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Bactérias "gritam" ao morrer e avisam "colegas" pra resistir a antibióticos

Bactérias contam com mecanismos para avisar grupo sobre ameaça mortal - iStock
Bactérias contam com mecanismos para avisar grupo sobre ameaça mortal Imagem: iStock

Nicole D'Almeida

Colaboração para Tilt

25/08/2020 15h32

Cientistas descobriram que as bactérias que vivem em comunidade "gritam" ao morrer, avisando as bactérias vizinhas do perigo. Esses "gritos" não são audíveis, mas sim alarmes químicos emitidos pelas bactérias moribundas. Essa ação é conhecida como "necrosignaling", neologismo em inglês que pode ser traduzido como necrosinalização.

Neste novo estudo publicado pela revista Nature e realizado pelos pesquisadores da Universidade do Texas, em Austin, foram observadas colônias de bactérias enquanto interagiam com antibióticos. O objetivo era descobrir como as células mortas podem ajudar a salvar o resto do grupo.

Em estudos anteriores, os pesquisadores notaram que as populações em colônia mostravam resistência aos antibióticos, apesar de cerca de 25% da colônia sofrer morte celular. De acordo com eles, as bactérias mortas pareciam proteger as sobreviventes de alguma forma, mas ainda não se sabia como.

O novo estudo explicou, então, como funcionaria a necrosinalização. Uma bactéria da colônia avisa aos seus companheiros que há uma ameaça mortal, como um antibiótico. Estes, por sua vez, começam a se adaptar rapidamente à ameaça, aumentando, assim, suas chances de sobrevivência.

Os cientistas notaram que as células vivas foram vistas migrando para longe da fonte de antibiótico, ou seja, da célula atingida, levando a uma sugestão de que a morte celular que emana em torno desta fonte libera um "sinal" de perigo que contribui para a resistência das demais.

Entretanto, as bactérias moribundas não enviaram apenas um alerta, mas também ativaram uma bomba de efluxo (a saída de uma substância para fora da célula) na membrana externa das células vivas para que começassem a liberar o antibiótico para fora delas.

Essa ação fez mais do que proteger os sobreviventes. Ela promoveu uma resistência futura aos compostos que mataram as bactérias vizinhas. Essas descobertas são um grande passo para criação de uma estratégia melhor para derrotar as infecções bacterianas.