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Violência contra a mulher


Ex de Ronaldinho fala em agressão: "me arrependo de não chamar a polícia"

Priscilla Coelho e Ronaldinho Gaúcho ficaram seis anos juntos. O término aconteceu no fim de 2018 - Arquivo Pessoal
Priscilla Coelho e Ronaldinho Gaúcho ficaram seis anos juntos. O término aconteceu no fim de 2018 Imagem: Arquivo Pessoal

Talyta Vespa

De Universa

05/07/2019 04h00

A ex-mulher de Ronaldinho Gaúcho, Priscilla Coelho, 32, diz ter sido agredida por ele, em dezembro de 2018, época em que eles viviam como trisal --um relacionamento amoroso envolvendo três pessoas, de maneira consentida por todas. Em entrevista a Universa, ela fala que "a violência foi o principal motivo" pelo qual decidiu processar o atleta. A ação, segundo ela, corre em segredo de justiça. Priscila afirma ainda que pede uma indenização e a partilha dos bens adquiridos por ele entre 2012 e 2018, período em que os dois, ainda segundo ela, ficaram juntos.

"Me arrependo amargamente de não ter chamado a polícia. Durante uma briga, ele me empurrou com força e eu caí no jardim do vizinho. Tinha espinhos na grama e eu me machuquei bastante. Passei duas horas ali, chorando, sem acreditar no que tinha acontecido. Não denunciei porque pensei que pudéssemos conversar e nos resolver; afinal, foram seis anos juntos. Mas me enganei", diz ela.

A briga que culminou no empurrão, segundo Priscilla, aconteceu durante uma festa em casa. "Uma ex-namorada dele ligou duas vezes. Na segunda vez, o celular dele estava comigo. Eu entreguei o aparelho ao Ronaldo e disse: 'É ela, de novo'. Ele ficou bravo e falou que ex-namoradas poderiam ligar a hora que quisessem e que se eu estivesse insatisfeita, deveria pegar minhas coisas e ir embora. Falei que ele não tinha me achado no lixo e que não tinha direito de me tratar assim", diz.

A agressão

"A analista de marketing afirma que, depois dessa resposta, o ex-jogador ficou agressivo. "Ele me pegou pelo braço e disse que me ajudaria a arrumar minhas coisas para que eu saísse. Pedi pra conversar, mas ele entrou no carro pra sair de casa. Fui atrás, e ele me empurrou com força. Passei três dias sem comer, trancada no quarto, tentando falar com ele", conta.

A decisão de deixar o apartamento em que morava com o jogador e a segunda mulher dele, Beatriz, na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, aconteceu após uma conversa com ela. "A Bia achou que ele não voltaria para conversarmos. Decidi então ir para um hotel. Liguei pra ele para, mais uma vez, tentarmos conversar, e ouvi: "Tu ainda não foi pra sua casa?'. Coloquei minhas 11 malas no carro e parti para Belo Horizonte. Foram cinco horas de viagem, chorando."

O trisal

Priscilla diz que o ex-marido era ciumento e já havia apresentado comportamentos agressivos. Segundo ela, Ronaldinho obrigou as duas mulheres a apagarem todos os contatos de amigos dele do celular delas. "Quando tinha gente em casa, ele mandava eu não andar de shorts", diz. "Durante as discussões sobre ciúme, ele ficava bastante irritado e aumentava o tom de voz. Ao mesmo tempo, um monte de mulher mandava mensagem para ele e a gente tinha que aceitar."

A decisão de virar um trisal teria partido de Ronaldinho. Enquanto ele e Priscilla namoravam, o ex-jogador teria conhecido Beatriz, que fora colega de Priscilla na escola.

"Um dia, ele me disse que gostava dela e que não podia escolher só uma de nós. Para que continuássemos namorando, eu teria que aceitar isso. Não me importei, sinceramente. Tem tanto homem com amante por aí... Pelo menos a gente sabia o que estava acontecendo. A Bia e eu não namorávamos. Nosso ponto em comum era ele".

Motorista de aplicativo

Priscilla, hoje, trabalha como motorista de aplicativo e mora com uma tia. Ela diz que está há seis meses à procura de um emprego na área de marketing, em que trabalhou por seis anos, alguns deles, enquanto esteve casada com Ronaldinho. Ela conta que foi demitida no ano passado porque, para acompanhá-lo em viagens, tirava folgas.

"Nunca dependi financeiramente do Ronaldo. Inclusive, fizemos um acordo quando fomos morar juntos: eu não renunciaria ao meu emprego. Quando fui demitida, pedi que ele me ajudasse", conta.

O acordo continuou após a separação (no dia da briga) segundo Priscilla. "Ele me mandou R$ 10 mil em janeiro e outros R$ 10 mil em fevereiro. Em março, parou de mandar", diz ela.

As entrevistas de emprego não avançam, conta a mineira. "Já ouvi de muita gente que eu não seria contratada porque minha vida está nas redes sociais. Não consigo me desvincular dessa história. "

Outro lado

Procurado por Universa, o advogado de Ronaldinho Gaúcho, Sérgio Queiroz, nega que o ex-jogador tenha agredido Priscilla. Segundo ele, não houve, inclusive, acordo para pagamento de pensão até que a analista de marketing voltasse ao mercado de trabalho. "Além disso, não recebemos, até o presente momento, algum processo movido por Priscilla".

Questionado se a jovem estaria mentindo, o advogado diz: "Se ela disse isso, está faltando com a verdade".