PUBLICIDADE

Topo

Mayumi Sato

Melhores e piores jeitos de puxar papo em apps de namoro, segundo usuários

Mayumi Sato

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está "não estamos" só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Colunista do UOL

04/10/2020 04h00

Eu já fui muito rata de app de pegação, já usei todos os que você pode imaginar! Em alguns me cadastrei com a "desculpa" de que precisava ampliar as minhas fontes de pesquisa, outros era nitidamente apenas pela curtição.

Hoje em dia, o único aplicativo que eu uso diariamente é o de meditação e olhe lá. Mas tenho boas lembranças e histórias pra contar sobre o meu tempo nos apps de relacionamento (a maioria, é claro, impublicáveis).

Não sei como é ou foi a sua experiência nesses aplicativos, mas uma lembrança recorrente que tenho deles é da quantidade de pessoas com quem era impossível desenrolar um bom papo. Às vezes a culpa era minha, às vezes da outra pessoa, mas era fácil identificar uma conversa que não iria pra frente logo de cara: ela começava morna.

Sabe aquele "oi, tudo bem?" inofensivo que a gente fala ao conhecer ou encontrar alguém pessoalmente? Ele sempre me broxou quando iniciava um xaveco online. E, ao longo do tempo, descobri que essa não é uma reclamação só minha!

Minha amiga Giovana é solteira há pelo menos dois anos e só teve encontros com pessoas que conheceu pela internet. Ela estima que tenha conversado com umas 200 pessoas diferentes e, dessas, uns 20 caras foram contemplados com um encontro ao vivo. E em todos esses 20 casos ela lembra exatamente como a conversa começou: "Com certeza não foi com um "oi, tudo bem" qualquer. A maioria mandou uma piadinha, um meme, algo que me fez rir e me chamou a atenção. Nos aplicativos é tudo muito rápido, se você não se empenhar, acaba ficando pra trás."

Outra tática que funciona, segundo a Giovana, é dar uma stalkeada nas fotos e abordar algum detalhe que mostre que, pelo menos, houve alguma dedicação: "uma vez um cara comentou sobre a diferença do meu cabelo entre uma foto e outra, tentando adivinhar qual era a mais recente. Achei divertido!"

Encomendei uma pesquisa sobre o assunto ao aplicativo de encontros YSOS, que ajuda casais e pessoas solteiras a se conectarem para a realização de ménage e outras fantasias. Descobri que, mesmo num ambiente onde as pessoas estão abertamente a procura de sexo, a abordagem inicial precisa ser bem pensada pra funcionar:

Das 357 pessoas que responderam a pesquisa, 61% assume que não continua a conversa se ela inicia de um jeito ruim ou sem criatividade. Apesar disso, 79% admite que, quando toma a iniciativa, não consegue fugir muito do famigerado "oi, tudo bem".

Sobre o que pode ser considerado uma abordagem ruim, algumas respostas foram:

* Falta de educação no primeiro contato;

* Mandar fotos antes do papo deslanchar;

* Já começar pedindo pra abrir a cam ou receber fotos;

* Chegar escancarado demais no papo sexual;

* Mandar só um oi e não falar nada esperando que eu responda;

* Chegar achando que meu relacionamento é bagunçado e pode falar tudo com a gente;

* Responder com hm ou aham;

* Pedir informações pessoais logo de cara como bairro, perguntar onde trabalho;

* Quando a pessoa deixa nítido que não leu meu perfil falando de assuntos que não gosto;

* Cantada que quer parecer cult demais;

* Mensagem de apresentação com erros ortográficos.

Mas como nem só de reclamação vive o homem, aproveitei para pedir dicas de abordagens em aplicativos que são um tiro certeiro e ganham o coração de qualquer match:

* Mensagens bem humoradas;

* Quando comentam algo que viu nas fotos e no perfil;

* Pessoas atenciosas em geral, que não dão respostas genéricas;

* Flertes bem elaborados;

* Elogios sem forçar a barra;

* Quem demonstra interesse e não deixa a conversa morrer;

* Quando a gente fala de coisas safadas, mas também fala sobre hobbies e coisas do cotidiano.

Pois é, parece que a fórmula para o sucesso é mais simples do que parece: um pouco de atenção e dedicação com um toque de bom humor! E você, que tipo de mensagem gosta de receber quando alguém te aborda nas redes sociais? E o que é proibido no flerte online? Conta pra gente nos comentários!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Mayumi Sato