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Golpe do 'emprego de meio período online' vira piada, mas é bom se proteger

Bermix Studio/Unsplash
Imagem: Bermix Studio/Unsplash

De Tilt, em São Paulo

27/04/2022 13h17Atualizada em 28/04/2022 15h23

"Parabéns, você foi selecionado para um trabalho de meio período online, 300 a 5.000 reais por dia". Se você recebeu uma mensagem parecida por SMS ou WhatsApp onde um "gerente de projetos" ou "gestor" pede para retornar o contato, ligue o alerta: é golpe.

Os nomes de empresas famosas como Amazon e Mercado Livre estão sendo usados para convencer potenciais vítimas. Essa estratégia anda tão comum que virou motivo de piada nesta semana.

O desabafo irônico do usuário Pedrinho, que diz não aguentar mais receber mensagens do tipo, já rendeu 19,9 mil compartilhamentos, 130 mil curtidas e mais de 3.000 comentários no Twitter.

Como o golpe funciona?

Em janeiro deste ano, já havíamos contato em Tilt os "segredos" desse tipo de tática. A repercussão da postagem do internauta meses depois só mostra o quanto esse golpe ainda continua comum.

Na mensagem enviada para diferentes contatos, geralmente consta a informação de que você foi selecionado para um emprego de meio período/período integral ganhando bastante dinheiro por dia.

Existem versões de até um salário mínimo por dia — ou mais. Só o que você precisa fazer é clicar num link.

Depois de induzir as vítimas a clicar no endereço de internet com uma proposta financeiramente interessante, você pode ser redirecionado para uma conversa dentro do WhatsApp com o falso contratante.

Essa nova fase do golpe esconde um esquema de phishing feito para roubar dados pessoais e, em alguns casos, até dinheiro de verdade via Pix usando a engenharia social —quando os criminosos convencem as vítimas induzindo-as a fazerem coisas sem que elas perceberem que estão caindo num golpe.

O site Reclame Aqui também acumula denúncias sobre o recebimento de falsas oportunidades de emprego.

Em um dos relatos vistos por Tilt, uma pessoa afirmou ter sido atraída pela promessa de um emprego na Amazon. Ao clicar no link e interagir com o golpista pelo WhatsApp, foi induzida a comprar um suposto curso preparatório de R$ 250.

Procurada na época, a Amazon disse que "nunca solicita informações de acesso, como login e senha, a qualquer consumidor ou entra em contato via WhatsApp para divulgar vagas e oportunidade de renda extra", e confirmou que não tem ligação com a mensagem citando o seu nome.

O Mercado Livre, outra empresa citada em algumas das tentativas de golpe, também disse, através de sua página no LinkedIn, que "não divulga oportunidades de trabalho por SMS, WhatsApp, Telegram ou outros grupos e redes colaborativas".

Um dos sinais de alerta, segundo Julio Cesar Fort, sócio e diretor da empresa de segurança digital Blaze Information Security, são erros de português presentes nessas mensagens.

"O principal indício, entretanto, é uma marca registrada de vários golpes: atrair pela promessa de dinheiro fácil e ganhos rápidos, não seguindo o bom senso e a lógica, acrescenta.

A empresa de antivírus PSafe também chegou a ressaltar que os links compartilhados são boas iscas para golpes. "Os links apresentados constam em nossa base como potencialmente perigosos. Os possíveis prejuízos às vítimas de golpes virtuais são: ter seus dados pessoais e acessos a contas roubados, o que pode levar a perdas financeiras e vazamento de informações sigilosas", disse a empresa em nota.

Uma projeção da PSafe feita com base na população de usuários de Android no Brasil, de cerca de 131 milhões de pessoas, indica que mais de 6,5 milhões delas caíram em algum tipo de golpe envolvendo uma falsa promessa de emprego entre janeiro e novembro de 2021.

Como se proteger?

A melhor coisa a se fazer se você receber uma mensagem dessas é ignorar —apagar e bloquear o remetente também podem ajudar a evitar que novos golpes assim cheguem à sua caixa de entrada.

"Não há um risco imediato ao clicar no link", diz Fort. "O link não leva a nenhum download de malware ou programa malicioso, nem também leva diretamente a uma página falsa com intuito de obter senhas ou dados pessoais."

"Entretanto, ao interagir com a pessoa, ela pode tentar obter dados pessoais através do chat se passando por um recrutador de uma grande empresa. A partir daí, a vítima pode ser ludibriada por esta pessoa, sendo enganada para enviar dinheiro via Pix, ou comprar cartões de presente de lojas etc."

A PSafe também recomenda seguir estas dicas de segurança para evitar ser enganado por golpes de falsas vagas de emprego:

  • Evite clicar em links de fontes desconhecidas, especialmente os que forem compartilhados via aplicativos de troca de mensagem e redes sociais;
  • Crie o hábito de duvidar das informações compartilhadas na internet, principalmente quando se tratar de supostas promoções, brindes, descontos ou promessas de emprego;
  • Nunca informe dados sensíveis em links de procedência duvidosa;
  • Procure sempre confirmar a veracidade das informações nas páginas e sites oficiais das marcas.

*Com matéria de Lucas Carvalho, de Tilt.