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"Tenho 42 anos e nunca namorei. Homem é chato, prefiro cachorros"

Kelly Alencar, 42, com dois dos seus nove bichinhos - Arquivo Pessoal
Kelly Alencar, 42, com dois dos seus nove bichinhos Imagem: Arquivo Pessoal

Talyta Vespa

De Universa

14/08/2019 04h00

Entre apostilas para concurso público, três gatos, seis cachorros e um trabalho em uma consultoria imobiliária, a paulistana Kelly Alencar, de 42 anos, garante que não quer abrir espaço no dia tumultuado para namorar. Nem nunca quis: desde os 16 anos, quando deu seu primeiro beijo, decidiu que namorar, ou casar, não era para ela. "Homem é muito chato, não tenho paciência".

Kelly se enrolou com um garoto durante a adolescência. Foi seu primeiro ficante, mas a relação não evoluiu. Ela conta que ele ficava "com ela e com o resto de São Paulo". A decisão de não levar a pegação para frente, Kelly garante, não foi nem um pouco sofrida. "Minhas amigas sofrem por amor, e eu acho isso uma grande bobagem".

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

"Sempre atraí homem galinha. E eu não ligava para isso. Só que, mesmo entre algumas propostas de tornar o relacionamento sério, de casar, eu fugia. Gostava de curtir, e, depois, cada um na sua casa. Tenho minha vida, meus hábitos, não quero ninguém me enchendo o saco", diz.

Dessa forma, a paulistana foi levando a vida adulta: com uns rolinhos aqui, outros ali. Depois de um ano de ficadas pouco frequentes, ela caía fora. "Eu enjoava dos caras. Se ficássemos muito tempo juntos, já queria sair correndo", conta.

Há um tempo Kelly decidiu abrir mão da vida de curtição. Ela conta que não beija alguém há seis anos e que não sente vontade alguma de dar uns amassos. "Nem tempo para isso eu tenho, ultimamente. Treino o beijo no copo", brinca.

"Não tenho sentido vontade de fazer sexo sem amor. E como eu, diferentemente das minhas amigas solteiras, não busco um amor, não tenho vontade de transar também. Minhas amigas sempre me perguntam se eu não sinto falta. Não sinto".

"Hoje em dia, todos os meus ex-peguetes estão casados ou namorando. Excluí todos do Facebook. Mas, garanto: se um deles se separasse e me ligasse, eu nem atenderia. O que passou, passou. Fico muito bem com meus três gatos e seis cachorros. Trabalho todos os dias e tenho um trabalho de proteção animal muito ativo. Não sobra tempo para sentir falta de homem".

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

A companhia ideal, Kelly diz, é a dos amigos, de quem ela não abre mão. E é durante a convivência com as amigas --em sua maioria, casadas--, que ela relembra por que não quer se envolver com ninguém.

"Minhas amigas me pedem conselhos sobre seus casamentos. Brigam com os maridos, choram, se deprimem. Essa coisa de dar satisfação sobre o que faço ou deixo de fazer é inimaginável na minha vida. Hoje, se eu quiser colocar 30 bichos em casa, eu posso; se eu quiser passar o dia plantando bananeira, ninguém vai me encher. Sou a única dona da minha vida", diz.

Kelly é formada em jornalismo, mas nunca exerceu a profissão. Hoje, paga as contas sendo responsável pela parte administrativa de uma consultoria imobiliária. Ainda assim, o que ela quer, mesmo, é trabalhar no Ministério Público de São Paulo. Para isso, estuda três horas por dia.

O trabalho com proteção animal ocupa muito tempo do seu dia. Ela conta que já teve de sair de madrugada para resgatar bichos em perigo. Devido a essa paixão pelos animais, a paulistana fez um curso de medicina veterinária. "Minha prioridade, hoje, são os bichos. Não os deixaria por homem nenhum e estou bem feliz assim".