Felipe Zmoginski

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Opinião

Como a China troca frota por carros elétricos em velocidade alucinante

O principal executivo da fabricante chinesa BYD, Wang Chuanfu, anunciou que a montadora já entregou 5 milhões de carros elétricos em seu país. O número é relevante pois representa, sozinho, perto de 10% da frota de veículos de países altamente industrializados, como a Alemanha, que tem 48 milhões de carros nas ruas, ou mesmo o Brasil, país de 55 milhões de automóveis licenciados, segundo a EuroStat.

A China é o maior mercado de carros do mundo, com uma frota de 292 milhões de veículos, número ligeiramente acima dos 287 milhões de automóveis rodando nos Estados Unidos.

A diferença, em favor da China, é o fato de o país trocar a matriz energética dos veículos em ritmo inédito do planeta.

Um estudo feito pelo Fundo Monetário Internacional, por exemplo, prevê que, no mundo, 20% de todos os carros sejam elétricos até 2040.

Neste exato momento, 22% da frota chinesa já é elétrica, um percentual que a média mundial só deve alcançar daqui a duas décadas.

Não há país no mundo que tenha percentual tão elevado de novos carros movidos a energia renovável. A exceção é o Brasil, onde, segundo a Anfavea, 60% dos carros emplacados são bicombustíveis, o que pode ser considerado uma energia renovável, pela possibilidade de abastecimento com etanol.

No anúncio feito por Wang Chuanfu na semana passada, o executivo mostrou dados indicando que, atualmente, 60% de todos os carros novos emplacados no país são elétricos.

No país não há subsídio para os carros movidos por energia elétrica, mas diversas cidades oferecem vantagens como maior facilidade para emplacamento de veículos que não sejam movidos a combustíveis fósseis.

Além da BYD, a China mantém grandes fabricantes de veículos elétricos como Xpeng, Great Wall Motors e Zeekr.

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A troca na matriz energética dos veículos é um dos pontos mais importantes na redução da poluição nas grandes cidades chinesas.

O sucesso na eletrificação de carros no país asiático tem, como ponto fraco, o fato de a nação não ter, ainda, uma fonte de geração de energia majoritariamente limpa.

Maior produtor de energias renováveis, como a eólica e solar, a China também é o maior consumidor mundial de carvão, o que, na prática, significa dizer que se tirou o diesel e a gasolina das cidades, mas as usinas que recarregam as baterias dos carros, muitas vezes, são termoelétricas altamente poluentes.

O avanço dos carros elétricos na China é um dos pilares do desenvolvimento no país.

Para muitos economistas locais, o país perdeu a corrida na industrialização dos carros movidos a combustão. Assim, as grandes marcas globais são as americanas, europeias ou japonesas.

A aposta da indústria local é que, com a troca de matriz energética, suas montadoras tenham a chance de ocupar um prestígio que hoje pertence a "nomões" americanos, como General Motors, ou europeus, como Volkswagen.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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