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Ana Paula Xongani

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O estigma da mulher preta: quantas vezes mais a gente precisa realizar?

Ana Paula Xongani - Bruno Gomes
Ana Paula Xongani Imagem: Bruno Gomes
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Ana Paula Xongani

Ana Paula Xongani é multiempresária: no Ateliê Xongani, de moda afro-brasileira, e também na empresa que leve o seu nome, de criação de conteúdo. Apresenta o programa Se Essa Roupa Fosse Minha, no GNT, sobre moda consciente. Fala com leveza e responsabilidade sobre temas sempre importantes para que todo mundo junto construa um mundo mais justo e acolhedor para todos, especialmente para as mulheres pretas. Ativismo afetivo, como costuma dizer.

Colunista do UOL

28/04/2022 04h00

Durante minha trajetória como empresária —hoje, multiempresária, porque tenho empresas que atuam em diferentes setores, oferecendo produtos e serviços para diferentes "mercados"— vira e mexe, a depender da abertura ou retração da economia, há uma certa expectativa de que estejamos cada vez mais "nichadas", ou seja, criando e oferecendo produtos e serviços para públicos específicos, com temas específicos.

Diante disso, fico sempre pensando no desafio de como conseguir "nichar" sem reduzir a expressão da minha pluralidade, que cuido muito para que seja cada vez mais preservada— e não reduzida. Porque arrisco dizer que, há alguns grupos de pessoas, é permitido e aceito ser muitas coisas, atuar em diferentes mercados, mas não só, ser respeitado e validado neste lugar. Mas, isso é tema para outra coluna.

Eu sou uma mulher preta. E esta mulher preta é múltipla, com conteúdo distribuído literalmente pelo mundo inteiro.

Por causa desta coluna, recebo contato de muitas pessoas em outros canais, sempre querendo saber mais do que produzo, sobretudo de conteúdo autoral. Então, resolvi trazer para esta coluna, um pouco deste "mapa".

No que diz respeito ao conteúdo do que faço é "conversa gostosinha com papo cabeça", que é uma forma de falar, a partir de uma perspectiva afetuosa e que acolhe diferentes níveis de letramento, de temas densos e socialmente complexos.

Se eu acredito que o problema não é não saber, e sim não querer mudar as coisas, entendo ser importante falar com quem sabe, mas com quem quer aprender, ou seja, com quem entra em contato com diferentes questões que podem ser melhores e estão dispostas a se instrumentalizar para isso, seja em conteúdos técnicos e específicos, referenciais e de representação. Tudo colabora para que a gente enriqueça de pluralidade nossos pontos de vista.

Claro que ninguém é obrigado a esclarecer pessoas sobre qualquer tema que seja, mas tem pessoas que se dispõem a isso e, sim, tá tudo bem. Eu sou uma delas. Então, vamos lá.

Digamos que boa parte destas "conversas gostosinhas" está no meu canal no YouTube, onde tudo começou pra mim, mas hoje estão principalmente nos vídeos do meu perfil no Instagram, em razão da interação que esta plataforma facilita.

No YouTube também tem muita coisa em colab. Duas dicas! A webserie Histórias Com Vida com minha filha, a Ayoluwa Ba-Senga, que une literatura e gastronomia. Vocês que me acompanham pedem muito para ver mais sobre ela. Então, taí. A outra é meu programa de entrevistas, o Não Enrola!

No Instagram, expando a dimensão de "existência para além da resistência", com conteúdos sobre beleza, moda, autoestima e, né? VIDA! Porque mulher preta, empresária, mãe, tem muita vida para viver e para compartilhar. Embora exista uma "tendência" a quererem que eu fale sobre um único tema, esse tema não define a mim (e nem outras mulheres negras). Então, gosto de papear sobre várias coisas.

Não conhece ainda estes canais? O do YouTube, que terá novidades bem legais em breve, conheça clicando AQUI. O perfil bonitão no Instagram, AQUI.

Ah, uma parada boa de lembrar. Tem também, no insta, o @ateliexongani que, se você ainda não conhece pelo amor de deus faça isso. É o começo da minha história, é um dos meus negócios, de moda negra. Acompanhe por lá o que eu realizo junto com a Cristina Mendonça, minha mãe.

Já o @impactoxongani é um espaço dedicado à educação. A gente fez a primeira turma do Impacto Xongani em 2021, foi um sucesso e esse ano teremos sim Impacto Xongani remodelado com vários aprendizados que tivemos. Quer criar uma marca impossível de ser ignorada? Cola lá! ;-)

Moda e sociedade gente é por aqui mesmo, nesta coluna que eu simplesmente A-MO! Caso você esteja aqui pela primeira vez, vou te dar umas dicas pra começar:

"Camarim da Xongani: por mais presença negra nos bastidores da moda."
"Tranças, penteados e a ancestralidade negra: tem muita moda no Axé"
"Discurso para vestir: a roupa que eu uso também é símbolo de resistência."
"Além da hashtag #pride: marcas devem dar empregos a profissionais lgbtqia+"

Esses são só alguns títulos, tem muito mais coisa aqui nessa coluna que eu, de verdade, tenho muito orgulho e quero que vocês leiam. Então se você for da leitura, se joga!

Twitter? Sim! Logo eu que fujo de polêmicas, estou no Twitter, AQUI. Estou lá falando de política e entretenimento (ok, teve muito "BBB" concentrando esse "entretenimento"). Você também tem a sensação que o Twitter é muito sobre isso?

Cê gosta de podcast? Pois é, temos dois! Apresento dois podcasts lá no Spotify. O primeiro chama Nada Sei, produção da B9, sim, das maravilhosas do Mamilos, para o Instituto Ayrton Senna, sobre educação inclusiva. Tem também o Trampapo, sobre empregabilidade, uma parceria com a Catho, com entrevistas, modéstia à parte, ESPETACULARES. É para quem vai trabalhar, para quem já está trabalhando, para quem está empregando, para quem é empregado, para quem é empreendedor. Indico demais.

Lá no Globoplay tem uma parada que eu amo demais: a primeira temporada do Se essa roupa fosse minha, um programa de moda e consumo consciente. Se você gosta de moda, brechó, transformação de peça, corre lá para assistir. É um programa que eu tenho muito orgulho.

Eu quero que vocês saibam que cada um desses conteúdos, destes canais… Tudo isso que estamos construindo é para vocês! É para ampliar discurso, é para registrar existências como a minha. Olhando pra tudo, impossível não pensar naquela máxima, de quantas vezes mais uma pessoa preta (principalmente mulher) precisa realizar para ser respeitada em sua área de atuação, sabe?

Fica aí a reflexão e vamo que vamo!

E como já sabem, a conversa continua aí nos comentários. Diz o que você acompanha, o que você não sabia da Ana Paula Xongani, o que você mais gosta de ver, ou o que você quer ver além das coisas que eu disse. Vou adorar trocar essa ideia com vocês!