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Graças a esta brasileira, você não precisa pagar por antivírus no Windows

Glaucia Young é líder de cibersegurança da Microsoft e trabalha na empresa há mais de 20 anos - Divulgação
Glaucia Young é líder de cibersegurança da Microsoft e trabalha na empresa há mais de 20 anos Imagem: Divulgação

Bruna Souza Cruz

De Tilt, em São Paulo

20/01/2020 04h00

Com a evolução da tecnologia, os crimes virtuais também ganham recursos ultra-avançados. A inteligência artificial está aí para provar: ao mesmo tempo que facilita a nossa vida, ela também tem sido explorada para otimizar ataques online. Mas, se depender de uma brasileira nascida em Pontalina, interior de Goiás, os cibercriminosos que se preparem.

A cientista da computação Glaucia Young trabalha na sede da Microsoft, nos Estados Unidos, desde 1998 e boa parte de sua carreira foi dedicada ao desenvolvimento de soluções para tornar o Windows mais seguro e independente de antivírus de terceiros.

Atualmente, a especialista ocupa o cargo de diretora de engenharia e parceiros de software da empresa. Em visita ao Brasil no final do ano passado, Young contou ao Tilt um pouco sobre a sua história pessoal e profissional, além de dar dicas de como podemos nos proteger das ameaças virtuais.

Podemos até dizer que ela é uma das "culpadas" pelo fato de os usuários do Windows não precisarem mais pagar para ter antivírus em seus computadores e notebooks.

Como chegou até a Microsoft?

Young descobriu o interesse pela tecnologia bem cedo, durante o segundo grau do colégio, cursado em uma escola pública de Pontalina. Um cursinho de computação chegou na cidade e seu pai decidiu fazer a matrícula. Foi paixão à primeira vista.

"Achei muito legal essa coisa de programar e ver o computador pela primeira vez. Anos depois prestei vestibular para ciência da computação [na Universidade Federal de Goiás] e biomedicina [PUC Goiás]. Mas estava realmente interessada em tecnologia e desisti da minha vaga na Católica", contou.

Alguns parentes e conhecidos até questionaram o interesse da futura universitária pela área, mas o apoio dos pais foi fundamental para que ela continuasse o seu caminho pelas ciências exatas.

"Naquela época as pessoas não entendiam ainda o potencial de tecnologia. E nem eu mesmo para te falar a verdade. Mas, claro, esperava uma reação diferente. Alguns diziam 'vai fazer medicina que é melhor'", lembrou.

Assim que concluiu a graduação, Young já grudou um mestrado após ser aprovada na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Outra grande mudança de vida. Depois de ter saído da cidade natal, se mudado para Goiânia, chegava a hora da estudante morar em outro estado.

"Vim para São Paulo sem conhecer ninguém e foi uma grande adaptação. Já no meu segundo ano [e último do mestrado] ouvir falar que a Microsoft estava vindo para o Rio de Janeiro para entrevistar pessoas. A minha filosofia era 'por que não?'. Recebi a oferta de trabalho antes mesmo de defender e a Microsoft esperou [pela conclusão do mestrado]", lembrou Young.

Já nos Estados Unidos, a cientista da computação conta que recebeu muito apoio dos colegas e da própria empresa. Havia grupos de funcionários de várias nacionalidades, mas ela, claro, acabou se aproximando mais do de brasileiros.

"Eu tive bastante suporte, do meu grupo, da minha gerente, que era uma mulher. Ela notou que eu tinha certa dificuldade com inglês e me pagou aulas particulares. Então tudo isso ajudou.", afirmou a executiva.

Para chegar ao cargo de diretora, Young destaca que sempre tentou ter uma visão racional de onde podia chegar. Mas nada foi forçado. "Eu via o próximo passo e via que precisava sair da área de conforto. E isso foi me puxando e acabei aqui. Aos poucos descobrindo o meu potencial", ressaltou.

"Mulher Maravilha" da segurança

Young brinca que se sente como uma super-heroína contra os criminosos virtuais. Os desafios ficam mais e mais complexos, mas não existe tempo ruim para ela.

No início de sua carreira, a cientista da computação passou por várias áreas da Microsoft. Trabalhou com sistemas de mensagens e emails e até na divisão móvel com o Windows Phone. Mas em 2011 começou a focar os seus esforços em projetos de segurança para as plataformas da empresa.

Desde então, não parou mais. Ela já liderou uma equipe de mais de cem pessoas remotamente com profissionais em várias partes do mundo (como Alemanha, Austrália, Canadá, Israel). Atualmente, ela é responsável, principalmente, por funcionários nos Estados Unidos e alguns membros da equipe na África.

Entre os projetos que participou, podemos destacar a criação e melhorias do:

  • Microsoft Security Essentials: antivírus gratuito da empresa que surgiu com o Windows 7;
  • Windows Defender: evolução do sistema de segurança Essencials que passou a ser integrado ao Windows a partir da versão 8. Algumas de suas funções são varredura automática de ameaças e detecção de programas espiões, por exemplo;
  • Windows S Mode: uma versão simplificada do Windows 10. Segundo a empresa, ela é mais segura ao permitir somente que aplicativos da Microsoft Store (loja de apps) sejam usados. O navegador padrão precisa ser Edge, o substituto do Internet Explorer.

"Os atacantes estão sempre fazendo coisas novas e usam a inteligência artificial para criar ataques sofisticados. Precisamos usar as mesmas táticas para processar todos esses dados, todos os sinais de ameaça que estão vindo", destacou a brasileira.

Sua equipe processa mais de oito trilhões de dados por dia, e por isso a inteligência artificial é fundamental para processá-los. "Temos algoritmos para identificar ameaças. Então, ela nos ajuda a fazer o nosso trabalho", completou.

Morte das senhas

Sobre tendências de segurança para o futuro, a executiva destaca que ela e sua equipe lutam por "um mundo sem senhas". Mas, calma. Não é isso o que você está pensando.

As senhas ainda são uma forma segura de manter os nossos dispositivos protegidos. Mas Young alerta para o fato de que muitas pessoas ainda usam combinações simples e fáceis de serem descobertas, ainda mais com ajuda da inteligência artificial. Por isso a Microsoft defende o uso de biometria nos aparelhos eletrônicos. Impressão digital e o reconhecimento facial são os principais exemplos.

"A gente tem dados que mostram que, se você usar muitos fatores de proteção, você reduz o risco de ter sua identidade roubada em 99%", destacou. "Então realmente é uma coisa que a gente está investindo."

Como nos manter seguros online

Segundo a profissional, algumas práticas simples podem manter os nossos dispositivos mais seguros, sejam eles computadores, notebooks e celulares:

  • Manter atualizado o sistema operacional de todos os dispositivos;
  • Refletir sobre sua senha. Em geral, os usuários escolhem combinações fracas (datas de nascimento, nomes de parentes). Se for possível, use a tecnologia de biometria. É mais segura. Caso não possa, use senhas fortes (com caracteres misturados, uso de números, letras);
  • Dar atenção aos ataques phishing. Não clique em links suspeitos recebidos por e-mails, mensagens SMS e etc.;
  • Manter um programa de antivírus instalado em seu dispositivo e o atualize sempre.

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