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Chico Barney

Luciano Huck assume os domingos com discurso para o mercado publicitário

Luciano Huck é entrevistado no "Conversa com Bial" - Vídeo/Reprodução
Luciano Huck é entrevistado no "Conversa com Bial" Imagem: Vídeo/Reprodução
Chico Barney

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002

Colunista do UOL

16/06/2021 10h41

Nas agências de publicidade e nos setores de marketing das grandes empresas do Brasil e do mundo, uma palavrinha mágica faz a cabeça de todo mundo já há algum tempo: propósito.

Cientes de que tudo é commodity, as marcas tentam embalar seus produtos e deixá-los mais valiosos com um discurso alinhado ao zeitgeist.

Graças ao acesso à informação e ao interesse das novas gerações por questões sociais, ambientais e políticas, não basta ser o melhor, precisa parecer o mais engajado.

Luciano Huck é a personificação desse cenário na TV aberta. Como nenhum outro comunicador, conseguiu colar na própria imagem fatores tão caros a relevantes setores da sociedade contemporânea.

No seu programa semanal, basicamente um amontoado de game shows com farta distribuição de prêmios, ele prefere dizer que conta histórias de brasileiros e transforma suas vidas (ou "tem sua vida transformada por eles", como disse no Conversa com Bial ontem).

Essa preocupação com o fator humano, combinada com uma abordagem que faz questão de exibir as próprias virtudes em peças de entretenimento de fácil digestão é exatamente no que o mercado está interessado.

Basta ver que até o BBB teve que se adaptar. Se em 2018 o Tiago Leifert dizia que "representatividade não leva a nada", o programa teve que engolir isso como questão fundamental em todas as temporadas posteriores. Além do conteúdo em si, os patrocinadores também tentaram discutir temas relevantes em Curicica.

Por isso, faz tanto sentido ver Luciano Huck recebendo essa belíssima promoção, saindo dos sábados para assumir os domingos. É um horário mais valorizado, aproveitando a popularidade já estabelecida após quase três décadas de bons serviços, amplificando o discurso que muitas bocas pretendem assumir.

O interesse do apresentador no tal do "debate público", colocando-se como alguém de profunda consciência social, um apaziguador de extremos, o caminho do meio, é bacana e também fascina a turma que assina os cheques.

Imagino que o principal temor da Globo na troca de guarda do horário eternizado pelo Faustão parece assumir um caminho promissor: financeiramente, há de começar como um sucesso arrebatador. Resta saber se o público vai embarcar com a mesma agilidade.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.