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É seguro viajar? Veja tecnologias anticovid dos aeroportos, e as que faltam

Coronavírus afetou principalmente o setor de turismo em todo o mundo - ALBERT GEA/REUTERS
Coronavírus afetou principalmente o setor de turismo em todo o mundo Imagem: ALBERT GEA/REUTERS

Gabriel Francisco Ribeiro

De Tilt, em São Paulo

07/09/2020 04h00Atualizada em 08/09/2020 12h40

Sem tempo, irmão

  • Tecnologias contra coronavírus se espalham por vários setores, incluindo o aéreo
  • Tilt procurou as principais empresas e aeroportos para saber o que mudou
  • Realidade aumentada, check-in remoto e higienização são alguns dos exemplos
  • Mas empresas não mudaram arquitetura dos aviões e nem bloquearam assentos

Lá se vão mais de seis meses desde que o coronavírus chegou oficialmente ao Brasil e um dos setores mais afetados é o de turismo. Desde então, muita coisa mudou em aeroportos e voos para tornar a viagem mais segura —ou pelo menos passar essa sensação a quem voa. Já outros procedimentos do setor continuam iguais.

Tilt procurou as três principais companhias aéreas do Brasil (Latam, Gol e Azul) e os dois aeroportos de maior movimento do país (Congonhas e Guarulhos, ambos em São Paulo) para entender quais novas tecnologias estão presentes e que outras ainda faltam, contextualizando com as invenções que estão surgindo no comércio e outros setores.

O que dá para dizer é que, por um lado, as aéreas e os aeroportos investiram em tecnologias para evitar contatos interpessoais e aglomerações —além, claro, do uso obrigatório de máscaras e afins. Mas, muitas coisas que poderiam mudar continuam iguais, como a arquitetura e a venda de assentos no avião.

O que já existe

Tapete virtual

Tapete Azul, que projeta no chão as fileiras do avião para embarque - na foto, tapete ainda antes de mudanças por causa da covid-19 - Divulgação - Divulgação
Tapete Azul, que projeta no chão as fileiras do avião para embarque - na foto, tapete ainda antes de mudanças por causa da covid-19
Imagem: Divulgação

O que é?

Tecnologia de projeção em realidade aumentada no chão dos assentos para embarque feita pela startup Pacer e adotada pela Azul. Está em funcionamento em nove aeroportos pelo Brasil: Curitiba, Santos Dumont (RJ), Campinas, Congonhas (SP), Vitória, Florianópolis, Recife, Belo Horizonte e Goiânia.

Como funciona?

A ideia do tapete surgiu antes da covid-19, mas ganhou impulso com o atual momento. A tecnologia funciona por meio de 12 projetores, com quatro câmeras no teto e mais dois monitores para as pessoas poderem ver o que está sendo projetado no chão. O tapete ainda conta com inteligência artificial e reconhecimento de pessoas para saber o que projetar. Ele só "anda" a fila se as pessoas estiverem de fato andando.

Com a pandemia, a Azul adaptou o tapete para obter mais distanciamento físico: dispôs em ziguezague para distanciar mais de um metro e meio entre as fileiras de pessoas. "Sem o tapete virtual, teria que ter marcação no chão e não haveria espaço para fazer isso com 130 pessoas em nenhum aeroporto", diz ao Tilt Giuliano Podalka, gerente de projetos especiais da aérea.

A Azul cita uma pesquisa da Infraero de novembro, que apontava que o tempo na fila para embarque foi reduzido de 18 minutos para apenas dois minutos com o tapete. Isso porque o tapete evitou que as pessoas ficassem em pé antes do embarque em filas próximo ao portão, como normalmente acontece: ele só é projetado ao iniciar o embarque.

Os únicos grupos que "burlam" a marcação do tapete virtual são os de prioridade, determinado por lei, e quem tem cartão diamante da aérea. A Azul garantiu exclusividade para usar a tecnologia da Pacer, patenteada no Brasil, Europa e Estados Unidos segundo a companhia.

Já Gol e Latam têm optado por usar adesivos no chão para marcar o distanciamento entre as pessoas, algo que é visto também em caixas de lojas e supermercados. Há também instruções para evitar aglomeração.

Faz sentido?

Segundo médicos ouvidos por Tilt, o Tapete Azul, como é chamado pela empresa, faz sentido e ajuda a diminuir a chance de contágio do coronavírus. Especialistas lembram que ele ajuda a mudar algo cultural do brasileiro.

"Quanto mais puder equacionar pessoas para não se acumularem, melhor. Brasileiro é ansioso para entrar na fila do avião. Isso é fantástico. Mas é importante haver separação e distanciamento nos bancos e nas salas de embarque", afirma Alexandre Barbosa, membro titular da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

Check-in remoto

Latam colocou monitores para tirar atendentes físicos do check-in - Divulgação - Divulgação
Latam colocou monitores para tirar atendentes físicos do check-in
Imagem: Divulgação

O que é?

Companhias aéreas tem investido em soluções para evitar contatos entre pessoas na hora do check-in. A solução mais interessante é a da Latam, que tirou os funcionários fisicamente de alguns balcões e colocou no lugar monitores. Essa novidade está disponível em Congonhas, Santos Dumont, Vitória e Florianópolis.

Como funciona?

A Latam usa um monitor integrado com um sistema de videoconferência para tirar o funcionário da área do check-in. Ao chegar a sua vez na fila, o passageiro conversa com o atendente da aérea por esse monitor e é instruído sobre o que precisa fazer. O atendente vê o funcionário por uma câmera, enquanto outra na área da colocação da bagagem cuida da aferição do peso.

Essa tecnologia permite até mesmo que o funcionário no monitor sequer esteja no aeroporto. Um funcionário em uma sala de Congonhas poderia atender uma pessoa na fila do check-in no Rio de Janeiro, por exemplo. Toda a comunicação é feita pela rede da Latam, com cabeamento do aeroporto.

"Tudo o que fazia antes é feito hoje, o documento é conferido pela câmera. O mais interessante é que os tempos de atendimento estão similares. Tem uma marcação visual e nosso atendente vai orientando o cliente com frases como 'do lado direito está a esteira de bagagem' ou 'tem um botão do lado esquerdo'", explica Pedro Baron, gerente de operações de aeroportos da Latam.

Outras companhias, como Gol e Azul, têm incentivado o check-in remoto, pelo celular ou computador do usuário. A Gol informou à reportagem que desligou tótens em alguns aeroportos para evitar o contato do usuário com superfícies. A Azul tem adotado a mesma estratégia.

Quando há uma interação com um funcionário, a alternativa foi colocar proteções de acrílico, da mesma forma que diversos estabelecimentos comerciais têm atualmente pelo Brasil.

Fora do Brasil, experiências nos Emirados Árabes, Estados Unidos, Reino Unido e Japão realizam o check-in de passageiros e bagagens fora do aeroporto, seja em casas, hotéis ou shoppings. Isso é previsto por entidades como uma das próximas grandes mudanças da aviação, impulsionada pela covid-19.

Faz sentido?

Para Paulo Petry, mestre e doutor em epidemiologia e professor da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), a solução do check-in remoto da Latam ajuda a diminuir a possível transmissão do coronavírus por meio da fala. As barreiras físicas com acrílico também são indicadas pelos médicos ouvidos pela reportagem.

"O vírus tem transmissão por contato e aerossóis da fala. Acrílico é eficiente, distanciamento é eficiente. É o mesmo principio do pagamento sem toque, aproximação com o celular, tudo é útil", cita Petry.

Aferição de temperatura e câmeras térmicas

Medida de controle ao coronavírus no desembarque do aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro - RICARDO MORAES - RICARDO MORAES
Medida de controle ao coronavírus no desembarque do aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro
Imagem: RICARDO MORAES

O que é?

Alguns aeroportos estão usando câmeras térmicas ou medindo temperaturas de passageiros e funcionários.

Como funciona?

A câmera térmica foi adotada pelo Aeroporto de Guarulhos. O equipamento consegue identificar a temperatura corporal de várias pessoas ao mesmo tempo. Ele pode acusar quem estiver com febre, um dos sintomas da covid-19.

Segundo o aeroporto, a câmera infravermelho utiliza inteligência artificial e um calibrador para registrar as temperaturas dos passageiros na área pública do Terminal 2. Equipamentos do tipo conseguem emitir alertas para ação imediata se é detectada alguma pessoa com temperatura acima do normal.

Segundo a Abese (Associação Brasileira das Empresas de Segurança Eletrônica), as vendas de câmeras térmicas mais que dobraram de março a maio deste ano. Equipamentos do tipo são vistos em diversos estabelecimentos públicos, como shopping centers, e estão chegando em locais de trabalho, como fábricas.

Já o Terminal 3 do aeroporto mede temperatura por métodos convencionais, da mesma forma que algumas lojas realizam individualmente com termômetros digitais.

Faz sentido?

A medição de temperatura é um ponto questionado por especialistas, que veem mais como uma medida para intimidar do que diminuir a propagação do vírus. Eles apontam que a implementação não traz malefícios, mas que dificilmente pode agir para impedir a doença.

"Vejo mais como uma medida educativa. Existe uma premissa básica de respeito que deveríamos ter sempre: não sair de casa se tiver doente, não só de covid. Ao colocar um termômetro, intimida. Em termos de efetividade não funciona muito porque até 60% dos infectados por covid não manifesta febre", opina Barbosa.

Para Petry, por outro lado, pessoas que viajam podem forçar a barra e tentar se locomover mesmo febris, algo que as câmeras flagrariam, mas o efeito é limitado aos sintomáticos.

Higienização reforçada

Membros das forças armadas desinfetam o Aeroporto Internacional de Brasília, em meio ao surto de doença por coronavírus  - UESLEI MARCELINO/REUTERS - UESLEI MARCELINO/REUTERS
Membros das forças armadas desinfetam o Aeroporto Internacional de Brasília, em meio ao surto de doença por coronavírus
Imagem: UESLEI MARCELINO/REUTERS

O que é?

A higienização reforçada, com diferentes técnicas, é um ponto comum citado por todos os envolvidos em aeroportos.

Como funciona?

Um dos principais efeitos da pandemia é a mudança na maneira como vemos a higiene. O aeroporto de Guarulhos, por exemplo, passou a adotar uma esterilização automática com luz ultravioleta em locais onde há maior circulação de pessoas, como corrimões de escadas. Existem aeroportos fora do Brasil usando robôs para fazer a esterilização com esse tipo de luz.

Já Congonhas aumentou a limpeza de áreas gerais desde o início da pandemia. Em junho, o aeroporto chegou a ser desinfectado por um grupo de cerca de 40 militares com um produto italiano à base de cloro e detergente, diluídos em água.

A Latam tem optado pela pulverização em seus voos na entrada e saída de aeronaves, com uso de produtos presentes em cartilhas nacionais e internacionais validadas pelo setor aéreo, com foco principal nas áreas internas onde há contato humano.

A Gol também relata uma maior higienização interna, com "atenção redobrada aos assentos e os braços das poltronas, cintos de segurança, bandejas, piso e paredes". A Azul também destaca ter implementado um procedimento mais rígido de higienização e no último mês passou a adotar o ultravioleta como uma "camada a mais de segurança".

Faz sentido?

Tudo depende dos produtos e das técnicas usadas, mas higienização é sempre bem-vinda. A ultravioleta, contudo, deveria ser feita com mais cuidado, para Petry. "O ultravioleta atinge o olho humano, não é jogar ultravioleta a esmo", cita.

Já Barbosa discorda do ultravioleta e afirma que "não existem trabalhos que comprovem a efetividade na esterilização". Para ele, o mais indicado é o mais básico: água e sabão.

Sensores de aglomeração

Coronavírus: Vista do saguão de check-in do Aeroporto de Congonhas, na zona sul da cidade de São Paulo - Mister Shadow/Asi/Estadão Conteúdo - Mister Shadow/Asi/Estadão Conteúdo
Coronavírus: Vista do saguão de check-in do Aeroporto de Congonhas, na zona sul da cidade de São Paulo
Imagem: Mister Shadow/Asi/Estadão Conteúdo

O que é?

Sensores que detectam aglomerações em determinadas localidades.

Como funciona?

O aeroporto de Guarulhos instalou sensores de aglomerações nos banheiros do saguão de embarque dos terminais de passageiros. Eles conseguem monitorar, com ajuda de inteligência artificial, a movimentação nesses locais e a necessidade de manutenção.

Diversas empresas têm apostado em soluções do tipo. A startup Where —que é uma parceria do estúdio de soluções digitais Bolha com a consultoria de inovação Questtonó— conta com um app para tornar a gestão de espaços mais eficiente, com visualizações melhores de áreas ocupadas e vazias em escritórios.

Da mesma forma, lojas também estão usando sensores para controlar o número de pessoas dentro de seus estabelecimentos. É o caso, por exemplo, de grandes redes como Riachuelo em shoppings.

Faz sentido?

Para os médicos, a solução de Guarulhos se encaixa no que é preciso para o momento: evitar aglomerações. Mas, pode ser ineficaz porque a aglomeração só é controlada pelo número de pessoas e não pela proximidade entre elas dentro do local.

"É muito simples a equação: você pega a área de um local, um banheiro, loja de aeroporto ou saguão, e calcula a quantidade de pessoas que dê a distância de dois metros entre elas. E você deixa um limite. Agora se as pessoas lá dentro se aglomeram é outra história, mas funciona", elogia Barbosa.

O que não existe

Menos lugares no avião ou mudança arquitetônica

Passageiro com máscara no avião - Getty Images - Getty Images
Passageiro com máscara no avião
Imagem: Getty Images

O que é?

Diminuição de lugares vendidos no avião ou mudanças arquitetônicas para criar mais barreiras físicas entre as pessoas internamente.

Como funcionaria?

Na retomada do comércio, alguns setores estão adotando mudanças para evitar que pessoas fiquem próximas umas das outras, como ocorre em aviões lotados. A Ingresso,com, por exemplo, desenvolveu para os cinemas uma tecnologia chamada "Mapa de Assentos com Distanciamento Social Dinâmico".

A novidade funciona da seguinte forma: o usuário compra seu ingresso e de acompanhantes e, automaticamente, o sistema bloqueia os assentos próximos para as vendas seguintes, realizando o distanciamento físico recomendado por especialistas. O número de cadeiras bloqueadas pode ser personalizado de cinema para cinema.

No ramo de transportes, a Buser, apelidada de "Uber do ônibus", retomou as atividades de forma diferente: são vendidos apenas os assentos da janela, realizando um certo distanciamento entre passageiros.

Nenhuma das três aéreas ouvidas por Tilt disse ter tomado medidas para diminuir o número de assentos em seus voos ou fez mudanças arquitetônicas internas. Elas lembram que aviões contam com filtros de ar diferenciados, que capturam 99,9% de partículas microscópicas, como bactérias e vírus, ao promover a renovação do ar a cada três minutos.

Algumas companhias, como a Latam, têm realizado o distanciamento físico entre passageiros nos voos quando há espaço para isso, em aviões que não têm sua capacidade total preenchida.

Faz sentido?

Para médicos, é um erro as companhias aéreas não realizarem o distanciamento físico oferecendo menos lugares no avião. Segundo Barbosa, não se pode pensar simplesmente na troca de ar.

"Não adianta nada trocar o ar. O vírus não se transmite por ar, é por pessoa. Claro que isso é econômico, o custo operacional do voo nem se compara ao custo operacional do cinema. Nesse caso, passageiros precisam constantemente usar máscara, a transmissão acontece mesmo com máscara, mas é muito menor", afirma.

Tapete esterilizador

Tapete sanitizante já existe em estabelecimentos comerciais - Reprodução - Reprodução
Tapete sanitizante já existe em estabelecimentos comerciais
Imagem: Reprodução

O que é?

Tapete que promete esterilizar os sapatos.

Como funcionaria?

Visto em diversos estabelecimentos comerciais e até residenciais, o tapete esterilizador conta com um líquido antimicrobiano. Eles possuem uma borda mais rígida, onde seguram o líquido, e a trama central de fios é mais porosa para que haja contato com as solas dos sapatos.

Nesse caso, a pessoa pisa para molhar a sola do sapato e, aí, esterilizar possíveis organismos que estejam no calçado. Nenhuma companhia aérea e nem os aeroportos de Guarulhos e Congonhas citou esse equipamento. Após a publicação da matéria, o Floripa Airport, da capital catarinense, informou utilizar o recurso em vários pontos de sua estrutura.

Faz sentido?

Na opinião de Petry, o tapete poderia ajudar, dependendo do líquido colocado. O médico cita que a tecnologia funciona para remover microorganismos. Já Barbosa é mais crítico e não vê muita diferença no uso disso. Para ele, é uma medida que na prática seria uma "perfumaria", já que a chance de contágio dessa forma é pequena porque as pessoas não costumam colocar a mão diretamente na sola ou no chão.

Embarque sem contatos

Delta já usa sistema de reconhecimento facial para embarques - Reprodução - Reprodução
Delta já usa sistema de reconhecimento facial para embarques
Imagem: Reprodução

O que é?

Embarque em aeroportos sem contato com pessoas ou itens, apenas uso de biometria.

Como funcionaria?

Diversas empresas estão aderindo à biometria, como reconhecimento facial, para diminuir os toques necessários dados por seus empregados. Da mesma forma, os aeroportos caminham para um futuro cada vez mais sem toque, mas isso ainda não é uma realidade.

Em Dubai, a Emirates e autoridades de imigração passaram a testar recentemente uma jornada biométrica do passageiro em que eles não precisariam dar o passaporte ou cartão de embarque do check-in até a aeronave —tudo seria feito por biometria. Já a norte-americana Delta testa embarque com reconhecimento facial desde antes da pandemia.

No Brasil, o Serpro anunciou uma fase piloto de uma tecnologia bem semelhante à de Dubai, que por aqui chamará "Embarque Seguro" e deve começar a funcionar em setembro no aeroporto de Florianópolis. Com essa tecnologia, a validação do embarque seria feita por duas selfies e o viajante não precisaria mostrar documentos ou cartões de embarque.

As companhias, por enquanto, adotam estratégias diferentes. A Latam faz um embarque com leitura do cartão à distância. Já a Azul criou um cartão de embarque único para todos os trechos da viagem.

Faz sentido?

Para os especialistas, sim. Na opinião deles, "tudo que possa ser feito de modo eletrônico, sem contato pessoal, ajuda".

Fila de segurança

Ponto de controle de segurança e scanner de corpo no Aeroporto Nikola Tesla em Belgrado, Sérvia - Paul Prescott/Getty Images - Paul Prescott/Getty Images
Ponto de controle de segurança e scanner de corpo no Aeroporto Nikola Tesla em Belgrado, Sérvia
Imagem: Paul Prescott/Getty Images

O que é?

Filas de segurança são locais de maiores aglomerações em aeroportos de todo o mundo, para checagem pessoal e de itens nas malas. Distanciamento social é mais difícil nesses locais.

Como funcionaria?

Mudança no funcionamento das filas de segurança não foram mencionadas por nenhum dos dois aeroportos a Tilt. Fora do Brasil, aeroportos estão testando formas de realizar agendamentos para essas etapas. No aeroporto de Montreal, no Canadá, os próprios passageiros tiveram a possibilidade de agendar suas checagens de segurança.

Enquanto isso não acontece por aqui, o distanciamento social é lembrado para as filas, da mesma forma que ocorre em caixas de estabelecimentos comerciais, por meio de adesivagem no chão.

Faz sentido?

Na opinião dos médicos, sim, já que qualquer coisa que gere um distanciamento social ajuda.

Materiais antivirais

Máscara e luva com tecido anticovid da Becauz - Divulgação - Divulgação
Máscara e luva com tecido anticovid da Becauz
Imagem: Divulgação

O que é?

Uso de materiais que matam o vírus, seja em uniformes diferenciados para atendentes de bordo ou em superfícies.

Como funcionaria?

Algumas companhias aéreas adotaram uniformes diferenciados para os atendentes de voos se protegerem do coronavirus. A AirAsia, por exemplo, passou a usar roupas que deixam os funcionários parecendo cientistas de laboratórios de biossegurança de nível máximo.

Há, ainda, no mercado tecidos e roupas que prometem proteger do coronavírus. O agente antiviral do tecido é composto por diversas substâncias, incluindo íons de prata —metal com propriedades antibacterianas. Ele causa uma afinidade eletrônica (um tipo de fenômeno físico-químico) que rompe o envelope de gordura do vírus e neutraliza suas regiões externas de proteína (as "coroas" que ancoram nas células humanas).

A solução também pode ser usada para revestir superfícies. Está em andamento um teste em São Paulo com o material revestindo assentos e barras de apoio de ônibus —a intenção é ampliar para o Metrô.

No Brasil —e na maioria dos países— o comum tem sido a adoção de máscaras e luvas para os atendentes. Além disso, foram feitas mudanças no serviço de bordo. Na Latam, ele ocorre com "interação mínima"; na Gol, é oferecido somente na saída da aeronave, evitando a retirada da máscara; e na Azul, ele foi diminuído.

Faz sentido?

Segundo Paulo Petry, materiais antivirais inviabilizam a replicação do vírus, "então tem efeito sim". "Se você usa uma superfície antiviral, o vírus não fica viável. Todos locais de aglomeração vão precisar fazer algum bloqueio na circulação do vírus. Essas medidas todas fazem parte de um conjunto de barreiras sanitárias", diz.