Felipe Zmoginski

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Opinião

Como Big techs da China empregaram jovens após pressão do governo

As empresas de tecnologia digital da China têm uma irretocável história de sucesso, dobrando seu faturamento ano a ano ao longo de mais de uma década. Em 2008, por exemplo, o país tinha acabado de se tornar o maior mercado de internet do mundo, em número de usuários, superando os Estados Unidos, ao marcar 300 milhões de pessoas conectadas.

Atualmente, o mercado digital chinês é muitíssimo maior, com 1,3 bilhão de usuários online e 51% de todas as vendas de varejo acontecendo em canais digitais e não em lojas físicas.

Para efeito de comparação, no Brasil, só 11% das vendas do varejo ocorrem em canais online.

A história fulgurante de sucesso foi interrompida em 2021, quando o governo chinês apertou as regras regulatórias no país, proibiu a Ant Financial, a maior fintech nacional, de abrir capital, e multou companhias como Alibaba e Tencent em bilhões de dólares.

Para observadores chineses, o movimento governamental visava "domar" as big techs, que estariam ficando poderosas demais, rivalizando em prestígio e influência com o todo-poderoso Partido Comunista Chinês, que governa o país desde 1949.

O resultado deste movimento regulatório foram cortes em massa promovidos pelas big techs e redução em seu faturamento e valor de suas ações.

O grupo Alibaba, por exemplo, demitiu 15 mil colaboradores, uma enormidade que correspondia a quase 10% de sua força total de trabalho.

Desde o início deste ano, porém, o governo chinês parece ter feito as pazes com suas empresas de tecnologia e não há registros de multas e outros constrangimentos a seu crescimento.

Agora, a preocupação maior de Pequim parece ser o desemprego de jovens entre 18 e 26 anos, que atinge patamares de mais de dois dígitos em grandes cidades do país.

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Na China, uma lei local obriga grandes empresas a dar assentos a representantes do governo em seu conselho de administração. Este mês, tais conselheiros "sugeriram gentilmente" que as big techs abrissem posições para jovens, diminuindo a tensão social que o desemprego causa nesta faixa etária da população.

Subitamente, todas as grandes empresas de tecnologia criaram vagas para jovens.

O grupo Tencent, baseado em Shenzhen, anunciou um programa para contratar 6 mil talentos em áreas como programação, marketing e pesquisa em inteligência artificial.

O grupo Alibaba, por sua vez, anunciou a abertura de 2 mil posições em sua sede, na cidade de Hangzhou.

Até o Kuaishou, dono do app de vídeos Kwai, que não tem a projeção dos titãs Alibaba e Tencent, anunciou 200 vagas.

Ao que tudo indica, nenhuma empresa chinesa está disposta a ignorar as recomendações do governo local.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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