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Por que varar a noite criando games? START Explica as game jams

Eryk Souza/UOL
Imagem: Eryk Souza/UOL

Giovanna Breve

Colaboração para o START

25/10/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Maratonas de criação de games surgiram em 2002 no EUA, e hoje reúnem desenvolvedores e outros profissionais
  • Jogos famosos, como "Celeste" e "Goat Simulator", tiveram origem nesses encontros
  • Confira quais são algumas das principais game jams do mundo, e veja dicas de quem participa

Se criar um game já é algo difícil, imagina fazer isso no intervalo de 48h ou 72h? Essa é a proposta das Game Jams, maratonas de criação de jogos que atream cada vez mais desenvolvedores e curiosos, que encaram a missão passar madrugadas sem dormir direito, acumulando estresse e caixas de pizza. Mas por que isso tudo?

O START conta como surgiu essa prática e conversou com pessoas que já estão calejadas em Game Jams. Elas contam que os encontros servem para fomentar a indústria, estabelecer contatos e incentivar programadores, designers, músicos e ilustradores a viverem a experiência de criar um game com as próprias mãos. E não se engane: esses pequenos jogos feitos em poucos dias podem se transformar também em grandes sucessos.

Vamos fazer um jogo?

O termo "game jam" tem paralelo com as "jam sessions", encontro entre músicos, com pouca ou nenhuma experiência, para compor músicas, treinar instrumentos ou, simplesmente, fazer um som.

As game jams podem ser presenciais ou online, e cada evento tem liberdade para definir os prazos. Cabe ao organizador propor data, hora, local, regras e temas. Aos participantes fica a missão de desenvolver uma ideia experimental de um protótipo de jogo a partir do zero, superando limitações técnicas e logísticas para entregar o "produto final".

Os eventos colocam à prova habilidades e capacidade de improviso, compartilham conhecimentos e criam uma rede de contato com profissionais do meio. Apesar dos prazos e da competição, o clima costuma ser descontraído.

O registro da primeira game jam vem de março de 2002, nos Estados Unidos - Reprodução
O registro da primeira game jam vem de março de 2002, nos Estados Unidos
Imagem: Reprodução

O primeiro registro de game jam vem de março de 2002, nos Estados Unidos. Os desenvolvedores Chris Hecker e Sean Barrett estavam às voltas com o processamento de "sprites" (elementos gráficos que podem se mover em uma tela), e queriam testar os limites do hardware da época. Convocaram os amigos Doug Church, Casey Muratori e Jonathan Blow (que ficaria conhecido mais tarde pelo game "Braid") e passaram semanas para construir uma engine - o motor que faz um jogo rodar - própria.

Depois disso, Hecker convidou mais colegas para ir até o escritório dele para criar e testar games com o maior número de sprites possível utilizando esse protótipo de motor.

A partir desse tema inusitado, o encontro recebeu o nome de "0th Indie Game Jam" (IGJ0) e se tornou um marco para a criação de tantas outras jams que surgiriam a partir dali. O evento durou cerca de quatro dias, rendendo doze jogos.

Game Jam raiz

Participantes da primeira game jam no Brasil, em 2005: encontro em Orlândia, interior de São Paulo - Arquivo pessoal
Participantes da primeira game jam no Brasil, em 2005: encontro em Orlândia, interior de São Paulo
Imagem: Arquivo pessoal

No Brasil, a primeira game jam de que se tem notícia aconteceu em 2005, como relata Renato de Giovani. Ele é desenvolvedor de games e um dos pioneiros do setor no país, e conta que a ideia de realizar a jam surgiu a partir de um amigo. "Ele tocou no assunto e disse que só não fazia porque não tinha um espaço grande. Então eu disse 'espaço eu tenho' e ele topou na hora", conta Renato em entrevista ao START.

A primeira maratona de desenvolvedores brasileiros aconteceu nos dias 22 e 23 de abril de 2005 no escritório da Tilt, empresa de Renato, em Orlândia, interior de São Paulo. O evento contou com a presença de nove game designers de diferentes partes do país como São Paulo (SP), Recife (PE), Curitiba (PR) e Florianópolis (SC).

O desenvolvedor conta que o preparo foi caseiro e fluiu de forma orgânica. Eles apenas disponibilizou o lugar e equipamentos, os convidados ficaram hospedados na casa do próprio de Giovani, e outra parte em um hotel.

Não houve uma organização propriamente dita. A gente tocou no assunto num grupo de discussão e convidamos as pessoas, que foram confirmando presença
Renato de Giovani, desenvolvedor de jogos

A proposta da jam era avaliar o "mercado de jogos do tipo adventure [games em que focam a experiência de narrativas em vez de ação e gráficos] e ideias para o desenvolvimento de modelos alternativos, que incorporam tecnologias e recursos modernos." Com a tecnologia da época foi feita uma história em que quatro ecoturistas acabam presos em uma caverna e precisam sair através da escolha de diálogo e ações.

Renato de Giovani afirma que o saldo foi positivo e destaca a importância das game jams para quem está começando a carreira na área. "Tem o lance da troca de experiências, do trabalho em grupo e da questão de atender a uma determinada demanda (o tema da jam)" explica.

Saudades daquele monitor CRT? - Arquivo pessoal
Saudades daquele monitor CRT?
Imagem: Arquivo pessoal

Jogos famosos que nasceram em game jams

Surgeon Simulator

Ideias boas, como "Surgeon Simulator", podem surgir nos momentos de pressão, com prazo apertado - Divulgação
Ideias boas, como "Surgeon Simulator", podem surgir nos momentos de pressão, com prazo apertado
Imagem: Divulgação

O lendário jogo de simulação que permite a você ser um cirurgião inconsequente foi criado durante a Global Game Jam de 2013. Os desenvolvedores do Bossa Studio continuaram o projeto, e o jogo foi lançado no mesmo ano, virando um fenômeno por sua mecânica desengonçada e difícil de controlar. Os criadores chegaram a confessar, em entrevistas, que ficaram na dúvida: o jogo era divertido de verdade, ou tudo não passava de alucinação de uma equipe que estava havia dias sem dormir? Por sorte, Surgeon Simulator continuou engraçado depois do lançamento, e permitiu a todos nós descobrir que não nascemos para a medicina.

Superhot

O estiloso e ousado "Superhot" nasceu em uma game jam de 2013 - Divulgação
O estiloso e ousado "Superhot" nasceu em uma game jam de 2013
Imagem: Divulgação

Superhot não é só um ótimo jogo para sair da mesmice e uma grande experiência de realidade virtual: ele também é um filhote de game jams. Nesse jogo de tiro, o tempo se move somente quando o jogador também se move, trazendo uma inovação no gênero em primeira pessoa. Criado pela Superhot Team, o game foi desenvolvido durante a 7 Day FPS Challenge (7DFPS) de 2013, que trazia o desafio de produzir games de tiro em primeira pessoa no prazo de sete dias.

Titan Souls

"Titan Souls" chamou atenção em 2014, e no ano seguinte foi lançado pela Devolver Digital - Divulgação
"Titan Souls" chamou atenção em 2014, e no ano seguinte foi lançado pela Devolver Digital
Imagem: Divulgação

Com estilão retrô e uma dificuldade que faz jogadores perderem a paciência, "Titan Souls" carrega inspirações das franquias "Dark Souls", "Shadow of the Colossus" e "The Legend of Zelda". Foi feito durante a Ludum Dare #28, em 2014, e se tornou um dos jogos mais votados da edição, atraindo interesse da publisher Devolver Digital. Em 2015, ela lançou o game indie para PC, PlayStation 4 e Android.

Celeste

"Celeste", que foi destaque em 2018, também tem suas origens nas "jams" - Reprodução
"Celeste", que foi destaque em 2018, também tem suas origens nas "jams"
Imagem: Reprodução

Um dos grandes fenômenos de 2018 foi produzido durante uma game jam, o jogo de plataforma carrega uma história cativante com artes incríveis feito pelos brasileiros da Miniboss Studios. "Celeste" venceu duas categorias do Game Awards, considerado o "Oscar dos games", sendo os de Melhor Jogo Independente e Melhor Jogo com Impacto Social, o indie também disputou com outros jogos AAA a categoria Melhor Jogo do Ano de 2018.

Goat Simulator

A cabra mais "vida loka" dos games já promovia o caos nas game jams do estúdio Coffee Stain - Divulgação
A cabra mais "vida loka" dos games já promovia o caos nas game jams do estúdio Coffee Stain
Imagem: Divulgação

Se hoje a internet está pirando com as trollagens do ganso em Untitled Goose Game, no passado um outro simulador de animal fez um sucesso semelhante. "Goat Simulator" transforma o jogador em uma cabra livre, leve solta para espalhar o caos pela cidade. O simulador de cabra/bode foi criado durante uma game jam interna da desenvolvedora Coffee Stain Studios.

Por dentro de uma Game Jam

Maratona de desenvolvimento durante a Global Game Jam de Curitiba em 2019 - Acervo Pessoal
Maratona de desenvolvimento durante a Global Game Jam de Curitiba em 2019
Imagem: Acervo Pessoal

A ideia de juntar uma galera da área de jogos ou simpatizantes começou a ganhar grandes proporções. As jams passaram a ter diversas identidades para diferentes estilos, temas e públicos, até um caráter competitivo com direito a premiações em dinheiro ou com uma vaga garantida em empresas de renome. Mesmo com essa variedade, todas as jams tentam manter a alma de ser uma espécie de "Norvana": unir todas as tribos diferentes com o interesse em comum de fazer jogos.

Apesar das jams online e presenciais terem um objetivo principal em comum, as experiências são completamente diferentes. Enquanto as online facilitam o acesso para quem mora longe, a presencial carrega a vivência de criar contato, trocar conhecimentos e experiências mais intensa do que no diálogo online conforme explica André Asai, desenvolvedor de jogos em entrevista para o START. "Isso acaba perdendo um pouco da sutileza quando se conversa em texto."

Participantes da Women Game Jam 2019, em São Paulo - Gabriela Cais Burdmann/UOL
Participantes da Women Game Jam 2019, em São Paulo
Imagem: Gabriela Cais Burdmann/UOL

Durante o período 2010 o cenário dos desenvolvedores em São Paulo (SP) era bastante tímido, a maioria se conhecia através da tela do computador e do celular. Foi a partir da necessidade em quebrar essa barreira que André decidiu criar a SP Jam, um dos primeiros encontros na capital paulistana. A primeira edição foi em 2011 na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), onde Asai estudava artes na época.

O evento teve uma boa repercussão a ponto de vir mais do que o esperado, Asai e os outros organizadores imaginavam cerca de 30 participantes mas no fim vieram cem. "O problema não foi organizar, mas gerenciar a necessidade das cem pessoas que estavam durante as próximas 48 horas (risos)." disse o game designer.

Asai organizou apenas as duas primeiras edições e confessa que é um desafio manter a administração de um evento desse tamanho, ainda mais na grande São Paulo. "É muito difícil achar um lugar que vai te disponibilizar uma infraestrutura e ter uma estrutura necessária para hospedar as pessoas. Precisam ter banheiro, chuveiro, a energia elétrica, internet. Na primeira edição a gente não teve acesso ao chuveiro e, pelo amor de Deus, tava todo mundo fedendo depois de 48 horas, não tinha como (risos)." relembra.

Depois de publicados, os jogos das game jams ficam disponíveis para o público testar - Acervo Pessoal
Depois de publicados, os jogos das game jams ficam disponíveis para o público testar
Imagem: Acervo Pessoal

Espaços que conseguem suportar uma estrutura que uma jam carrega são as universidades por utilizar as salas para acomodar alunos, ter uma ampla área para atividades e outras necessidades básicas. Exemplo disso é a sede da Global Game Jam de Curitiba (PR), que acontece na PUC-PR. Bruno Campagnolo é organizador da Global Game Jam de Curitiba, coordenador do curso de Jogos Digitais da universidade e realiza a jam desde 2009.

Ele lembra que a Jam também começo com poucos participantes. "O evento começou pequeno, eram umas 40 pessoas e a maioria eram meus alunos na época e com os anos foi crescendo aos poucos." disse o professor em entrevista para o START.

Atualmente a sede da capital paranaense atrai cerca de 600 participantes e é uma das maiores da Global Game Jam (GGJ), que acontece em mais de cem países. Bruno afirma que o próprio evento se "auto-organiza" mesmo com muitos inscritos, o pessoal que participou das edições anteriores ajuda quem vêm pela primeira vez, trazendo o espírito de coletividade e comunidade.

Questionado sobre porque Curitiba é o principal polo mesmo distante do grande nicho de desenvolvedores que ficam no sudeste, Campagnolo acredita que os fatores regionais como o perfil dos cidadãos e a infraestrutura da cidade são os principais fatores. "Aqui é tudo quinze minutos de um lugar para outro e também tem uma comunidade muito forte de tecnologia em geral. Então vêm muita gente hobista, quer fazer jogo mas não quer trabalhar com isso pois já tem um emprego em um lugar tradicional no banco ou empresa de tecnologia." explica.

A gente se esforça para ter toda as pessoas em um lugar só. O nosso objetivo é que seja um ambiente de conforto, seja mais legal desenvolver um jogo do que ficar em casa
Bruno Campagnolo, coordenador da Global Game Jam de Curitiba

A Game Jam de Curitiba se tornou um grande encontro tanto para inexperientes e estudantes da área como veteranos que hoje trabalham no mercado de games. O coordenador afirma que só vêm crescendo a diversidade do público e que trabalham ao máximo para tentar juntar todo mundo, ou o espírito Norvana citado acima: "A gente se esforça para ter toda as pessoas em um lugar só. O nosso objetivo é que seja um ambiente de conforto, seja mais legal desenvolver um jogo do que ficar em casa."

Bruno Campagnolo em uma casa feita com as caixas de pizza da Global Game Jam 2019 em Curitiba - Acervo Pessoal
Bruno Campagnolo em uma casa feita com as caixas de pizza da Global Game Jam 2019 em Curitiba
Imagem: Acervo Pessoal

Um fator que apenas as faculdades proporcionam é um certo ar de festa universitária, com direito a dormir nas salas com colchão de ar, tenda e comer comidas industrializadas. E no caso da Global Game Jam de Curitiba é marcada pelas tradições que foram criadas ao longo de quase dez anos de jam, o que se torna mais um motivo para quem já participou querer voltar. Dentre as práticas que acontecem na jam vão desde torres de caixa de pizza até desafios para incrementar no jogo exclusivos da jam local.

"Desde as primeiras edições, fazemos uma pilha de pizza mas houve um problema: chegou no ponto que a pilha ficava no térreo e tocava no teto do segundo andar! Então decidimos fazer a cada ano um objeto usando as caixas de pizza, como um trono ou foguete e o legal que vira um espaço para tirar fotos."
Bruno Campagnolo, organizador da Global Game Jam em Curitiba

Finalistas da Game Jam Plus de 2018 - Divulgação
Finalistas da Game Jam Plus de 2018
Imagem: Divulgação

Apesar do curto período intenso que pode rolar, o que mais gera satisfação para os organizadores é ver o prazer dos participantes de poder entregar o jogo após cansativas horas para produzir. Conforme fala Jairo Lopes, responsável pela organização da Global Game Plus de Dublin, na Irlanda. "Ver a satisfação no rosto de cada um dos participantes quando o evento terminou foi indescritível e só me fez ter certeza do quão importante estes eventos são." diz o business Developers em entrevista para o START.

A Game Jam Plus surgiu desde 2016 e já aconteceu em diversos países da América, Europa e África. O evento tem como ideia fomentar o mercado de jogos com os pilares do marketing e negócios, trazendo mentorias e auxílio para participantes que disputam três etapas, a última vai acontecer no Rio de Janeiro (RJ) em 28 de outubro.

"Ver a satisfação no rosto de cada um dos participantes quando o evento terminou foi indescritível e só me fez ter certeza do quão importante estes eventos são."
Jairo Lopes, brasileiro e organizador da Game Jam + em Dublin, Irlanda.

O brasileiro mora atualmente na Irlanda e sempre administrou eventos de desenvolvedores quando morava em Belo Horizonte (MG), quando foi convidado para organizar a jam no exterior. "Foi uma experiência única e extremamente marcante. Foram intensas horas de desenvolvimento onde se podia notar um comprometimento incrível de todos os times." revela Jairo.

Jairo Lopes em encontro da Game Jam + de Dublin, Irlanda - Divulgação
Jairo Lopes em encontro da Game Jam + de Dublin, Irlanda
Imagem: Divulgação

Para quem vivenciou jams tanto brazucas quanto do exterior, Jairo afirma que o espírito coletivo das jams não tem barreiras e está presente sempre. "É incrível ver os times se comprometerem e se adaptarem para trabalhar juntos durante as horas do evento, acredito que esse seja o senso comum global entre os jammers."

Games Jams Mais Famosas

Existem milhares de games jams espalhadas para todos os tipos e gostos, desde as online para participar no conforto de casa até, as presenciais que acontecem em universidades e até um trem em movimento. Saiba as principais game jams presente no Brasil e mundo.

Global Game Jam (GGJ)

A Global Game Jam de Curitiba reúne, em média 600 participantes - Acervo pessoal
A Global Game Jam de Curitiba reúne, em média 600 participantes
Imagem: Acervo pessoal

Criada em 2009, é o maior evento presencial a nível mundial, a organização não possui caráter competitivo e todos os jogos produzidos são disponibilizados online. Nos dias 31 de janeiro até 02 de fevereiro deste ano a GGJ 2019 foi realizada em 860 locais de 113 países. Em apenas um final de semana foram desenvolvidos cerca de 9.010 games.

O Brasil tem registrado 59 sedes espalhados desde o sul até o norte do país. A GGJ de Curitiba (PR) é uma das mais populosas, com uma média de 600 participantes, chega a ser uma das maiores do mundo.

Ludum Dare (LD)

A Ludum Dare surgiu após o Indie Game Jam 0th, em abril de 2002, nos fóruns da internet. Começou com apenas 18 participantes e hoje é uma das maiores game jams em quantidade e, ao contrário da GGJ, essa pode ser realizada online.

A LD possui um caráter mais comunitário, sendo uma grande referência para os desenvolvedores indie pois tudo é feito e decidido pelos próprios membros, desde a escolha de tema até avaliação e votação. Assim como a Global Game Jam, a LD não tem prêmio em dinheiro ou físico. O evento é feito duas vezes ao ano, a edição de número 45 aconteceu nos dias 4 e 7 de outubro.

Quem curte rolar uns dados ou puxar cartas não ficam de fora. Tanto a Ludum Dare quanto a Global Game Jam tem um espaço para criar jogos de tabuleiros e de cartas.

Nordic Game Jam (NGJ)

Nordic Game Jam acontece na Dinamarca, com prazo de 40 horas para a criação dos games - Brian K. Christensen/Divulgação
Nordic Game Jam acontece na Dinamarca, com prazo de 40 horas para a criação dos games
Imagem: Brian K. Christensen/Divulgação

Criada em 2006, já alcançou cerca de 900 participantes na edição de 2016 e inspirou a criação da Global Game Jam. Acontece anualmente em Copenhagen, na Dinamarca, e atrai diversas pessoas de países nórdicos e de outros países da Europa para criar um jogo no tempo de 40 horas.

Women Game Jam (WGJ)

Women Game Jam incentiva a participação de mulheres na indústria dos games - Gabriela Cais Burdmann/UOL
Women Game Jam incentiva a participação de mulheres na indústria dos games
Imagem: Gabriela Cais Burdmann/UOL

O START acompanhou de perto a terceira edição da jam exclusiva para mulheres cis, trans e não-binários. Um dos principais motivos é a criação de uma rede de contato para as participantes e aproximá-las da indústria de games e mercado de trabalho.

O evento aconteceu em nove cidades (São Paulo, Salvador, São Carlos, São Luís, Porto Alegre, Novo Hamburgo, Rio de Janeiro, Brasília) e cinco países (Argentina, Peru, Chile, Colômbia e México).

Train Jam (TJ)

A Train Jam acontece em um trem em movimento: os games são feitos durante o trajeto de Chicago a São Francisco, e no final são expostos da Game Developers Conference (GDC) - Reprodução/Twitter
A Train Jam acontece em um trem em movimento: os games são feitos durante o trajeto de Chicago a São Francisco, e no final são expostos da Game Developers Conference (GDC)
Imagem: Reprodução/Twitter

Nesta jam é possível desenvolver um game enquanto desfruta de belas paisagens em diferentes cidades, e o melhor, sem sair do lugar. Todos os anos, alguns dias antes de começar a Game Developers Conference (GDC), a maior reunião anual de desenvolvedoras de jogos eletrônicos profissionais, acontece a Train Jam, que traz a proposta de fazer a maratona em um trem em movimento. O evento dura 52 horas, sai da cidade de Chicago e termina na chegada em São Francisco, lugar em que acontece a GDC.

A ideia de misturar jam e meios de transporte pegou tão bem que foi parar no outro lado do mundo. Na Austrália, a Melbourne International Games Week (MIGW) realizou nos dias 5 e 6 de outubro a primeira edição da Locomojam, um encontro de desenvolvimento dentro de um trem com duração de 37 horas e partiu de Brisbane até Melbourne.

O Brasil já teve esse feito em 2017 pela SBGames (evento acadêmico da América Latina na área de jogos). Bruno Campagnolo, da Global Game Jam de Curitiba, foi quem organizou o trajeto baseado na experiência de ter ido à Train Jam durante quatro edições. A viagem partiu de Curitiba até Morretes, litoral do Paraná, ida e volta. Foram seis horas de percurso e Bruno confessa que sonha em trazer uma experiência mais voltada para o Brasil no futuro. "Meu sonho é ainda fazer uma game jam dentro de um ônibus e rodar pelo país".

Brasil Game Jam (BGJ) - BGS

Divulgação/BGS
Imagem: Divulgação/BGS

Imagina desenvolver jogos durante o maior evento de games da América Latina, no meio de visitantes enquanto é exposto a games de grandes franquias e com diversas atrações. É o que rola na Brasil Game Jam durante o evento da Brasil Game Show (BGS) desde 2016. A jam une cerca de 30 estudantes universitários e permanecem em uma área exclusiva do evento para criar um jogo em 48 horas.

Os participantes só tem conhecimento do tema no começo do evento e, depois de feito, os jogos ficam à disposição do público para experimentar e eleger seu preferido. Os vencedores recebem estágio em estúdio de games e cartão pré-pago do Banco do Brasil, patrocinador da Jam, com R$6 mil.

Game Jam Plus (GJ+)

Participantes da Game Jam Plus - Divulgação/Game Jam Plus
Participantes da Game Jam Plus
Imagem: Divulgação/Game Jam Plus

A Game Jam Plus surgiu em 2016 com foco maior em marketing e negócios. A edição de 2019 aconteceu em 36 cidades, em 8 países diferentes, sendo eles: Brasil, Portugal, Irlanda, Bolívia, África do Sul, Filipinas, Chile e Namíbia. A final será realizada em 28 de outubro no Rio de Janeiro (RJ) durante o SB Games e terá pelo menos um representante de cada equipe durante a cerimônia.

Manual de sobrevivência de uma game jam

Ficou interessado em se tornar um "jamer" e desenvolver jogos em curto período? Separamos dicas que os entrevistados deram para melhor vivenciar uma game jam:

1. Evite o crunch

André Asai ressalta a importância de não se desgastar durante a jam. Apesar do pouco tempo, não precisa necessariamente sair de lá com um jogo AAA nas mãos. Privação de sono pode fazer mal a saúde, prejudicar o desempenho, criar atrito entre as equipes e rolar um estado de crunch em que não é bom. A dica de Asai é reservar um tempo e espaço para se concentrar durante a jam e, claro, dormir. "Não aposte todas as suas fichas em uma ideia que vai te dar lucro. Primeira vez que participei [de uma game jam], fiquei detonado e fiz tudo errado." explica o game design.

2. Seja participativo

Com ou sem prêmio, o principal objetivo é criar uma rede de contato e, quem sabe, fazer amizades. Game jams tentam trazer aos participantes liberdade e conforto para desenvolver e interagir durante o evento. Mesmo se a jam for online, as comunidades e fóruns são receptivas com novatos e tentam ajudar a montar uma equipe ou facilitar em fazer amigos.

Se estiver sozinho tente descolar um grupo para participar ou se tem um grupo não fique fechado, interaja com os outros grupos e participe, ou acolha uma pessoa que esteja sozinha, para ter esse clima de cooperação. Mesmo em uma jam competitiva, a graça não tá no fim, mas no processo é onde aprende as coisas
André Asai, criador da SPJam e Game Designer

Terceira edição da Women Game Jam, em São Paulo - Gabriela Cais Burdmann/UOL
Terceira edição da Women Game Jam, em São Paulo
Imagem: Gabriela Cais Burdmann/UOL

3. Vá preparado

Para os que tem interesse em participar presencialmente e não sabe o que levar para uma jam, leia o regulamento para saber o que o evento vai disponibilizar para os participantes, este artigo (link aqui) também traz uma lista do que levar e dicas para aproveitar o máximo o evento.

4. Se jogue na jam!

Não sabe se é capaz de fazer um jogo? Só há uma maneira de descobrir que é se arriscando. Game jams não são exclusivas para desenvolvedores, mas diversos hobistas e curiosos já participaram dos eventos como citado na matéria acima. "Simplesmente participe, não vá muito à competição mas na comemoração de aprender uma coisa nova." afirma Bruno Campagnolo.

"Durante uma game jam, a quantidade de experiência adquirida realmente vai ajudar a moldar o profissional que você quer ser no futuro." afirma Jairo Lopes

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