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Luiza Brunet diz que ainda se sente ameaçada por agressor: 'Homem poderoso'

Luiza Brunet - Reila Maria/Câmara dos Deputados
Luiza Brunet Imagem: Reila Maria/Câmara dos Deputados

De Universa

17/02/2020 11h12

Uma das figuras mais conhecidas do enfrentamento à violência contra a mulher depois de ter sido vítima, Luiza Brunet diz sentir hoje "muito prazer" com o rótulo de ativista. "Consegui reverter tudo o que passei e me sinto livre. É muito bom ser útil para a sociedade", afirmou à Marie Claire.

Na entrevista, Luiza relembrou o abuso sexual que sofreu, quando tinha apenas 13 anos e trabalhava em casas de família. "Na segunda casa de família, sofri abuso sexual de um vizinho, um homem mais velho, que ia atrás de mim. Não sei dizer por que eu abria a porta. Não teve relação forçada, mas o abuso constante de toques pode amedrontar muito mais. Já adulta soube que ele fez a mesma coisa com outras meninas dali."

Ela explica que, após o abuso, passou a ter medo de dormir e fazia xixi na cama. "Saí dessa casa sem dar satisfação a ninguém e fui trabalhar como vendedora em loja, também no subúrbio, mas continuei a ser violentada. Os patrões queriam transar, passavam a mão nas funcionárias. Por causa dos abusos, mudava muito de trabalho. Minha mãe dizia: 'Não é possível que você não pare em um emprego!'. Isso foi em 1979, não tinha como falar abertamente em casa sobre o que acontecia. Por isso, casei aos 16 anos. Achava que tendo um marido me sentiria mais segura", relembrou.

Em 2016, Luiza foi agredida pelo então companheiro, o empresário Lírio Parisotto, em Nova York. Ele foi condenado a prestar serviços comunitários como medida socioeducativa. Questionada se havia notado algum indício de violência por parte dele antes de ser agredida, Luiza afirmou não ter dado importância na ocasião, mas "o jeito como falava da ex-mulher já era um indício."

"Dizia que ela não prestava, que tinha dado umas porradas para ela não encher o saco. O melhor jeito de reconhecer um agressor é ouvir suas histórias, o comportamento se repete. Só que a tendência da mulher é pensar 'comigo vai ser diferente'. Depois, passa a te podar, a questionar onde vai, dá um empurrão, começa a te desqualificar. E você começa a se questionar se, de fato, é isso mesmo. Entrei em parafuso", conta.

Depois do primeiro empurrão, ela conta ter perdoado o então companheiro, mas sentia-se culpada pelas agressões. "Todas as mulheres sentem culpa. A tendência é dizer que ele tinha razão e que você está louca, descontrolada. É muito comum."

Ao relembrar a agressão ocorrida em Nova York, quando teve suas costelas quebradas, Luiza disse que a cena "se passa em câmera lenta". "Senti uma dor violenta, mas não sabia que tinha quebrado. Ele era treinado para imobilizar um bandido se fosse agredido, porque tinha histórico de sequestro na família. Voltei para o Brasil correndo o risco de ter uma embolia pulmonar no avião. Podia ter morrido."

Questionada se sentiu-se ameaçada por seu agressor, ela diz que se sente até hoje. "Ele é um homem que tem poder, no caso, muito dinheiro. Se acontecer alguma coisa comigo, há mensagens guardadas. Claro que tenho medo", afirma.

"É uma história dolorosa, mas que me transformou na mulher forte que sou hoje (...) Hoje, recebo muitas denúncias pelo Instagram e encaminho para as promotoras de Justiça. Me sinto responsável por elas (mulheres), que confiam em mim e me têm como exemplo.", resume.

Violência contra a mulher