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Quanto tempo o sexo precisa durar? Sexólogos respondem

Sexo não é só penetração; estímulos e preliminares aumentam o prazer a dois - Getty Images/iStockphoto
Sexo não é só penetração; estímulos e preliminares aumentam o prazer a dois Imagem: Getty Images/iStockphoto

Heloísa Noronha

Colaboração com Universa

02/08/2019 04h00

Em 2018, uma pesquisa internacional realizada pelo site de relacionamentos Saucy Dates revelou que homens e mulheres esperam que o sexo dure, em média, 25 minutos -- período de tempo correspondente apenas à penetração. Comparadas aos fatos reais, as respostas das 3.836 pessoas de idades variadas ouvidas pelo estudo são pura frustração.

Porém, esse sentimento não deveria ser validado. Por duas razões: a primeira é que, segundo o psicólogo Breno Rosostolato, educador sexual e cofundador do projeto de imersão para casais LovePlan, a investigação levou em conta as expectativas dos entrevistados. "E toda expectativa sempre surge carregada de idealização", diz Rosostolato.

O segundo motivo é que existem vários fatores que interferem na duração de uma transa. De acordo com cientistas, o tempo médio para uma mulher alcançar o clímax é em torno de oito minutos, porém, dependendo das circunstâncias, esse intervalo pode levar até 20 minutos. Já os homens podem obter o êxtase em até dois minutos. Vale lembrar que existe muita confusão entre
ejaculação e sentir o orgasmo.

Recentemente, a novela global "A Dona do Pedaço" polemizou com a cena da transa vapt-vupt entre Agno (Malvino Salvador) e Lyris (Deborah Evelyn). O sexo -- ou melhor, a penetração -- durou apenas 18 segundos e o sujeito ainda dormiu logo em seguida, para frustração da mulher. A rapidez, no caso, serviu para mascarar a falta de desejo de Agno, que na verdade é gay, pela esposa.

Idade, forma física, tempo de relacionamento, horário e alterações hormonais são algumas das condições que interferem na duração da transa. De acordo com especialistas, não existe um tempo ideal para um sexo satisfatório."Porém, os envolvidos precisam estar motivados para que ele aconteça e proporcione prazer aos dois. Uma rapidinha, dependendo das circunstâncias, pode ser mais gostosa do que algo que foi planejado para uma noite toda", afirma o sexólogo Ricardo Desidério da Silva, docente do Mestrado em Educação Sexual da Unesp/Araraquara. "A regra é tentar se adaptar ao seu corpo e aos seus desejos. Para isso, comece a observar em qual período do dia sente mais disposição. Não adianta querer transar num determinado horário se está totalmente refém da exaustão. O cansaço é um dos grandes inimigos
do sexo e, se não buscar alternativas para eliminá-lo, o seu tempo em relação a ele tende a diminuir cada vez mais. Quando perceber, já passou alguns meses sem transar", completa o especialista.

Para Arlete Girello Gavranic, terapeuta sexual e coordenadora do curso de pós-graduação em Educação e Terapia Sexual do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática (Isexp), fazer esse tipo de cronometragem costuma subestimar a importância das preliminares. É preciso considerar que a troca de carícias pode e deve ser duradoura, pois são esses carinhos que preparam o corpo e a mente -- principalmente na mulher -- para o "grand finale".

"Períodos inferiores a 10 minutos, no total, costumam revelar um sexo muito voltado para a penetração", diz Gavranic, sem fazer pré-julgamentos. "A penetração, enquanto algo mecânico, pode durar muito pouco. Quando se tem um autocontrole de si e do outro, as possibilidades de duração são bem maiores, pois desenvolve-se não só a penetração em si, mas a estimulação e a condução de muitos prazeres", opina Ricardo Desidério da Silva.

Cada casal tem uma dinâmica própria e, mesmo assim, dificilmente uma transa é igual à outra. Esse é um dos motivos pelos quais os especialistas relutam em afirmar que uma duração específica é péssima ou ideal. "Não há uma regra. Até mesmo uma transa de cinco minutos pode ser o melhor sexo da sua vida se os dois estiverem bem excitados, no clima. O tempo ruim para o sexo só acontece quando não se pensa no outro para o prazer", diz o sexólogo.