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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Bocão vermelho e delineado: como Juliette subiu a régua da montação no BBB

O fenômeno Juliette Freire: atire a primeira pedra quem não quis copiar os looks da sister - Reprodução/Globo
O fenômeno Juliette Freire: atire a primeira pedra quem não quis copiar os looks da sister Imagem: Reprodução/Globo
Isabella Marinelli

Isabella Marinelli

É jornalista e editora-assistente de beleza em Universa

De Universa

04/05/2021 04h00

Se você esteve nas redes sociais nos últimos 100 dias, deve ter cruzado com algumas centenas de imagens ou referências à advogada Juliette Freire. Favorita ao prêmio de R$ 1,5 milhão da edição deste ano do Big Brother Brasil, a paraibana contou com uma equipe de marketing de 20 pessoas para sustentar o fenômeno midiático que se tornou em pouco mais de três meses. Enquanto escrevo este texto, às 18h30 da segunda-feira (3), ela soma 23,4 milhões de seguidores só no Instagram — número que, aposto, já terá subido enquanto você termina de ler esta frase. Foram vários recordes até agora, de foto mais curtida em menos tempo até números digitais comparados aos de Grazi Massafera e Sabrina Sato, os dois maiores cases de sucesso do programa.

Enquanto o time marqueteiro da advogada se desdobra para criar conteúdo, memes, virais e outros artifícios de alta capacidade de disseminação nas redes aqui fora, lá dentro, sozinha, ela também é uma fábrica de hits em termos de moda e de beleza.

Conversando com amigas sobre o assunto, também lembramos que, anos atrás, nem chapinha tinha nos banheiros da casa do BBB. De algumas edições para cá, o crescimento do mercado de beleza também se manifestou em patrocínio — não à toa, a própria Avon e a Pantene foram duas das gigantes que abraçaram essa mina de ouro que é o reality atualmente. Como bem disse a minha colega Fabi Gomes, nem pegaria bem que meninas e meninos ficassem de cara lavada 24 horas por dia, dada a estante lotada de produtos à disposição.

Ainda que vivamos em tempos de influenciadores digitais gigantescos, o poder da comunicação em massa se provou, mais uma vez, com Juliette na cadeira de protagonista. Era só a sister usar, que instantaneamente reverberavam milhares de fotos e reportagens do estilo "get the look". Sem contar o frenesi entre as marcas.

Em um desses episódios, quando Juliette contou que penteava as sobrancelhas com escova de dentes, a Oral B e a Avon trocaram mensagens públicas no Twitter dando a entender que poderia vir uma collab para desenvolver uma escova focada na maquiagem.

As outras sisters, é claro, também participaram dessa. Sem dar Google, lembro do sucesso das bandanas, lenços na cabeça, top por cima de camisa, tiara estilo "princesa". Entretanto, ainda assim, vejo Juliette como o ícone de beleza da edição — não me matem, eu também sou apaixonada pela forma como Camilla de Lucas usou suas laces todas no confinamento. Mas a gente colou no espelho mesmo foi para fazer os delineados gráficos da "rainha dos cactos".

Antes de entrar para a casa mais vigiada do Brasil, Juliette trabalhava como maquiadora. Mencionou diversas vezes a importância do ofício na cobertura dos custos de vida durante a faculdade de Direito.Apaixonada pelo universo das cores e dos pincéis, Juliette fez do rosto a própria tela. Semana após semana, surgia com olhos marcantes e batons diferentes, que rapidamente viralizavam. Era "delineado vazado da Juliette" para cá, "batom opaco da Juliette" para lá.

Com sua marca registrada, o combo de bocão vermelho, delineado na régua e rabo de cavalo alto à la Ariana Grande, Juliette firmou a persona de influenciadora, contrariando os estereótipos que poderiam ser atribuídos a ela, mulher nordestina, e subindo o patamar da montação dentro da casa — seja nos próprios looks, seja maquiando a galera toda.

Muita gente se encontrou na história de Juliette e, certamente, a beleza tem participação nisso. Não só pelas trajetórias pessoal e profissional que se misturam, mas também pelos ritos e pela identidade imagética que permeiam a construção dos ídolos. Em um mundo de ícones e explosão de imagens, a aparência é parte indissociável das figuras de poder — e isso não tem nada a ver com bonito ou feio, mas com comunicação.

Quando Juliette se pinta, ela diz ao mundo quem é e isso, gostemos ou não, tem muita força. A jornada do herói que ela traçou até aqui, sem dúvidas, deve acabar com gordos contratos publicitários e mais enxurradas de fotos dela nos nossos feeds do Instagram. Eu, que não perco uma oportunidade de me divertir com maquiagem, já estou pronta para o próximo traço.

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