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Fabi Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Sugadores de clitóris são ótimos, mas já ouviu falar na varinha mágica?

Vibrador no formato de microfone ou varinha mágica - Reprodução
Vibrador no formato de microfone ou varinha mágica Imagem: Reprodução
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Fabiana Gomes

Fabi Gomes é maquiadora e bonne vivante ? gosta de das coisas boas da vida, como artes, literatura, sexo, cinema, culinária, viagens. Está sempre atenta ao poder transformador e aos rumos da beleza.

Colunista do Universa

19/04/2021 04h00

Em março de 2018, resolvi me dar um presente bem especial de aniversário: uma terapia orgástica! Naquela altura, aos 43 anos, eu já tinha vivido e experimentado um tanto e sabia muitíssimo bem do potencial de prazer do meu corpo, ou melhor, acreditava que sabia.

Sempre achei o "maior barato" nos orgasmos (meu senhor, onde ela vai com esse texto e essas expressões?) e, nessa época aí, eu andava interessadíssima em saber e explorar mais. Já tinha tentado marcar umas duas ou três sessões de massagem tântrica que, por questões de agenda, acabei não conseguindo provar.

Daí aconteceram essas coincidências que sempre rolam na minha vida. Em um curto período, umas duas ou três amigas vieram relatar os fenômenos da terapia orgástica. Sem perguntar muitos detalhes, me enveredei pro pico que prometia me fazer virar os olhos como nunca.

O engraçado é que eu não tava com muitas expectativas. Meio que fui como se tivesse indo prum horário na limpeza de pele. Chegando lá, uma casa bonita e discreta, fui muito bem acolhida por uma moça simpática, que pediu que eu preenchesse um formulário. Me ofereceu chá e alguma outra coisa que não lembro, talvez fossem chocolates ou bolachas. Aceitei o chá. Me senti muito bem ali.

Olhando ao redor, pude notar uma grande porta de vidro que dava para uma espécie de jardim. Eu ia ticando todos os meus critérios de bem-estar: vidros, área verde, iluminação agradável, ambiente e pessoas acolhedoras, boa ventilação, tapetes, almofadas (sim, sim, sou dessas, amo tapetes e almofadas).

Não lembro se rolavam algumas obras de arte. Também curto uns estímulos visuais produzidos por mentes inquietas pra me instigar.

Preenchi a ficha, acabei meu chá e a moça simpática, que sentava de modo displicentemente relaxado, me disse: "A Hedonê (nome fictício) já vem te buscar", ao que sorri e agradeci. Minutos depois, cola Hedonê. Uma mulher com uma presença tão potente, que fiquei até tímida. Linda e educada, me pediu que a acompanhasse.

Subimos uma escada e adentramos um corredor. Eu, muito curiosa, tava atentíssima, com todos os sentidos aguçados, pra tentar sacar o que poderia estar rolando atrás daquelas portas fechadas pelas quais passamos.

Entramos num quarto com iluminação indireta, limpo e com poucos itens. O chão coberto por uma espécie de colchão ou tatame. Um aparelho de som, um mancebo (aquele de pendurar roupa, não um boy), duas poltronas frente a frente, como num formato analítico mesmo.

Nos sentamos ali. Hedonê passou então a me explicar como seria a terapia. Conversamos por bons 30 minutos a respeito do prazer e do corpo feminino. Falamos sobre como muitas vezes não exploramos nem nos abrimos para essa fantástica máquina que nosso corpo é, sobre aquelas oito mil terminações nervosas e tals.

Ela me contou um pouco sobre quem era, de onde veio. Me deixou muito segura e bem informada. Em seguida, eu algumas opções sobre as dinâmicas que poderíamos seguir. Não vou entrar nos detalhes, porque melhor seria que vocês seguissem a experimentação mesmo. Escolhi a segunda opção: "toque sem penetração".

Naturalmente, ela pediu que eu tirasse a roupa e me deitasse no colchão. Nessa hora eu já tava entregue e pensei "ué, não foi pra isso que você veio, bonita?".

Pendurei a roupa no mancebo e me entreguei pro colchão. Ela diminuiu mais a luz e colocou uma playlist muito massa, misto entre regional, mística e new wave, num volume um pouco acima do que seria possível para se manter uma conversa.

Nesse momento, percebi os objetos ao lado do colchão. Pude contar ao menos três ou quatro. Entre eles, um bem peculiar, que me chamou a atenção pela forma exótica de um microfone. Pensei: "Nossa, não vim preparada pra cantar".

Ela começa "o lance" massageando todo meu corpo de modo muito gentil e envolvente. Sim, Brasil, a esta altura já há toques sutis nas suas partes íntimas. Imagina que a gente é um pedaço de pau véio, duro e seco. Essa massagem funciona como que uma dissolução da dureza.

Me senti derretida, solta e mole no colchão. E é aí que começa o show de hardcore!

Objeto um: ativar! Bom, amores, é tremedeira, suor e gemidos. Objeto dois: vontade de morrer. De prazer e de raiva, porque não tinha vivido isso assim tão intenso antes. E a ópera segue. Quando chega o gran finale, entra em ação o objeto três: a tal da varinha mágica, também conhecida como microfone da Xuxa. E, olha, taquepariu! Entendi até o porquê da música mais alta.

A sensação poderia ser definida como um misto de revoada de borboletas pelo corpo, movimentos involuntários que vêm em ondas parecidas com choques, choro, riso. Tudo isso junto, ao mesmo e várias vezes. Naquele momento, oficialmente, me tornei vocalista do Sepultura!

É claro que o processo todo te leva ao ápice, mas depois fui investigar sobre a varinha mágica. Minhas amigas que têm não trocam por nada, nem em termos de objetos nem em termos humanos. Você sempre pode deixar tudo mais divertido, obviamente, e incluir humanos na brincadeira. Humanos avançados, que saibam brincar e estejam verdadeiramente implicados no prazer de todos que brincam.

"E o fenomenal sugador de clitóris, Fabi?" Meu amor, vai lá cantar no microfone da Xuxa e depois me conta se ainda pensa em sugadores.

Terminada a terapia. Agradeci Hedonê efusivamente. Nem sabia que podia cantar tão bem! Ah, os microfones...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL