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Alugar robôs para resolver a vida? Existe no Brasil, mas a diária é cara

Promobot V4 participa de evento em universidade paulista - Divulgação/Umbô
Promobot V4 participa de evento em universidade paulista Imagem: Divulgação/Umbô

Rodrigo Trindade

Do UOL, em São Paulo

14/02/2019 04h00

Foi-se o tempo em que robôs eram coisa do futuro. Eles estão na recepção de hotéis, preparam café e até ajudam no combate a incêndios. Agora, isso não significa que qualquer um pode arrumar um desses para ficar em casa, ou ajudar no trabalho, de forma definitiva. Mas um mercado ascendente surge para preencher a necessidade de ter uma máquina inteligente ao seu lado para realizar uma ou outra tarefa.

Ainda incipiente, o aluguel de robôs é uma opção para brasileiros que desejam ter um auxiliar por um número limitado de dias. Eles não fazem qualquer tipo de atividade (ainda bem!), mas já são versáteis tanto para uma atuação industrial, quanto para informar aos visitantes de uma feira comercial o que a sua empresa faz.

É o que a metalúrgica Metso fez em dois eventos, um em São Paulo e outro em Belo Horizonte. A empresa queria um diferencial para seu espaço e encontrou nos robôs um atrativo. "No evento em Belo Horizonte, a gente chamou diversos clientes para fazer apresentações. Na hora de recepcionar, pela manhã, o robô ficava ativo conversando com todo mundo. Ele andava pelo saguão e reconhecia a fala", relatou Wendell Silva, analista de marketing da Metso:

A inteligência do robô permite que você faça perguntas e ele responda. Do tipo 'o que a Metso faz? O que a Metso vende?' Ele ficou de forma autônoma interagindo com os clientes

O robô em questão foi contratado da Umbô, empresa que promove esse aluguel de máquinas para quem busca atrair atenção em situações como grandes eventos comerciais. A startup usa produtos da russa Promobot, responsável pela fabricação do robô humanoide capaz de atuar como recepcionista, promotor, consultor e de outros casos de uso - basta programá-lo para tal.

Os robôs fornecidos pela empresa brasileira já atuaram também como um informante interativo de shopping. No período do Natal de 2018, a máquina ficou zanzando por um centro comercial de São Paulo, se comunicando com os clientes que queriam encontrar a localização de lojas, saber que filmes estavam em cartaz no cinema do local, entre outras atividades.

Segundo Elena Senik, fundadora da Umbô, quem tem buscado esse tipo de serviço são empresas que querem "se associar a conceitos como tecnologia e inovação". O robô materializa essa imagem moderna e atrai atenção do público, mas pode fazer muito mais do que isso.

A intenção é começar a lugar e vender robôs não só pelo 'efeito uau', mas também por sua utilidade

Elena Senik

Mas ela mesma admite que este é um ramo que engatinha. Para empresas que alugam seus robôs, é bom que o mercado tem começado a se abrir para novas possibilidades de aplicação.

"O mundo inteiro está caminhando para customização cada vez maior, em todos os tipos de produtos. Os robôs humanoides permitem criar o seu 'jeito de ser' para cada cliente. Integrações, parte cognitiva, funcionalidades - tudo isso é desenvolvido por aqui", explicou Senik.

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Entenda

Quem aluga não precisa programar a máquina para funcionar como desejado, pois o robô já é entregue com as funções habilitadas, para que ele chegue pronto para uso. De acordo com Wendell, o equipamento alugado também ficava conectado à central da empresa locadora, disponível para eventuais ajustes necessários depois que o robô fosse entregue.

"Os robôs vem programados com uma base comum: funções básicas, conteúdo de conversação geral, aplicativos internos e outros. Mas é criada para cada cliente uma base de conteúdo customizada, seja ela falas, vídeos, aplicativos, imagens, pois o contexto e objetivos dos eventos variam muito", disse Senik.

Essa versatilidade pode ser exemplificada por três ocasiões em que a Universidade São Judas chamou os robôs. Em uma semana de palestras dos cursos de engenharia, os robôs receberam informações sobre alunos e professores, vindas de redes sociais e dos próprios professores, e interagiram de forma personalizada com cada indivíduo.

Já em um evento preparatório para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), os alunos podiam treinar para a prova com o robô, que foi programado para dar exemplos de perguntas que poderiam cair no exame e dicas de respostas.

Por fim, o robô deu uma de mestre de cerimônias subiu ao palco para introduzir a palestrante do evento "Artificial Emotional Intelligence: Ensinando os Computadores a Sentir". Apropriado, já que a apresentação foi ministrada pela cientista da computação Rana el Kaliouby, executiva-chefe da Affectiva, empresa que cria softwares de reconhecimento de emoção humana a partir de expressões faciais ou reações fisiológicas.

Separe uma graninha

Como qualquer nova tecnologia, lidar com robôs não é barato. Além do equipamento de ponta, o serviço de programação contratado também é bem especializado, o que significa que o valor do aluguel é elevado - chamar de caro talvez não seja justo, visto que é um meio com pouca oferta que exige uma série fatores custosos.

A fundadora da Umbô explica que a diária de um serviço básico, com poucas personalizações do robô e uma logística fácil, sairia por volta de R$ 3 mil. Para a Metso levar a máquina de São Paulo a Belo Horizonte, com as configurações necessárias para o evento, um dia de uso saiu bem mais caro que o pacote "básico". Como a mineradora foi uma das primeiras clientes da startup, os preços têm mudado desde então.

Foi caro? Wendell não sabe dizer, mas acredita que o aluguel surtiu o efeito desejado. "A gente acha que o preço pago foi equivalente ao benefício durante o evento, tanto que diversos clientes tiraram fotos, interagiram bastante com o robô. Tivemos um resultado bem positivo", afirmou.

Serviço único?

O aluguel de robôs não é exclusividade da Umbô, mas ela é um dos poucos que oferecem esse serviço. A Pollux, por exemplo, é uma empresa veterana da automação industrial, mas que trabalha com máquinas diferentes.

Em vez de robôs humanoides que frequentam eventos e ajudam pessoas na preparação do Enem, os da Pollux trabalham na linha de produção de fábricas ao lado de humanos. Um dos modelos que a empresa trabalha é um braço mecânico, que, assim como os robôs da Umbô, demanda uma programação prévia, ainda que muito diferente.

Uma semelhança entre as duas empresas é que, assim como a Umbô, a Pollux não é a fabricante dos robôs vendidos ou alugados, mas uma representante da dinamarquesa Universal Robots no Brasil. A empresa do ramo da automação industrial aluga suas máquinas desde 2017 e, inclusive, teve um aumento de demanda com a oferta desse serviço, totalizando 230 robôs implementados na indústria.

Ainda existem outras empresas que fornecem robôs a clientes, seja na venda ou aluguel, mas ainda é um número restrito. Mas, com os avanços da inteligência artificial, a tendência é que essa oferta aumente em um futuro próximo. Quem sabe, em alguns anos, tirar as dúvidas com um robô não será apenas um motivo de "uau", mas um serviço que facilitará nossas vidas.

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