Felipe Zmoginski

Felipe Zmoginski

Siga nas redes
Só para assinantesAssine UOL
Opinião

Como a guerra comercial entre EUA e China ameaça até o tratamento do câncer

A guerra comercial instalada entre Estados Unidos e China já prejudica o desenvolvimento de novas terapias contra doenças graves, como o câncer.

Em entrevista à agência de notícias estatal Xinhua, a bióloga chinesa Yan Ning, que trocou um emprego em um instituto médico na Califórnia por uma posição na Universidade de Pequim, ilustrou as dificuldades que podem ser criadas para a China. Segundo Ning, os equipamentos de microscopia eletrônica criogênicas que usa para estudar a estrutura das células em resolução atômica são todos importados.

O temor dos pesquisadores chineses é que a onda de sanções impostas por Washington contra a indústria de alta tecnologia do país afete suas pesquisas.

Um exemplo de prejuízo à ciência são os estudos com células Car-T. De forma simplificada, estas células são capazes de modificar partes do sistema imunológico de um paciente, "ensinando" suas células de defesa a atacarem tumores.

A China possui alguns medicamentos e terapias líderes mundiais em Car-T, que podem ser usadas para tratar tumores que não respondem às terapias tradicionais.

O temor de que laboratórios chineses sofram sanções internacionais, no entanto, já têm retirado investimentos de laboratórios locais que avançam nestas pesquisas.

Na semana passada, o Conselho de Estado, um órgão do governo chinês, convocou diretores de 170 hospitais e de universidades de medicina para discutir o impacto das disputas do país com os Estados Unidos sobre o setor de saúde.

Durante o encontro, aprovou-se um plano de investimentos para que a China seja capaz de fabricar equipamentos médicos e criar fármacos inovadores de forma independente, ou seja, sem precisar de insumos e equipamentos importados.

Xie Maosong, presidente do Instituto Nacional de Estudos Médicos da prestigiosa universidade Tsinghua emitiu um comunicado dizendo que o país deve preparar-se para impedir que "sanções, como as impostas à indústria de semicondutores, afetem também a indústria de equipamentos médicos e de fármacos" no país.

Continua após a publicidade

O plano aprovado prevê investimentos ao longo de 2024 e 2025 para a China diminuir sua dependência de equipamentos de saúde estrangeiros. O montante dos investimentos e suas fontes não foram explicitados.

O comunicado emitido ao final do encontro afirma que o tratamento à saúde humana deve estar acima de disputas políticas e pede que instituições internacionais estejam atentas contra bloqueios e sanções que limitem o progresso da ciência em favor da humanidade.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Veja também

Deixe seu comentário

Só para assinantes