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Em evento antifeminicídio, mãe descobre: acusado de matar a filha foi solto

Cibelle, mãe de Isadora, em audiência pública contra o feminicídio - Acervo pessoal
Cibelle, mãe de Isadora, em audiência pública contra o feminicídio Imagem: Acervo pessoal

Ana Bardella

De Universa

16/10/2019 04h00

Na última sexta-feira (11), Cibelle Costa participava de uma audiência pública de combate ao feminicídio na Câmara de Vereadores de Santa Maria (RS) quando recebeu a notícia: o homem acusado de matar sua filha, que até então estava preso, seria solto em breve.

Durante o evento, a mãe relembrava a história da filha, a modelo Isadora Viana Costa, morta no dia 8 de maio de 2018, aos 22 anos, no município de Imbituba (SC). O acusado do crime é Paulo Odilon Xisto Filho, de 37 anos, que namorava Isadora na época.

No depoimento na Câmara de Vereadores, registrado em vídeo, a mãe conta o que Isadora teria dito depois de conhecer o rapaz: "Encontrei o amor da minha vida".

Paulo é oficial de cartório e teve a prisão preventiva decretada em agosto deste ano. Agora, irá aguardar julgamento em liberdade: ele foi solto no sábado, dia 12, após ter habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça.

Em entrevista a Universa, o pai de Isadora, o dentista Rogério Froner Costa, lamentou a decisão. "Recebemos a notícia com tristeza, pois nossa família ainda está de luto", diz. "No entanto, seguimos com coragem. Queremos terminar de escrever a história da nossa filha, preservando sua memória com justiça."

O crime

Acervo pessoal
Imagem: Acervo pessoal

De acordo com a denúncia do Ministério Público, Isadora, que morava em Santa Maria com os pais e a irmã, conheceu Paulo em março de 2018 e os dois rapidamente iniciaram um namoro. Em abril, a modelo foi convidada para passar alguns dias na casa do namorado, em Imbituba. Na convivência diária, a jovem teria percebido que ele fazia uso de drogas, bebidas alcoólicas e remédios controlados —e confidenciado para amigas que o rapaz se tornava agressivo e descontrolado nestas ocasiões.

No dia da morte da modelo, Paulo teria cheirado cocaína e passado mal. Ao vê-lo espumando pela boca, a namorada, segundo o Ministério Público, alertou a família do rapaz. Por não gostar da atitude, o oficial de cartório, que luta artes marciais, teria imobilizado a jovem e causado sua morte por trauma abdominal por meio de chutes, joelhadas e socos.

No apartamento de Paulo foram encontradas armas de fogo com os registros vencidos e uma mira a laser, para a qual ele não possuía autorização de posse.

Ele é acusado de feminicídio por motivo fútil, além de fraude processual por modificar a cena do crime e posse ilegal de acessório de uso restrito para arma de fogo.

Família quer justiça

Família e apoiadores em audiência pública anti-feminicídio - Acervo pessoal
Família e apoiadores em audiência pública anti-feminicídio
Imagem: Acervo pessoal

A família da modelo, que mantém a página Justiça para Isadora no Facebook, segue pressionando pela resolução do caso. "Nosso desejo é que seja agendada a data do júri popular e que haja a condenação, pois, enquanto isso, o acusado segue livre e aproveitando a sociedade", diz o pai.

A reportagem tentou se comunicar com a defesa de Paulo Odilon Xisto Filho, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

Violência contra a mulher