PUBLICIDADE

Topo

Mães e filhos

Beijo e presente: mãe e filho se juntam após o 'bichinho malvado' da covid

A jornalista Monique Arruda amamenta o filho Gabriel enquanto se recuperava da covid-19 - Arquivo pessoal
A jornalista Monique Arruda amamenta o filho Gabriel enquanto se recuperava da covid-19 Imagem: Arquivo pessoal

Marcela Lemos

Colaboração para o Universa, no Rio

08/04/2020 16h46

A jornalista Monique Arruda, de 34 anos, ganhou um presente muito especial ontem: um bracelete de proteção dos PJ Masks. O motivo: depois de duas semanas isolada em um dos cômodos da casa onde mora na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, após ter contraído o novo coronavírus, ela finalmente pôde agarrar e beijar o filhinho Gabriel, de quase 3 anos.

"Ele ficou muito feliz. Perguntou se eu estava curada do bichinho malvado e está ainda mais grudadinho comigo. Ele colocou um bracelete do personagem do desenho favorito dele em mim e disse que era para o bichinho malvado não me pegar mais", conta Monique.

Susto no isolamento

Ela descobriu que estava com covid-19 no último dia 23. Monique então deixou Gabriel sob os cuidados da avó, de 59 anos. E o isolamento forçado na mesma casa veio com um susto e muito choro: o menino tinha suspeita de também estar com o novo coronavírus.

"Meu filho vai fazer três anos e ele mama muito no peito. Ele estava com falta de ar, suspeita de estar com corona, e quanto mais ele chorava por eu estar no quarto a falta de ar dele aumentava. Então conversei com o meu médico e ele liberou eu dar de mamar de máscara e mãos bem lavadas. Eu saía de três a quatro vezes do quarto ao dia para dar de mamar para ele, fazia um "denguinho" e voltava para o quarto".

Segundo Monique, uma das partes mais difíceis do isolamento era ouvir o filho brincando pela casa. "Eu escutava ele brincando e eu não podia participar. Isso me doía muito. O terror psicológico é pior que o de saúde, todo dia tinha medo de acordar com falta de ar e morrer. É como se fosse uma sentença de morte".

"Era como se não tivesse nariz"

A jornalista começou a sentir os sintomas da covid-19 na madrugada do dia 21: forte dor de cabeça e com febre de 37,8 °C - que demorou mais de sete horas para baixar, mesmo após a ingestão de antitérmico.

"Acordei com muita dor de cabeça, uma dor de cabeça que nunca senti na vida. Comecei a gritar pela minha mãe, pois não conseguia nem abrir os olhos. Fiquei 12 dias sem sentir cheiro de nada. Cheirava álcool, acetona, coisas com cheiro forte e não sentia nada e meu nariz nem estava entupido, não estava nem com coriza. Era simplesmente como se não tivesse nariz. Muito estranho."

Dia de brincadeiras

Com o fim do isolamento, Monique consegui finalmente retomar os cuidados com a criança. "Brincamos de estátua, de colorir, de corte e colagem, regamos as plantas da varanda juntos e voltei a fazer as atividades dele, dei banho, comida, escovei os dentes e voltamos a dormir juntinhos na mesma cama".

Amamentação não tem contraindicação

Monique - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Monique e Gabriel
Imagem: Arquivo Pessoal

De acordo com especialistas, não há contraindicação para amamentação em casos de infecção por covid-19. O Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (CBP), informou que até o momento não há documentação de transmissão vertical durante a gestação nem no período neonatal, pela amamentação.

"As principais publicações nesse tema, até então indicam que, como em várias outras viroses, os benefícios da amamentação superam os riscos de transmissão do COVID-19", diz a nota publicada pela SBP.

A infectologista Cristiana Meirelles, do Instituto Fernandes Figueira (IFF - Fiocruz), recomenda o uso de máscaras, higienização na mama e das mãos para mães com sintomas de covid-19.

"Não tem evidência científica que o vírus é transmitido pelo leito materno, a mãe precisa tomar cuidados: uso de máscara e evitar falar quando estiver amamentando, pois o vírus pode ser transmitido pela via respiratória e por contato indireto. Então, é necessário lavar a mama com água e sabão, lavar as mãos e usar álcool gel", afirmou a médica.

p>

Mães e filhos