deborah, que já participou de novelas como "A Vida da Gente" e "Deus Salve o Rei", procurou o médium em 2012, quando o marido, o cineasta Fábio Barreto, estava em coma após sofrer um acidente de carro.

Demorei muito tempo da minha vida para falar sobre esse assunto. Tardei, mas não calei. Não foi fácil, nem está sendo agora ouvir e rever tudo isso novamente, mas sei que foi extremamente necessário para que monstros como esse jamais, jamais usem de escudo o silêncio das mulheres! Agradeço, do fundo do meu coração, à Camila Appel e toda equipe do programa, além das mulheres tão corajosas e incríveis que a vida me presenteou, nessa roda e fora dela. Não posso deixar de falar da Sabrina Bitencourt que ficava horas comigo e me levou ao caminho da denúncia. Todo o amor que eu NÃO ENCONTREI naquela Casa Dom Inácio de Loyola - com um líder abjeto e seus funcionários cúmplices - eu encontrei nesse programa! Todos estavam tão envolvidos que a emoção saltava num olhar, aperto de mão, abraço. E por isso conseguimos falar, apesar de todo constrangimento e medo. Obrigada por tudo o que fizeram. Ter uma família e uma rede de amigas e amigos que ACREDITAM em você - privilégio que nem todas as mulheres abusadas têm, infelizmente - faz com que você não se sinta mais sozinha. E isso me encorajou a denunciar, me fez não mais querer calar. E me libertou também. O auto conhecimento gera força. ABRIR os olhos do meu EU INTERIOR é o que busco diariamente na minha prática de meditação Budista. Oro para que pessoas tenham a boa sorte que tive de ter apoio! Que superem o luto com a luta. Pois o silêncio vem do descrédito histórico, sistemático que as mulheres enfrentam, muitas vezes dentro de casa!

Uma publicação compartilhada por Deborah Kalume (@deborahkalume) em

Barreto morreu em novembro de 2019, quase dez anos depois de sofrer o acidente.

"Não foi fácil, nem está sendo agora ouvir e rever tudo isso novamente, mas sei que foi extremamente necessário para que monstros como esse jamais, jamais usem de escudo o silêncio das mulheres!", continuou a atriz, em seu desabafo.

Deborah relatou, ainda, que os funcionários de João de Deus teriam sido coniventes com os abusos que ele cometia.

No domingo (21), a atriz havia falado sobre o ocorrido durante reportagem do "Fantástico".

"Fui lá em 2012, dois anos e meio depois do acidente. Eu fui com pai dele, Barretão. E acho que foi assim, talvez a última alternativa de milagre que eu quis, acreditei. Ele perguntou se eu tava de sutiã. Falei que sim. Ele falou, "pode tirar?" Quando fui desabotoar o sutiã, me deu uma sensação ruim. Mas ao mesmo tempo me culpei. Você tá louca? Você tá... é uma espécie até de culpa de você pensar algo de errado daquele homem. Em algum momento ele botou a mão em cima da calça, do pênis dele, eu congelei. Fechei o olho. Ele mandava abrir o olho. Eu não consegui fazer nenhum movimento. Ele falou que eu tava atrapalhando essa cura porque eu não tava confiando nele. Então, eu tava atrapalhando. Que era pra eu relaxar. Aí ele... me colocou em pé. Começou a apertar o bico do meu seio. Veio por trás de mim. Começou a se esfregar. Ele fazia tudo isso rezando Ave Maria", relatou, ao programa dominical.

João Teixeira de Faria foi condenado a 63 anos de prisão por crimes sexuais. Atualmente, ele está em prisão domiciliar por conta da pandemia do coronavírus.

Violência contra a mulher