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Animal Crossing: por que o game de "fazendinha" é tão fascinante?

Animal Crossing: New Horizons segue a tradição da série, com criaturas fofas vivendo em harmonia - Divulgação
Animal Crossing: New Horizons segue a tradição da série, com criaturas fofas vivendo em harmonia
Imagem: Divulgação

Tiago Alcantara

Colaboração para o START

20/03/2020 12h00Atualizada em 10/08/2020 09h59

Quem nunca jogou Animal Crossing provavelmente não entende toda a animação em torno da franquia e de seu lançamento mais recente, Animal Crossing: New Horizons. Desde seu anúncio para o Nintendo Switch, o game vem despertando o amor dos fãs nas redes sociais, crossovers inusitados com Doom e a curiosidade de quem pouco ou nada ouviu falar dele. Se você ainda está pensando se embarca ou não no pacote de mudança para uma ilha deserta oferecido por Tom Nook, veio ao lugar certo.

Listamos algumas das curiosidades da franquia —que já bateu mais de 33 milhões de unidades vendidas— e também sobre a nova edição do game, que promete ser o principal lançamento da companhia nipônica para o ano de 2020. Pegue sua passagem, o protetor solar e embarque nessa viagem pela história de Animal Crossing.

Um estranho no paraíso

O game segue uma premissa básica: você controla um personagem que se muda para uma cidade, cheia de animais com personalidades das mais diferentes. E é justamente esse sentimento de "um estranho no paraíso" que inspirou seu criador, Katsuya Eguchi. Antes de criar a franquia, o designer de jogos havia desenvolvido níveis de Super Mario Bros. 3 e também foi diretor de Star Fox. A inspiração para Animal Crossing veio de sua experiência pessoal, quando se mudou de sua cidade natal para Kyoto, ao ser contratado pela Nintendo.

Acontece que Eguchi acabou modelando aspectos importantes da franquia em torno da sensação de ser a pessoa nova na cidade: receber cartas de parentes, conseguir um emprego, fazer novas amizades e, pouco a pouco, deixar a casa com a sua cara. A primeira versão do game foi desenvolvida para o Nintendo 64 e lançada no Japão em 2001. No ano seguinte a audiência ocidental recebia uma versão do jogo com algumas melhorias para o GameCube.

Animal Crossing  - Divulgação - Divulgação
Aqui só tem vizinho gente-boa
Imagem: Divulgação

"Só faz sucesso no Japão"

De fato, você já deve ter ouvido algum crítico comentar que Animal Crossing é um game de nicho e que só agrada ao público nipônico. Apesar de os números de venda dizerem o contrário, esse argumento se baseia no fato de que o game não tem um objetivo ou um inimigo claros. É uma experiência aberta, na qual você pode decidir quais são os próximos passos. O game conta com um sistema de tempo próprio, que usa as informações de data e horário para simular o passar de horas e dias.

Junte a esse sistema de gameplay pouco convencional à época de seu lançamento —muito antes de games como Stardew Valley roubarem a vida de fazendeiros por aí— e adicione uma porção de diálogos com animais antropomorfizados e temos um público confuso. Ou apaixonado.

Acontece que, para portar o game para as audiências internacionais, os desenvolvedores colocaram um bocado de esforço na tradução e adaptação de referências culturais. O trabalho ficou tão bem feito que os chefões da Big N resolveram traduzir de volta essa versão "melhorada"e lançaram uma segunda versão do Animal Crossing original na terra do Godzilla, em 2003.

Animal Crossing: New Horizons

Personagens adoráveis (ou não)

Mesmo quem não conhece direito a série já viu alguns de seus personagens mais famosos em outros games, como é o caso de Super Smash Bros. Ultimate ou em algum meme. Isabelle, Tom Nook, K.K. Slider e vários outros estão por todos os cantos. O que torna esses animais com problemas e sentimentos de gente tão memoráveis é o fato de que suas personalidades foram evoluindo ao longo da história da franquia.

Além do capitalista Tom Nook, responsável pelos empréstimos necessários no começo de cada novo Animal Crossing e da adorável Isabelle, parte do sucesso dos personagens do game se deve a algumas características específicas. Um exemplo é o músico canino K.K. Slider. O personagem foi inspirado no compositor das músicas do game, Kazumi Totaka. E, assim como o músico real, o cachorro manda bem no repertório, apenas em Animal Crossing: New Leaf (2012) são 91 composições.

KK Slider - Divulgação - Divulgação
O cachorro K.K. Slider, ao centro, foi inspirado no compositor das músicas do game, Kazumi Totaka
Imagem: Divulgação

Outro personagem que marcou os jogadores —não no bom sentido— é o Mr. Resetti. Essa toupeira raivosa vai lembrar os jogadores de salvar o game antes que eles desliguem seus consoles. O problema é que quanto mais os jogadores esquecem de salvar seus jogos, mais bravo vai ficando o senhor toupeira. Em uma entrevista, o lendário ex-presidente da Nintendo, Satoru Iwata, reconheceu que o Mr. Resetti já fez alguns jogadores mais novos chorarem.

Se você está achando que ele é só um personagem pequeno para fazer um lembrete de sistema ser mais acessível, está certo. Mas, por outro lado, o personagem é tão bem desenvolvido que você aprende que ele tem um irmão chamado Don, um sobrinho chamado Vinnie e que gosta de seu café forte e sem açúcar. Esse nível de detalhamento é um padrão em quase todos os animais que você encontra no jogo.

Um fandom amistoso

Talvez seja por esse motivo que você esteja lendo tanto sobre Animal Crossing: New Horizons nas redes sociais. Ao ponto de que até mesmo fãs de uma outra franquia que terá um jogo lançado no mesmo dia, Doom: Eternal, curtirem o crossover entre o shooter mega visceral e a overdose de fofura que desembarca no Nintendo Switch.

Não é incomum você encontrar fãs de Animal Crossing comentando o quanto estão animados com gráficos e outras características do game. Sim, é impossível não comparar a recepção que AC teve com a gritaria virtual do fandom de Pokémon, como bem notaram alguns usuários de redes sociais.

E o que esperar do novo game?

Além do óbvio novo cenário, New Horizons promete uma série de inovações para a franquia. Assim como já havia feito antes com The Legend of Zelda: Breath of the Wild e Super Mario Odyssey, a Nintendo promete incluir uma série de novas mecânicas no novíssimo Animal Crossing. Notadamente, os jogadores poderão alterar suas ilhas do jeito que bem entenderem. Além disso, será possível visitar ilhas desconhecidas para coleta de itens e para convidar novos habitantes para se juntarem a seu mundinho.

Outro ponto que deve ser ressaltado no jogo é o modo "faça você mesmo". Afinal de contas, se você está em uma ilha deserta, tem que "bancar o náufrago" e fazer coisas como uma mesa, cadeiras e tudo mais o que você quiser usar, certo. Outro ponto interessante é um programa de pontos patrocinado por Tom Nook que incentiva os jogadores a realizarem tarefas durante o dia a dia da ilhota.

Por conta da portabildiade do Switch, será possível visitar a ilha de amigos de forma online ou com até oito jogadores dividindo o mesmo console, morando na mesma ilha. Ao que tudo indica, Animal Crossing: New Horizons tem tudo para garantir boas horas de relaxamento em um paraíso virtual para lá de divertido e repleto de fofura. Parece uma viagem que você toparia fazer?

Animal Crossing - Divulgação - Divulgação
Mais um dia ensolarado em Animal Crossing
Imagem: Divulgação

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