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Como seria se o mundo ficasse sem eletricidade?

Carolina Herrera/ UOL
Imagem: Carolina Herrera/ UOL

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt

11/08/2020 04h00

A eletricidade ocupou tanto espaço no nosso cotidiano que a usamos de maneira trivial e sem pensar. Até mesmo quando nossa casa sofre algum apagão, ainda temos acesso ao recurso —ao menos enquanto durarem as baterias de smartphones, notebooks, tablets etc— ou às vantagens de seu uso, como os alimentos ainda resfriados no interior da geladeira por um tempo. Agora consegue imaginar o mundo sem ela, para sempre?

Por ser um recurso tão enraizado, é difícil precisar como seria se o mundo ficasse sem eletricidade. Mas é possível imaginar algumas consequências e elas não seriam nada boas.

Sem mundo digital

Em um mundo sem eletricidade, não teríamos um dos pilares da sociedade atual: a internet. De uma hora para outra, tanto o acesso à informação quanto qualquer processo que dependesse da rede mundial de computadores seria interrompido.

A lista de serviços e processos é enorme e vai muito além daquele filme ou série que você curte ver na Netflix. Essa seria uma situação ainda mais crítica em um cenário como o atual, com muitas empresas funcionando com colaboradores em regime de home office e, também, pessoas que trabalham à distância.

E isso nos leva a outro cenário.

A economia mundial ruiria

Em um mundo sem eletricidade, não é exagero nenhum pensar que a economia seria destroçada. Para termos ideia, das dez marcas de maior valor no mundo hoje segundo a Forbes, seis são totalmente ligadas à tecnologia (Apple, Google, Microsoft, Amazon, Facebook e Samsung). E uma delas, a Disney, tem boa parte dos seus negócios ligados ao mundo digital ou de telecomunicações.

Isso não quer dizer que empresas de outros nichos não sofreriam impactos consideráveis e até mesmo teriam seus negócios inviabilizados.

A Coca-Cola, sexta colocada dessa lista, manteria a atual produção de bebidas em um mundo sem eletricidade? Ou ainda, como a Louis Vuitton, nona na lista, fabricaria seus produtos nessas condições? E como os hambúrgueres e sorvetes do McDonald's, décima colocada, seriam feitos? Como essa empresas, que operam com filiais ao redor do mundo, conseguiriam manter suas operações?

Para boa parte dessas perguntas, a resposta seria um sonoro "impossível". Daí é possível ver o quanto a economia atual não se sustentaria em um mundo sem eletricidade.

Cidades em caos

Sem eletricidade, as cidades parariam. Não falo somente do trânsito que ficaria caótico com semáforos apagados. Sistemas de transporte como trens e metrôs também deixariam de circular.

Até mesmo carros convencionais não teriam como funcionar, porque sistemas eletrônicos regem o funcionamento das partes mecânicas de automóveis, ônibus e caminhões.

Serviços essenciais, como o fornecimento de água —feito com bombas que funcionam com eletricidade— seriam interrompidos. Sem energia, elevadores e construções verticalizadas, como edifícios, se tornariam inviáveis.

Situações como essa e até a provável necessidade de cultivar seu próprio alimento fariam as cidades sofrerem um êxodo de pessoas, que rumariam para o campo.

Mais pessoas passando fome

Outro setor que sofreria um grande impacto é o de produção de alimentos. Sem máquinas para cultivar o campo ou automatização de rebanhos, não haveria mão de obra suficiente para produzir comida na escala que a população mundial exige.

E, mesmo que os alimentos continuassem a ser produzidos, seria impossível estocar os mais perecíveis, já que não haveria geladeiras. As pessoas passariam a depender da produção local e, provavelmente, o desperdício de alimentos aumentaria.

Medicina sob risco

O próprio funcionamento de hospitais ficaria em xeque. Contextualizando com a pandemia de covid-19, por exemplo, aparelhos fundamentais como respiradores não funcionariam, o que aumentaria ainda mais o já altíssimo número de vítimas das doenças.

Pesquisas para curas de doenças, bem como a produção de medicamentos, também seriam severamente impactadas, fazendo com que a expectativa de vida das pessoas diminuísse consideravelmente. Por tabela, isso causaria uma queda na população mundial.

Dependência ainda maior de combustíveis fósseis

Ainda que a eletricidade não possa ser considerada um recurso natural, suas características e seu uso mais amplo ajudam a diminuir a dependência da humanidade sobre os combustíveis fósseis —que são recursos finitos e que geram impactos no ambiente.

Isso faria a humanidade retornar aos tempos de Revolução Industrial, com uso de máquinas movidas a carvão e vapor e, consequentemente, muito mais poluentes do que as atuais. O maior problema aqui é que a escala de poluição —considerando que a população mundial é cerca de sete vezes maior do que a da época— seria muito maior, a ponto de acelerar o esgotamento das reservas de combustíveis do tipo e acelerar as já críticas mudanças climáticas.

Fontes:

Renato Giacomini, coordenador do departamento de Engenharia Elétrica da FEI
Luís Guilherme Rolim, professor da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Poli-UFRJ)