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Creches para cães ajudam tutores ocupados e pets cheios de energia

Ana Cláudia Ruy Cardia e sua cadela Mushi, que frequenta a Dogs Play - Fernando Moraes/UOL
Ana Cláudia Ruy Cardia e sua cadela Mushi, que frequenta a Dogs Play
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Juliana Finardi

Colaboração para Nossa

17/04/2021 04h00

"Ela chega eufórica, entra sem nem sequer olhar para trás e já vai logo ao encontro dos 'tios' com quem brinca o dia todo". Seria um relato comum da mãe sobre a entrada da filha na escolinha, caso a "criança" em questão não fosse a doguinha Mushi, uma schnauzer que, prestes a completar 5 anos, frequenta uma creche para pets dois dias por semana.

As creches — ou day care — são locais onde os pets passam o dia cheios de atividades como aulas de adestramento, brincadeiras, caça ao petisco, piscina, musicoterapia, cromoterapia, descanso, banho, entre outras. As atividades variam de acordo com o local e as mensalidades também, de R$ 297 a R$ 1 mil, dependendo do plano e da frequência semanal.

Mushi frequenta a Dog's Play, a creche que a tutora Ana Claudia Ruy Cardia Atchabahian, 33 anos, chama de "escola". "Eles escondem biscoitos, tem agility, cada dia é uma brincadeira diferente. Às vezes fazem festa de aniversário, carnaval, eles vão todos arrumadinhos. Ela vai dois dias para a escola e dois dias fica com o adestrador, mas poucas horas."

Mushi, que frequenta a Dogs Play desde filhote, é cheia de energia - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Mushi, que frequenta a Dogs Play desde filhote, é cheia de energia
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Ana Claudia, que é advogada e professora universitária, diz que como ela e o marido trabalham muito, decidiram procurar os serviços de um day care para que a cachorrinha não ficasse em casa sem o gasto de energia necessário e também para que Mushi pudesse interagir com outros cães. Desde os 6 meses, a cachorrinha frequenta creches.

Ela acabou se desenvolvendo e não é aquele cachorro deprimido, que não quer brincar. Além disso, está cada dia mais equilibrada porque gasta bastante energia lá."

Dia cheio

José Gabriel Dellano e sua cadela Nutella, no Cachorródromo Vila Guilherme -  Fernando Moraes/UOL -  Fernando Moraes/UOL
José Gabriel Dellamano e sua cadela Nutella, no Cachorródromo Vila Guilherme
Imagem: Fernando Moraes/UOL

A Nutella é uma SRD de quase 1 ano que também frequenta a creche do Cachorródromo. Ela gosta tanto dos dias por lá que já vai animada no trajeto. "No carro ela vai animada e quando chegamos já quer logo descer. Lá ela brinca tanto que dorme no caminho de volta para casa e no dia seguinte ainda permanece cansada", disse o tutor José Gabriel Dellamano, 32 anos, que é engenheiro de automação.

Não é à toa que Nutella volta dormindo para casa. O dia na creche é bem "puxado" para os doguinhos, principalmente para os que estão acostumados com a vida indoor de apartamento.

Tudo começa com atividades com bolinhas, cabo de guerra e, em seguida, partem para outra etapa com ações para baixar a excitação dos cães. Eles seguem, então, para a piscina, secagem, banho a seco (onde os profissionais aproveitam para verificar o corpo dos cães e comunicar os tutores caso haja algo errado), aulinha de adestramento, refeição, atividade de enriquecimento ambiental, finalização do banho a seco e jantar.

Para que procurar uma "escolinha"?

O veterinário Frederico Vaz Fontanelli, coordenador das Faculdades Anhanguera de São Bernardo e Pirituba, reforça a preocupação de Ana Claudia com relação ao gasto de energia dos cães, principalmente para os cães de grande porte. "Quando criados em ambientes menores, a caminhada diária e a brincadeira muitas vezes não esgotam sua energia completamente", diz.

De acordo com ele, o fator mais comum que pesa na hora de decidir levar ou não o cão para a creche é o tempo que ele fica sozinho em casa.

Para aguentar o pique de Nutella, José Gabriel Dellano recorreu ao Cachorródromo Vila Guilherme -  Fernando Moraes/UOL -  Fernando Moraes/UOL
Para aguentar o pique de Nutella, José Gabriel Dellamano recorreu ao Cachorródromo Vila Guilherme
Imagem: Fernando Moraes/UOL

"Outros pontos fundamentais são o temperamento e a sociabilidade do pet. Se o cão apresenta comportamentos de ansiedade ou estresse pela ausência do tutor, como destruir objetos da casa, latidos ou choros constantes, ou o hábito de roer as patas e o rabo podem ser sinais de que ele precisa de uma mudança de rotina e também de companhia", aponta o veterinário.

Apatia, falta de apetite e cansaço, segundo Fontanelli, também podem ligar o alerta dos tutores de que algo não vai bem.

O CEO da Dog's Play, Guilherme Fernandes, disse que a ideia de criar uma creche para cachorros veio exatamente da correria do dia a dia dos tutores. "Muitos cães acabam passando o dia inteiro sem atividade, apenas com um passeio de manhã e outro à noite. Nós percebemos que poderíamos oferecer experiências para eles durante o dia enquanto os pais estão trabalhando."

Como escolher uma creche para seu pet

Os primeiros passos para os tutores escolherem a melhor creche para o pet são listar os locais mais próximos à residência, pesquisar valores, horário de funcionamento, agendar visitas e esclarecer dúvidas a respeito das atividades oferecidas ou como será o dia a dia do cãozinho.

Na visita, é indicado conhecer o espaço, a equipe e os outros cães que já frequentam o local — tudo isso com seu bichinho a tiracolo.

José Gabriel Dellano e sua cadela Nutella, no Cachorródromo Vila Guilherme -  Fernando Moraes/UOL -  Fernando Moraes/UOL
José Gabriel Dellamano e sua cadela Nutella, no Cachorródromo Vila Guilherme
Imagem: Fernando Moraes/UOL
Ana Cláudia Ruy Cardia e sua cadela Mushi, que frequenta a Dogs Play - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Ana Cláudia Ruy Cardia e sua cadela Mushi, que frequenta a Dogs Play
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Também é bom observar as condições de higiene, desde como é feita a limpeza das necessidades dos cães, até a periodicidade do controle de vacinação e checagem das carteiras, até o controle de medicação de carrapatos e pulgas.

"Conversar sobre segurança também é essencial, tanto sobre a segurança do local, quanto a segurança do cão em relação aos demais frequentadores", indica o veterinário.

Foi exatamente o que a sócia de uma loja de serviços automotivos Luciene Capeto Falcone, 47 anos, fez ao procurar um local que pudesse dar mais qualidade de vida a pequena Lollita, uma buldogue francês de 2 anos.

Luciene chegou a visitar outros locais, mas optou pelo day care The Dog por ser um espaço amplo, com muitos monitores. A limpeza do local também foi um item levado em consideração.

O técnico responsável pelo day care, Alexandre Tamashiro, 47 anos, disse que o lema da empresa é carinho, cuidado e diversão.

Trata-se de um mercado em expansão em São Paulo por conta da falta de tempo dos tutores, da vida atribulada. Sabemos que as pessoas procuram um lugar onde o cão fique acolhido, tenha supervisão especializada e gere diversão."

O resultado: um cão socializado

De acordo com a idealizadora do Cachorródromo, Karen Fujiwara, a creche segue um conceito americano de integração entre o parque e o day care. Após uma avaliação comportamental, os cães dos dois espaços interagem e há um trabalho de socialização.

Correr, brincar e fazer amigos: Nutella, no Cachorródromo Vila Guilherme -  Fernando Moraes/UOL -  Fernando Moraes/UOL
Correr, brincar e fazer amigos: Nutella, no Cachorródromo Vila Guilherme
Imagem: Fernando Moraes/UOL

A médica Yasminne Faillace do Valle, 26 anos, viu no horário estendido de funcionamento da creche, das 7h às 19h (com a possibilidade de permanecer até as 21h mediante o pagamento de uma taxa extra), um grande atrativo. Com uma vida atribulada por conta da profissão, ela deixa o simpático Baloo, uma misturinha de chihuahua com spitz alemão, de 4 anos, duas vezes por semana na creche.

Além do horário, Yasminne aponta outros dois benefícios do day care na vida de Baloo. O primeiro, na verdade, é na vida da gatinha Brigite, de 9 anos, que aguarda ansiosa pelo dia de creche do irmão canino.

Em casa, ele fica brincando sozinho ou perturbando a vida da gata, que não gosta de brincar com ele. No Cachorródromo, tem os amigos dele", conta.

A segunda e mais importante evolução do cãozinho após quase nove meses frequentando a creche foi aprender a compartilhar os brinquedos, especialmente uma tal bolinha azul.

"Ele tem uma obsessão por bolinhas azuis, uma possessividade. Então, na creche, com os cachorros que ele já conhece, passou a aceitar que eles brincassem com a bolinha dele", comemora Yasminne.